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Jorge Humberto

AH, UMA LÁGRIMA! - 25Mar2019 15:36:13
AH, UMA LÁGRIMA!

Tem vezes que não sei aonde
buscar certas forças
com que levar tanto avante
Dia e noite até ao adormecer.

O sono é sinuoso e confuso
por emaranhado estorvo
passa as noites sem dormir
de um a outro lado da cama.

Lençóis amarrotados
são bem a imagem de meu
corpo desarrumado
onde alma alguma converge.

E na madrugada cansada
levanto-me para logo cair tonto
no chão (nem a imaginação
mais fértil, chegaria tão longe!).

De joelhos dobrados
Agarrando-me a uma das pontas
Da cama, é no esforço
que me sustenho de pé.

Cambaleante caminho
leva-me ao quarto de banho;
Onde mergulho
a cabeça, na água invernosa.

Acordo! Desfaço a barba!
E tomo meu banho costumeiro.
As ideias sobrepostas,
Vão-se organizando ? caminho;

E já na cozinha preparo
as torradas, enquanto leio
as notícias no jornal
da manhã. Como com apetite.

Chove lá fora. Porque não,
Ah, uma lágrima minha?
A chuva que discorre na rua?
Talvez assim merecido descanso.

Jorge Humberto
15/10/18
Saudade de todos, aqui no 'Luso Poemas'.

Acontecem-nos coisas em que somos muito precisos, mas não olvidei este "Cantinho" que muito aprecio. Obrigado por se encontrarem todos por aqui.

Cumprimentos, do amigo,
Jorge Humberto

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339888

POEMA INACABADO - 25Mar2019 15:36:13


Enquanto, a noite, se faz lá fora
há resquícios, de dias, no
escrever; de dentro para fora; e vai e devora,
Em ecos de fragilidade.

Só quem conhece a ?Aurora?,
Sabe de cor - o imaginário;
? E os tons translúcidos., e a demora,
Somos só nós, em percebermo-nos;

Da voz, que silente emite:
Cegos os olhos. e os candeeiros,
Nocturnos.). o que de si não demite
bem a razão, guiada pela emoção.

São como vozes atractivas,
Sedutoras, que se vão pelas frestas -
Abertas as janelas respectivas
sobrepondo-se umas às outras.

Jorge Humberto
31/10/16

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=315782

Ouviste-me por ti chamar, nos versos
últimos? E neles, perceber teu nome?
Apenas sugerido e subentendido
mas que a quem leu nem o apelido esqueceu?

Sempre tão susceptível e entendível
a cada nova rima sem ter rima
porque quem a rima faz somos nós
como àquele amor, jamais desmentido?

Dime, pensavas realmente, assim
que nos venceria a mentira, só porque
tem quem não sabe o que é amar, a quem se ama?

Ou como poderia sequer razão existir
se outra coisa houvera a existir (cobiça,
só cobiça) que não o amarmo-nos, eternamente?

Desgraçada gente, que não sabe,
que quem cuidou amar, amado sempre será.

Jorge Humberto
06/06/15

?Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia?.









Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=295224

TEU NOME? SABÊ-LO BEM - 25Mar2019 15:36:13

Entardece. Lá mais em baixo corre
serenamente o rio e a lembrança de teu nome.
Se não o escrevesse quase de certeza
que não me recordaria de ti em toda a
envolvência, que traz lembrarmo-nos
quem a lembrança mais almeja querer:
assim como a vontade que é do rio
quando corre tranquilo para a sua foz
porque esse é o desejo das águas e a certeza
de que algures tu vais lá estar.

Sim! Porque eu vou num barquinho
olhos postos no céu reinventando-te
a todo o instante; e conforme os pingos
das águas mais e mais me vão salpicando
na sábia voz do líquido melífluo é aí que eu
sei que estamos juntos, pois se primeiro
foi lembrança agora quem te carrega é
o meu pobre coração, qual não sei porque
não te esquece ele, quando de mim
bastas vezes nem sabes mais sequer se eu existo.

Enfim! Há coisas que existem e não têm
que ter filosofia alguma nisto tudo: é porque é
e o que tem de ser tem muita força, mais ainda
aquela que desconhecemos e só quando
o amor se aviva entre oceanos e fronteiras
Marítimas nos superamos contra ventos e marés.

E um raio de sol surge como que a dizer-nos:
no amor e na paz no bem-querer e na amizade
quem olvida uma segunda vez incorre num erro
tão maior do que dormirmos nele por teimosia.

Entre uma e outra coisa, persisto em amar-te:
haja pois quem atire a primeira pedra
se há alguma coisa aqui que não tenha como verdade
o só dizê-la: verso ou prosa é uma rosa
senão tão bonita como tu mulher, não lhe negues
o viço que a mantém assim rejuvenescida
ano após ano, dia depois de outro dia
ao sol e à chuva ou quando visa o vice-versa
que é parte mais visível de quem vive para a intriga
já que a nossa realidade á sabermo-nos a dois.

Jorge Humberto
02/06/15

?Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia?.









Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=294091

PARA OS OUTROS SEMPRE - 25Mar2019 15:36:13


Nem sempre serei para mim o melhor conselho
quantas bastas vezes sou algo de sozinho
não me encontrando sei que me olho no espelho
mas que razão me assiste se nem sei se há caminho?

Mas é aí que me estudo no discreto desenho
entre o vidro oblíquo e o que me está mais vizinho.
Porque por essa altura vai-se todo o desdenho
e eis quando me fica o que almejei: o secreto amigo.

E é para ele daí em diante eis todo o meu esforço
quando me procura expõe-me seus medos e o obscuro
e é então que lhe digo: é preciso saltar o muro!

Ir daqui para o outro lado, onde está o conforto
que diga-se é lá que está o novo mundo
que fará do inseguro ir buscar a si o mais profundo.

Jorge Humberto
31/05/15

?Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia?.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=293874

SALVAR PARA SALVAGUARDAR VIDAS! - 25Mar2019 15:36:13



Ah, sabem vocês, aquele prazer de um dever cumprido
de ter-se lutado com afinco, bem além de nós
aqui; e a sensação final, para lá do prometido
principio sem retorno, ser apenas através da própria voz?

De vermos chegar a acordo o estabelecido
o que nos foi por jura, tendo de antemão o não ficarmos sós,
porque ademais do que é viver-se como que perdido
é não vermos quem somos , se formos realmente nós?

Neste momento, onde cada um tudo deu
pelo bem-estar destas duas lindas pessoas, que se renderam
e puseram nas mãos, de seus amigos, o que era seu:

Há uma felicidade indiscritível em mim, guardada no coração.
E quando me entristecer, quem ousar nunca esqueceram
o que jamais poderá ser olvidado - tamanha a convicção.

Jorge Humberto
24/05/15

?Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia?.









Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=293759

AMIZADE, NÃO FINGE NEM MENTE - 25Mar2019 15:36:13


Nada há de mais nobre do que ter e manter
uma amizade, que de perdurar irá perdurar
por todo o sempre ? uma vontade que tem querer
maior que um querer-bem, a se mostrar.

Nunca, numa amizade, a verdade poderá reverter
para outra cosa qualquer - com certeza invulgar
senão para aquilo que nasceu e aprendeu a crescer
ao se ajuntarem duas pessoas, ambas a se ladear.

Se houver, dos dois um que faça jura, a mentir
seu fado sempre será a pesada consciência
o que fará dessa pessoa como que um vidro a se partir

quando, perante outro alguém, se puser a sorrir.
É que o que um disser ao outro é permanência
a durar, quando um dia a amizade se ajuntou a se unir.

Jorge Humberto
12/05/15


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=292995

NOITES SEM DORMIR - 25Mar2019 15:36:13


No meu acordar-me, todo eu sou fatalismo.
Não durmo: constante consciência
de mim próprio, no sonho com que
me guio, na pressa de acordar. Mas um novo pesadelo,

Que vai do que aqui se finge, no dormir, para o
que sabe bem reconhecer o aceno cénico,
é que vem o prelúdio, onde tudo se torna numa repetição
visceral : quase como que num déjà-vu sistémico.

E a cada noite, acabada de chegar, são as cobertas
com que me tapo, o suplício e o pânico
permanente, onde se me revelam todos os fantasmas,
que são estes semimortos, em completa decomposição.

E o suor nocturno, principio activo, do que se sofre por
antecipação, num movimento rápido e impulsivo de meus olhos,
num sono que é só de temor, é que me deixa adivinhar
uma nova noite, de silêncios a se quebrarem.

Então acendo cigarros atrás de cigarros, tentando
expulsar, pelo fumo, os cadáveres sedentos de mim.
E quando o sossego, é só um cansaço no corpo,
entrego-me à displicência, de um sono, que não quer ter sono.

Por isso, eu digo: de quem as faces, que não mais reconheço?
- Lembro-me vagamente: e foram trinta anos, só de vício -.
Então, o que me falha? Quando de mim for a entregar
o novo homem, que de ora em diante me veste, cabeça aos pés?

Jorge Humberto
11/05/15















Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=292855

O FILHO DE SUA MÃE - 25Mar2019 15:36:13

Nasceste menina, em tempos de dificuldade,
segunda filha, a que depois se juntaram mais quatro,
seis meninas, todas elas mães, por afinidade,
e tu, que és a minha, de feição, foi-te o parto.

Na pressa de crescer, por pura necessidade,
fizeste-te mulher, antes de o ser: fiel retrato
de um Portugal, que nem tinha tempo nem idade
para ver suas crianças crescer: real desiderato.

E, hoje, que se cumpre, mais um dia, desse alguém,
jamais esqueço, a imensíssima mulher,
que sempre foste pra mim: aqui, ali e inda mais além:

gritando pelo meu nome, que te soava tão bem,
e que por ti fora escolhido, como tudo o que bem quer:
aquela, a mulher ? e inteiramente, Mãe.

Jorge Humberto
03/05/15


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=292853

UMA PROSA ALENTEJANA! - 25Mar2019 15:36:13


E é no mais raso do chão que verdeja o verde da erva, que se aquece
ao sol, quando a vedes a perder de vista, por entre reconhecidas planícies
e por entre estames de flores fugidias, aqui e ali subindo e descendo, alguns declives.
Mais lá para o fundo, algumas folhas teimam, em riachos escondidos, por entre as
sombras das árvores, em armar vela, imitando barquinhos de verdade, tendo
como marujos algumas rãs, barulhentas e ainda mais para o desafinado,
aquele seu som tão característico, que delas ecoa e perdura, pelas campinas.
Porém, se buscardes o silêncio, deixando que os sons se vão distinguindo, vede que,
no cimo das poucas árvores, há cantos distintos, que nos maravilham, a cada fechar de
olhos, para ouvir melhor o cantar alegre dos verdelhões, pardais e pintassilgos, e um pouco mais, para dentro dos galhos, as cigarras que encantam, no seu canto repetitivo e
adoravelmente bem conhecido, quanto mais longe de tudo, que as cidades tendem a roubar aos campos.
E como aonde há riachos e rios, há lezírias encantadas, em fôlegos repentinos, de névoa e orvalhada, vindas detrás de amendoados arbustos - e alguns caniçais, é no levantar-se do sol (ainda apenas miragens, enganando a quem repara), que ainda assim breve se vai assomando,
a imagem, com resquícios de algo, que vem veloz, e eis vão surgindo, ante nossos olhos, negros cascos no galope, de negros cavalos lusitanos, levando e deixando, por onde passam,
numa insubordinação colectiva, mas onde a hierarquia é quem mais ordena, o que a liberdade passando já passou e segue alegre, adiante no correr dos terrenos marginais, daqueles tão
nossos e tão portugueses, riachos alentejanos.
Em cada casa, caiada de branco e de azul, com suas chaminés altaneiras, há heras nas paredes, por entre múltiplos e coloridos vasos, e outras peças côncavas, onde bem ordenadas
se compõem as flores, trazendo adivinhações aos chás, das tardes sem par, que passam bem devagar, até que caia a noite, onde cada um pode sorver, soprando a brisa quente, a aproximação do pôr-do-sol, que vai desenhando silhuetas e promovendo conjecturas, nos chãos de terra batida. Tudo aqui tem seu tempo: o tempo para cuidar dos animais, das terras, levar e trazer a água, aos mais sequiosos; tempo onde tudo se aproveita, até uma bela sesta,
depois do almoço tardio, aqui por estas bandas. E quando a noite cai, recolhem a casa as
pessoas (guardados os animais) e põe-se o caldo ao lume, da lareira de pedra enegrecida,
com umas couves e umas batatas, enquanto se depõem, por sobre a mesa, os enchidos de
carne, o pão caseiro e o jarro de vinho tinto, enquanto perpassam pelos olhos, mais um dia
que ficou lá atrás. Faz-se tarde na lezíria; escutam-se os grilos lá fora, e com os meninos
já deitados, depois dos estudos feitos, desligam-se as luzes do tecto, apaga-se a fornalha, e,
o casal amigo, algures numa casa isolada, no meio da planície alentejana, prepara-se para
se deitar, por entre colchas de bordados, correndo as bambinelas, para que as sombras tragam
o descanso e os segredos, próprios de quem vive em plenitude e feliz, com o que tem,
das conquistas de uma vida, preservada e vivida por meio à natureza.

Jorge Humberto
01/05/15







Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=292311