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É amor? Não sei. Esta intranquilidade,
Este gozo na dor, esta alegria
Triste que vem de manso e que me invade
A alma, enchendo-a e tornando-a mais vazia;

Este cansaço extremo, esta saudade
De uma cousa que falta à vida & O dia
Sem sol, as noites ermas, a ansiedade
Que exalta e a solidão que anestesia,

É amor. Egoísmo de sofrer sozinho,
De as penas esconder do humano açoite,
De transformar as pedras do caminho

Em carícias sutis para colhê-las
E andar como um sonâmbulo, na noite,
Escancarando os olhos às estrelas &

O post Deslumbramento apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/deslumbramento/

Menino Jesus
De novo nascido,
Baixai o sentido
Para a nossa cruz!

Vede que os humanos
Erros e cuidados
Nos são tão pesados
Como há dois mil anos.

A nossa ignorância
É um fardo que arde.
Como se faz tarde
Para a nossa ânsia!

Nós somos da Terra,
Coisa fria e dura.
Olhai a amargura
Que esse olhar encerra.

Colai o ouvido
À alma que sofre;
Abri esse cofre
Do sonho escondido.

Pegai nessa mão
Que treme de medo;
Sondai o segredo
Da minha oração.

Esta pobre gente
Que mal é que fez?
Nós somos, talvez,
Um povo inocente&

Menino Jesus
Que andais distraído
Baixai o sentido
Para a nossa cruz!

A mais insofrida
De tantas misérias
? Não termos mais férias
Ao longo da vida ?

Trocai por amenas
Manhãs sem cuidados,
Silêncios banhados
De ideias serenas;

Por cantos e flores
Risonhas imagens
Macias paisagens
Felizes amores!

O post Prece do Natal apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/prece-do-natal/

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar ? sozinho, à noite ?
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem quinda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

O post Canção do Exílio apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/goncalves-dias/

Estátua - por Camilo Pessanha - 25Mar2019 15:38:43

Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, ? frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.

Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correto
Desse entreaberto lábio gelado&

Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.

O post Estátua apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/estatua/

Para além da curva da estrada

Talvez haja um poço, e talvez um castelo,

E talvez apenas a continuação da estrada.

Não sei nem pergunto.

Enquanto vou na estrada antes da curva

Só olho para a estrada antes da curva,

Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.

De nada me serviria estar olhando para outro lado

E para aquilo que não vejo.

Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.

Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.

Se há alguém para além da curva da estrada,

Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.

Essa é que é a estrada para eles.

Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.

Por ora só sabemos que lá não estamos.

Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva

Há a estrada sem curva nenhuma.

O post Para além da curva da estrada apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/para-alem-da-curva-da-estrada/

(a Charlotte Bronte)

Não digas que os meus seios
são duas rolas brancas,
cansadas de não partir&
ou que o meu corpo
é um fruto quente e bom,
que em noites de verão,
apetece morder e ferir&
Não digas que os meus lábios
são promessas de desejos
mal contidos,
ou que os meus cabelos soltos
lembram os afagos ligeiros
dos dias não cumpridos&

que as tuas mãos saibam colher
aquilo que não foi&

E tu venhas antes p?ra me dizer,
que a minha sensibilidade
é trémula e franzina,
como a graça
de uma flor-menina&
que a minha inteligência
é funda e nua,
como as noites que não tiveram lua,
e que a minha vontade,
é tão forte e tão plena,
que só o teu amor,
a condena!&

O post Elogio da Espiritualidade apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/elogio-da-espiritualidade/

Livre! - por Cruz e Sousa - 25Mar2019 15:38:43

Livre! Ser livre da matéria escrava,
arrancar os grilhões que nos flagelam
e livre penetrar nos Dons que selam
a alma e lhe emprestam toda a etérea lava.

Livre da humana, da terrestre bava
dos corações daninhos que regelam,
quando os nossos sentidos se rebelam
contra a Infâmia bifronte que deprava.

Livre! bem livre para andar mais puro,
mais junto à Natureza e mais seguro
do seu Amor, de todas as justiças.

Livre! para sentir a Natureza,
para gozar, na universal Grandeza,
Fecundas e arcangélicas preguiças.

O post Livre! apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/livre/

Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?

Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro&
Leviana sem dó, por que mentias?

Sabe Deus se te amei! Sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!

Vê minha palidez ? a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias&
Pousa a mão no meu peito!
Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?

O post Por que mentias? apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/por-que-mentias/

Quando a primeira vez, da minha terra
Deixei as noites de amoroso encanto,
A minha doce amante suspirando
Volveu-me os olhos úmidos de pranto.

Um romance cantou de despedida,
Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos&
E deu-me o lenço que molhava o pranto.

Quantos anos contudo já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto&

Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto!

O post O Lenço Dela apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/o-lenco-dela/

Momento - por Alda Lara - 25Mar2019 15:38:43

Nos olhos dos fuzilados,
Dos sete corpos tombados
De borco, no chão impuro
Eis!
&sete mães soluçando&

Nas faces dos fuzilados,
Nas sete faces torcidas
De espanto ainda, e receio,
sete noivas implorando&

E do ventre de além-mundo,
Sete crianças gritando
Na boca dos fuzilados&
Sete crianças gritando
Ecos de dor e renúncia
Pela vida que não veio&

Na boca dos fuzilados
Vermelha de baba e sangue,
&sete crianças gritando!

O post Momento apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/momento/

Armas - por Fagundes Varela - 25Mar2019 15:38:43

 Qual a mais forte das armas,
A mais firme, a mais certeira?
A lança, a espada, a clavina,
Ou a funda aventureira?
A pistola? O bacamarte?
A espingarda, ou a flecha?
O canhão que em praça forte

Faz em dez minutos brecha?
 Qual a mais firme das armas?
O terçado, a fisga, o chuço,
O dardo, a maça, o virote?
A faca, o florete, o laço,
O punhal, ou o chifarote?&
A mais tremenda das armas,
Pior que a durindana,
Atendei, meus bons amigos:
Se apelida:  A língua humana!

O post Armas apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/armas/

A Formiga - por Hermes Fontes - 25Mar2019 15:38:43

E dizer-se que não tens nervos, ó nervosa,
ó vibrátil, sutil, minúscula formiga!
Dizer que não tens alma! E haverá quem o diga,
se o teu exemplo toda gente o imita e glosa?!

Tão pequenina és tu, e, astuta e laboriosa,
arrastas uma folha ? e a arrastada te abriga&
E o requinte que pões em roer o grão da espiga?
E a perícia em bordar as pétalas da rosa?

Passas, eu me pergunto onde o melhor motivo:
se ? Atlas ? erguer nas mãos e nos ombros a Esfera,
se ? formiga ? arrastar um ramo nutritivo;

Ou ? sonhador que a própria angústia retempera ?
dia e noite viver, qual dia e noite vivo,
ao peso imaterial de uma triste quimera&

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Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/a-formiga/

Velho - por Cruz e Sousa - 25Mar2019 15:38:43

Estás morto, estás velho, estás cansado!
Como um sulco de lágrimas pungidas
ei-las, as rugas, as indefinidas
noites do ser vencido e fatigado.

Envolve-te o crepúsculo gelado
que vai soturno amortalhando as vidas
ante o responso em músicas gemidas
no fundo coração dilacerado.

A cabeça pendida de fadiga,
sentes a morte taciturna e amiga,
que os teus nervosos círculos governa.

Estás velho, estás morto! Ó dor, delírio,
alma despedaçada de martírio,
ó desespero da Desgraça eterna!

O post Velho apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/velho/

Os galos cantam, no crepúsculo dormente&
No céu de outono, anda um langor final de pluma
Que se desfaz por entre os dedos, vagamente&

Os galos cantam, no crepúsculo dormente&
Tudo se apaga, e se evapora, e perde, e esfuma&

Fica-se longe, quase morta, como ausente&
Sem ter certeza de ninguém& de coisa alguma&
Tem-se a impressão de estar bem doente, muito doente,

De um mal sem dor, que se não saiba nem resuma&
E os galos cantam, no crepúsculo dormente&

Os galos cantam, no crepúsculo dormente&
A alma das flores, suave e tácita, perfuma
A solitude nebulosa e irreal do ambiente&

Os galos cantam, no crepúsculo dormente&
Tão para lá!& No fim da tarde& além da bruma&

E silenciosos, como alguém que se acostuma
A caminhar sobre penumbras, mansamente,
Meus sonhos surgem, frágeis, leves como espuma&

Põem-se a tecer frases de amor, uma por uma&
E os galos cantam, no crepúsculo dormente&

O post Suavíssima apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/suavissima/

A Mulher - por Florbela Espanca - 25Mar2019 15:38:43

(I)

Um ente de paixão e sacrifício,
De sofrimento cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!

Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta: sê em Vénus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão-de pisar-te!

Se à vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;

E gritam então vis: Olhem, vejam
É aquela a infame! e apedrejam
a pobrezita, a triste, a desgraçada!

(II)

Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma imagem
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doces almas de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

O post A Mulher apareceu primeiro em Blog dos Poetas.



Fonte: https://blogdospoetas.com.br/poemas/a-mulher/