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Ana Ventura

MAIS DO QUE PALAVRAS - 02Ago2007 14:25:00
passeio sozinha no jardim das traseiras do mundo
sinto o cair da noite pesar-me na alma vazia
faço um esforço para me erguer do fundo do meu desalento
tremo de frio da vida que me espera além desta esquina ferida
acaricio a minha pouca esperança ao de leve e digo alto que a manhã me há-de mostrar o caminho


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/08/mais-do-que-palavas.html

15 - 25Jun2007 13:06:00
ao entardecer
desta amargura
apanhei
quinze barcos
para longe
de todos os tempos
e só ficou foi a névoa
de querer abrir-me
em beijos
e sussurrar
ao mar
e ao teu peito
que nada me separa
do desejo
de te viver.


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/06/15.html

POR DENTRO - 08Jun2007 12:05:00
O vento lá fora estremece a noite
A chuva bate com força no alpendre
Enches os copos
As velas vão-se consumindo lentamente
Partilhamos um cigarro
Contas-me outra vez a minha história preferida
Abraço-te com o olhar
Adivinho o toque da tua mão e arrepia-se-me a pele


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/06/por-dentro.html

A MAIS DITA - 16Mai2007 12:32:00
A areia que o vento me trouxe
não me impede de ver o mar
só torna mais salgada a vida que recordo
Doem-me os olhos de a areia querer entrar
Dói-me a saudade de não ter querido


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/mais-dita.html

QUERES SAIR? - 15Mai2007 13:44:00
Passar a tarde inteira a escrever-te, aqui, o que havia de ser a vida. quando acabar a manhã, logo vejo se cá fico ou se te conto só depois o que de lá se vê. Queres que te conte como te conheci? Queres que te mostre a flor que imprimi por dentro, sem cor, sem pressa, minuto a minuto, esta manhã?
Se eu te disser só que te amo, achas que a história é curta?



Como se fosse outra, lembrei-me de te visitar. Cresceu a rua, doeu-me cada passo até este aqui onde ficaste.
Preferia que não estivesses; gostava mais de te saber vivo.
Dei uma festa cá dentro, ninguém veio. Só tu que já cá estavas.


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/queres-sair.html

OUTRA VEZ - 14Mai2007 16:21:00
Nado num imenso desaguar. E a areia não me conforta.
Temo pelo adeus e temo pelo fica cá.
Esbracejo à costa e despejo-me.
Nada, digo eu, nada.

De que serve não chorar e para quê não mentir e não sorrir demais?

Vou partir o barco que me leva a esperança.
Vou embora de mim outra vez.
Vou em vão.


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/outra-vez.html

CÁ SE VAI ANDANDO - 12Mai2007 19:21:00
As palavras de amor já morreram.
Já só há letras perdidas sem esperança e sem saber.
O amanhã não vem.
Temos de viver este hoje eterno.
E continuar a fingir que não faz mal.
Vive-se o jogo, perde-se o destino, irreversivelmente.
Mas não se chora.
As lágrimas já morreram.
Já só há gotas centesimais da nossa dor que se deixam cair inconsequentemente.


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/c-se-vai-andando.html

QUE COISA ESTRANHA - 10Mai2007 17:51:00
Fiquei sem voz de pensar alto em ti.
Olhei a toda a volta e devorei o ar.
Dormi três noites e três dias sem parar.
E voei todo o espaço à volta do que nos envolvia.
Não queria deixar memória nenhuma à solta.

Cortei rente o esforço e lancei-me na procura de outro dia.
Mal te encontrava aí fechada.
Mal te via com esses olhos.
Assim disfarçada.
Era o amor que me impedia de te ter
Que coisa estranha, dizias.

E eu expliquei-te que nem sempre a vida é simples.
Às vezes é preciso esperar muito até a felicidade vir correr ao nosso lado.


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/que-coisa-estranha.html

E SE O RIO - 07Mai2007 11:11:00
que corre dentro de mim, de baixo para cima,
fosse o mesmo que corre
à volta do mundo num abraço que inventei.

E se nunca morresse
a água, nem a sede,
nem a palavra
que nasce em gota
e solta livre cada dor e cada traço de vida.
E se eu me acorrentasse a esta liberdade
e não voltasse a sair do leito quente do meu rio.
Tudo o que te digo é irrelevante perto do calor que faz aqui.
E as palavras
só refrescam a verdade da água a passar.
Tudo o que te digo
sou eu própria,
sem que saiba, irrelevante
como um seixo num rio que nem é meu
nem é inventado.


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/e-se-o-rio.html

SEGREDOS DE OUVIDO - 04Mai2007 16:44:00
Eu não sei como te hei-de contar.
É um segredo bem guardado.
Não queres entrar?
Vem ouvir o mar dentro do meu ouvir.
Não sei contar, sei só dizer.
Ir dizendo, sem compromisso e sem nisso meter grande intenção.
Foge-me o medo de fugir quando olho para tanta letra que se quer escrever. Tanto querer.
Tanto querer que me quer ter e eu a fugir da fuga e do medo de não ir e digo só que não sei.
É melhor vires tu.
É melhor sentares-te aqui na berma do meu passar adiado.
Podemos fazer hojes e ver a mesma luz varada pelo mesmo sim, pelas mesmas verdades.
Se eu te disser que morri no dia ontem do mês que passou,
não vais acreditar em quem te toca e partes em silêncios.
Apareceu um dia um cão e nem ladrou de sentir frio do arrepio de te ver nessas ausências.
Era eu, se acreditas.
Deixei-te a marca de nunca te ter mordido nem de amor.
Eu sei.
Eu nunca soube contar.


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/segredos-de-ouvido.html

LAST MINUTES - 04Mai2007 13:24:00
Estes são os últimos minutos que te posso dar.
Depois esqueço os passos que te levam.
Respiro só o sonho de um fim azul.

Vai-se embora a vida.
O mar resumido numa onda de sal.
E eu a amar-te.
A fotografia colada à pele.

Tenho sede de ti na minha pele toda.

Eu dizia-te mais do amor e do que foi sorrir contigo, mas estes eram os últimos minutos.
Dou-te o meu número?
Um pouco desta areia?


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/last-minutes.html

PERCO - 04Mai2007 13:12:00
Sinto que estou a perder.
Sinto-o tão distintamente que não pode ser mentira.
Mas não sei do que estou a falar.
O único jogo que comecei e ainda não terminei é a vida.
Estarei a perder à vida?


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/perco.html

DIAS DO RIO - 03Mai2007 12:35:00
Um dia fui ao rio brincar contigo. Olha uma folha ali tão branca. E do outro lado um desenho. Que faz aqui ao pé do rio?
O vento?
Não há vento? a folha está limpa de estar aqui só hoje. O desenho não diz nada, embora seja de uma pessoa, a lápis. Tem inquietude nos olhos aquela mulher, tem saudades de ver.
Brincámos a ser crescidos, descansámos, esticados, entre o sol e a pedra fininha.
Quando olhámos estava no rio.
E a folha afastou-se rio afora como quem vai sem estar vento.


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/dias-do-rio.html

BEM ABAIXO - 01Mai2007 13:51:00
Atravesso a floresta negra da vida. Não sei o caminho.
Quando penso que talvez esteja a chegar a algum lado,
Caio num buraco fundo.
É lá que estou agora, Não vejo qualquer luz.
Não espero uma corda amiga, muito menos um abraço.
Não tenho mapa nem estratégia.
Não há escada nem posso escalar
Talvez pudesse escalar se tivesse forças
Mas não tenho
E raízes puxam-me para baixo
Encolho-me num canto do buraco e tento chorar
Choro por dentro dos olhos, por dentro da alma
Mas o meu rosto continua seco
Assim como a minha esperança


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/05/bem-abaixo.html

CASA - 30Abr2007 12:48:00
Tenho três janelas neste apartamento estreito que comprei à beira da vida.
Gostava tanto de me mudar para um onde coubesse a saudade de morrer.
Gostava tanto de merecer respirar. De ser a pessoa que se veste cada manhã com as cores deste céu que pintei.


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/04/casa.html

QUE PAZ - 26Abr2007 15:38:00

Que bela hora para chegares. Estava eu nos braços de mim mesma. A adorar-me, a amar a minha sorte, o meu destino. As minhas escolhas. Eu sei bem que não fizeste por mal. Acabaste o trabalho, foste aos copos, os amigos todos acabaram por ir para casa, não havia mais nada para fazer por essas ruas. As putas tardavam, a fome apertava, tinhas de vir para casa. Ver se eu cá estava à tua espera e o jantar na mesa. Ainda bem que casámos, ainda bem que somos felizes e vivemos cada dia em harmonia. Que não somos como certos casais que se zangam por tudo e por nada. Não, nós somos diferentes. Eu espero por ti sozinha, vou-me amando enquanto espero, e tu lá chegas, cheio de fome, e se o jantar estiver pronto, está tudo bem, ninguém se zanga. Que paz.


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/04/que-paz.html

AMARRAS - 25Abr2007 13:48:00

Olho à volta e só vejo esta parede branca
Dou em louca
Lembro-me vagamente de ter sido feliz
Mas não me lembro a que sabe a felicidade

Sei o que tenho a fazer
Mas tento enganar-me e pensar que posso ser diferente
Encolho-me no meu canto preferido
E finjo acreditar que é exactamente ali que eu quero estar

Tento sonhar uma vida para além do que sou
Pinto esse desejo com cores vivas
Rio-me da minha inocência momentânea
Sento-me outra vez sobre o passado e abraço o que sei e o que vivi


Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/04/amarras.html

VIVER - 23Abr2007 17:00:00

Um raio de sol
Uma gota de água
Um arco-íris bebé

Um beijo desenhado no espelho
Um sorriso roubado ao anjo
Uma mão aberta à sorte

Vejo a janela e estico o olhar
As árvores mexem com o vento
Dão vida à paisagem
Dão alento ao meu coração

Sinto uma paz que me invade
Dá-me prazer estar viva



Fonte: http://ana-parece.blogspot.com/2007/04/viver.html