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Marcos Loures

TRAÇOS DE LUZ - 25Mar2019 15:51:08
TRAÇOS DE LUZ

Traços de luz dourando o amanhecer
Permitem que se tenha esta visão
Do quanto poderia em procissão
O mundo a cada dia renascer,

E sinto no provável novo ser
As horas que deveras mostrarão
Quem sabe novo rumo ou direção
Depois de tanta dor a entorpecer,

Espúrias madrugadas, noites vãs
Agora ao me perder nestas manhãs
Expondo o que melhor existe ainda

E tanto se percebe insanidade,
Que quando a luz imensa a terra invade,
Nem mesmo a poesia em mim deslinda...

MARCOS LOURES

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=223340

QUALQUER BENESSE - 25Mar2019 15:51:08
QUALQUER BENESSE

Num triunfo divino feito em glória
Jazendo dentro em mim velha mortalha
A sorte muitas vezes não batalha
Sabendo da verdade sempre inglória

E tanto poderia ter vitória
Quem sabe e se perdendo nada valha
Sequer o mesmo corte não espalha
A fúria que é decerto merencória.

Resisto ao não saber do quanto trama
A vida em dolorosa e forte chama
Na ardência contumaz de quem se conhece

A morte bem de perto e não se cala,
Uma alma não se mostra assim vassala
E busca mesmo em vão qualquer benesse.

MARCOS LOURES

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=223338

IMAGENS DO PASSADO - 25Mar2019 15:51:08
IMAGENS DO PASSADO

Imagens dissolutas do passado,
Medonhas faces dizem o não ser,
E quando pude enfim te conhecer
O mundo novamente iluminado.

Residuais tormentos, duro enfado,
E tudo o que se poder agora ver
Permite tão somente este prazer
Enquanto amor me dá o seu recado,

E sei ser mais feliz enquanto pude
Viver com tal beleza a juventude
E agora agrisalhado pela vida,

Ainda permaneço junto a ti,
E sei de cada gota que sorvi
Por deuses e alquimistas sendo urdida...

MARCOS LOURES

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=223336

ENVOLTA EM TUAS TRAMAS - 25Mar2019 15:51:08
ENVOLTA EM TUAS TRAMAS

Relembro do começo deste amor
Envolta em tuas tramas, desejosa,
E quanto a poesia ainda goza
De um mundo com certeza sedutor

Soergue-se a visão de um refletor
Tornando nossa senda vigorosa
E sei que sendo assim, vitoriosa
Estendo as minhas mãos em teu louvor,

Descemos cachoeira, mesma foz,
E quando desembocas mais atroz
Estrondos delirantes, meus prazeres,

E assim ao demonstrares teus poderes
Dois corpos irmanados, nossos seres
Num ato tão gostoso quão feroz.

VALMAR LOUMANN

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=212660

ESPERANÇA - 25Mar2019 15:51:08


Não tenho e nem tivesse o que se queira
Vencendo a sorte atroz e malfadada,
A luta quando traça a desgraçada
Vontade que sonegue a companheira,

Versando sem saber qualquer bandeira
A morte no vazio, desolada,
O canto se aproxima desta estrada
Declínio se anuncia em tal ladeira,

O preço se resume no que possa
Viver sabendo já da rude troça
Que endossa a solidão de quem procura

Vencer a tempestade mais cruel
Ousando derramar no fogaréu
O tanto que tivera em amargura.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=187613

AUTO - ANÁLISE - 25Mar2019 15:51:08

A ?nova poesia? me venceu,
Confesso ter vergonha dos meus versos
Ultrapassados, mortos e dispersos.
Agora num mergulho ao perigeu.

A métrica, o rimar; tudo morreu.
Deveras são atrozes e perversos;
Jogando esta toalha, vão submersos
Ao céu inutilmente exposto ao breu.

E faço do meu canto, ensimesmado,
Bem escondido e mesmo envergonhado
Uma eremita apenas, onde eu possa

Traçar sem ser exposto ao riso irônico,
E sigo neste passo catatônico,
Rumando sem defesas para a fossa.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=182207

TROVEJANDO 2 - 25Mar2019 15:51:08

545
Eu nasci naquela serra
Nos olhares desta lua
O meu peito sempre encerra
Esta deusa bela e nua...

546


Solidão aqui por perto
Esta vontade de chorar
O meu peito sempre aberto
Nunca mais vai se fechar

547

Vejo a vida neste espelho
Cada ruga é um presente,
Cada traço outro conselho,
Do futuro vou descrente

548

Rasos d?água olhos tão tristes
Procurando por um bem
Eu bem sei que tu resistes
E por isso, sem ninguém


549

Versos faço sem medidas
Não me canso de cantar
Ilusões se estão perdidas
Por meu Deus quero encontrar


550

Fardo pesado carrego
A saudade dolorida
Tanto amor Jamais eu nego
É negar a própria vida...

551

Tua boca framboesa
Cada lábio carmesim,
Teu amor uma riqueza
Rara flor do meu jardim.


552

Faço o canto que quiseres
Em trovinha ou em soneto,
Mas decerto se vieres
Tanto amor eu te prometo.



553


Meu amor uma andorinha
Que a saudade maltratou
Se sonhei que eras tão minha
O meu sonho se arribou


554


Vejo a luz desta saudade
Pela luz dos olhos teus
Para haver felicidade
Tua luz nos olhos meus...

555


Sou apenas um cantor
Que se fez apaixonado
Ao luar um trovador
Canta o amor, inebriado...


556

Trovador que não se cansa
De cantar quem tanto quer
Poesia sempre alcança
Nos teus braços de mulher

557


Minha vida não tem preço
Tanto apreço a vida tem
Cada dia num tropeço
A saudade sempre vem..


558

Bebo a fonte da saudade
Nos teus beijos minha amada,
Não saber felicidade
Nesta vida é não ter nada...


559

Ouço a voz de uma esperança
Canta livre passarinho,
Mas o tempo sempre avança
E me encontra tão sozinho...


560

A saudade é matadeira
Pra matar esta saudade
Eu procuro a noite inteira
Sem ter lua, a claridade


561


Quero o beijo mais garboso
Da morena mais faceira
Coração tão curioso
Não quer mais marcar bobeira


562

Cavaleiro em lua cheia
Esperança em seu alforje
Quando a noite se incendeia
O dragão; mata São Jorge.

563

Coração faz melodia
Com espanto de quem teima
Teu amor em noite fria
Esquentando até que queima.

564






Fazer trovas já me traz
Alegrias e tristezas
Tanto amor não foi capaz
De vencer as correntezas.


565


Bebo a sorte de quem teve
Alegria invés de dor
A minha alma se conteve
Ao sentir um grande amor


566

Navegante sem cuidado
Naufragando antes do cais,
Meu amor sempre ao meu lado
Não te esqueço nunca mais

567


Beijo a fronte delicada
Desta moça tão faceira
A minha alma apaixonada,
Ilusão tão verdadeira.


568


Quero o sal da tua pele
Teu suor, o meu desejo
Teu amor já me compele
Ao destino que ora almejo


569


Medo tenho do futuro
Isso não é novidade,
Sendo claro ou sendo escuro
Busco sempre a liberdade


570


Tantas vezes te queria
Mas jamais tu me quiseste
Pois arar em terra fria
Na colheita não vieste.


571


Vejo a lua e te imagino
Claramente nos meus braços,
Deste sonho de menino
Nosso amor estreita os laços


572



Se das penas tu tens pena
Já de mim nada tu tens,
Sedas plenas, bela cena,
Mas deveras já não vens...


573



Bebo a sorte traiçoeira
Que tragaste por engano,
Meu amor sabe a poeira
Mas decora um novo plano.

574

Talvez veja com teus olhos
Os meus olhos junto aos teus
Num caminho feito abrolhos
Só restando o teu adeus...

575


Alecrim que eu encontrei
Nas campinas das Gerais,
Meu amor eu te entreguei
Mas não me queres jamais....


576

A morena tem seu quê
De carinho e sedução
Vem correndo e logo vê
Que é só seu meu coração.

577

Laço firme tu me destes
E deveras me prendeu
Esperanças que me vestes
Deste amor ser todo meu.

578


Não queria esta verdade
Nem tampouco uma mentira
Meu amor tanta saudade
Nos teus braços já me atira


579


Quero ver se não pudesse
Compreender meu sentimento
Te faria reza e prece
Não te deixo um só momento


580

Vento frio, madrugada
Meu amor já não está
Pela rua, na calçada
Meu amor onde andará?

581

Tanto tempo sem te ver
Tanto quis e nada tenho
Meu amor o teu prazer
Nos meus sonhos não contenho.


582


Poesia fiz contente
Para quem amo demais
Meu amor se fez urgente
Nos teus braços fez seu cais


583

Veio vindo de mansinho
E tomando toda a sala
Coração de passarinho,
Quando vê quem ama, cala..

584


Estrelinhas lá no céu
Vão dizendo de quem amo
Nosso amor em seu papel,
Com certeza o bem que clamo...


585


Tanto quero o teu querer
E não queres meu amor
Sem te ter cadê prazer?
Só restando frio e dor.

586

Passarinho quando canta
Com saudade do seu ninho
Minha voz já se levanta
Já não vou cantar sozinho


587


Beijo a boca da morena
Mas a loura é quem me quer
Meu amor já não tem pena
Faz de mim o que quiser


588


Labaredas do desejo
Se espalhando pela casa
Cada vez que, amor te vejo
Aumentando mais a brasa.

589


Dedilhando na viola
Serenata fiz por ela
A minha alma já decola
Pega o barco, abrindo a vela...

590

Este pobre trovador
Coração analfabeto
Na matéria de um amor
Bobeando locupleto.

591

Tantas vezes quis teu nome
Escrever em poesia
Quando a lua ao longe some
É sinal de novo dia.

592

Lago plácido sonhei
Para poder mergulhar
Nos teus braços eu fui rei
Coração fez coroar.

593

Não persigo quem me odeia
Nem tampouco quem maltrata
No sertão a lua cheia
Se derrama sobre a mata.

594

Trovador que não se cansa
De fazer trovas e rimas
Vai mantendo esta esperança
Mesmo se mudarem climas.


595

Vento bom que me alivia
Quando faz muito calor,
Mas se a noite é muito fria
No teu braço, aquecedor.

596


Calma, calma minha gente
Uma noite não é nada
Mas com esta dor de dente
Penetrando a madrugada?

597

Tanto tempo procurando
Por alguém que não me quis
Meu amor me torturando
Nunca mais serei feliz.


598
Se eu pudesse te daria
Um palácio, mas cadê?
Tão enorme fantasia
Pruma casa de sapê


599


Vejo a luz dos olhos teus
Clareando a noite escura
Não encontro mais os breus
Se a minha alma te procura.


600


Levo a vida deste jeito
Cada qual sabe o que faz
Vou vivendo satisfeito
Teu amor me trouxe paz

601

Sinto o vento no meu rosto,
Uma brisa te chamando
O meu peito agora exposto
Se entregando ao vento brando.


602


A verdade não engana
Quem deseja ter um bem
Minha sorte soberana
Procurando sempre alguém.

603

Tenho os olhos já cansados
De chorar por quem partiu,
Dias tristes, descorados,
Por que amor se fez tão vil?

604

São palavras simplesmente
Não traduzem o que sentes,
Meu amor feito demente
Não sabendo que tu mentes.

605

Neste beco sem saída
Nada faço senão ir
Procurar a minha vida
Noutros tempos, no porvir...

606


Caso venha sem vontade
É melhor ficar de fora,
Meu amor tanta saudade
se não mato, me devora.


607


Tenho os olhos já cansados
De tentar felicidade,
Noutros mares mergulhados
Só marulho é que inda invade.

608


No que posso te contar
Uma estrela matutina
Com saudades do luar
Tanto brilha e até fascina.

609


Não me venha com mentiras
Nem tampouco me iludindo
O amor feito sem tiras
Nem retalhos se faz lindo.

609


Coração de navegante
Timoneiro busca o cais,
Mas seguindo sempre avante
Teu amor não vejo mais.

610


Quando o galo à noite canta
Despertando quem dormia,
De manhã já se levanta
Depenado na bacia...

611

Jacaré virando presa
Se o riacho tem piranha
Vai servir de sobremesa
Pois multidão sempre ganha...


612

Se esta boca fosse minha
Não cansava de beijar
Meu amor não adivinha
Quanto quero tanto amar...

613


Esperança vem chegando
De mansinho, devagar
Meu amor, mas até quando
Eu terei que te esperar

614

Nada além do que pensava
Coração de um violeiro
Que decerto já buscava
Teu amor, o tempo inteiro

615

Vivo sempre perguntando
Como posso ser feliz
A tristeza me tomando
Vou vivendo por um triz

616

Eu sou como um passarinho
Com vontade de voar
Mais distante do meu ninho
Sem ter ninho onde pousar.

617

A saudade, uma gaiola
Que me prende e me maltrata,
No ponteio da viola
Liberdade é serenata...


618

Vou buscando uma alegria
Onde um dia quis amor
Muito embora a fantasia
Só provoque imensa dor.

619

Nos meus olhos rasos d?água
A tristeza é tão presente
A saudade em mim deságua
Novo amor se faz urgente

620

Peço a Deus por um momento
Em que possa me alegrar
Vai girando o pensamento
Carrossel não quer parar...

621

No cansaço desta noite
Alvorada não me quis
Se a saudade é como açoite
Como posso ser feliz?

622

Tenho tanto que aprender
E tão pouco pra ensinar
Aprendendo a te prazer
Nas veredas deste amar...

623


Coração tão vagabundo
Não se cansa de sonhar,
Nos teus braços me aprofundo
Nos teus sonhos mergulhar.



624

Sorte tem quem a procura
Não me canso de dizer
Quando a noite é mais escura
Tua luz me dá prazer.



625

Doce canto, o passarinho
Com beleza quer parceira
Com você fazendo o ninho
Vou brincar a noite inteira.

626

Repentista e violeiro
Um eterno sonhador
O meu peito é mensageiro
Das loucuras de um amor.

627

A trovinha é tão singela
Coração jamais se cansa
De pensar somente nela
Ser feliz, uma esperança...

628

A paixão tem tantas faces
Que não posso mais contar,
Nos teus olhos os disfarces
Não aprendo a decifrar.

629

Vejo a lua iluminando
Meus caminhos pela vida,
De tristezas vou lembrando
Esta noite em despedida.

630

Risco o nome de quem amo
Trago os dedos machucados,
Da saudade não reclamo
Já conheço antigos fados...


631

Sorte tem quem a procura
Não me canso de dizer
Quando a noite é mais escura
Tua luz me dá prazer.


632



Pele com pele dá certo
Alegrias sem limites
O meu mundo segue aberto
Só te peço que acredites.

633


Tanto tempo nesta espera
E ninguém fala meu nome,
Quando penso em primavera
Roseiral, morrendo some...

634

A tristeza é companheira
Minha amiga inseparável
A parceira derradeira
Desencanto interminável.

635

Roda, roda a sorte gira
E não pára de girar.
Teu amor uma mentira
Que aprendi a decifrar.

636

Nada tenho de alegria
Meu prazer já foi embora,
E somente a noite fria
No meu peito se demora.

637

Vai chovendo de fininho,
Tanto barro nesta estrada
Teu amor já sem carinho
Na verdade não diz nada...


638


Rosas trago em meu jardim,
Amarelas e vermelhas
Coração traz dentro em mim
Deste amor, belas centelhas.


639


Lavo os olhos na saudade
Do meu bem que não me quis
A tristeza agora invade
Nunca mais serei feliz

640

Trago os olhos já cansados
De chorar por quem não quis
Os meus beijos vão calados
Coração bate infeliz...

641

As palavras que disseste
Me trouxeram tanta mágoa
Neste solo tão agreste
Esperança não deságua...

642

Trago a marca do abandono
Cicatrizes dentro da alma,
Já perdendo amor e sono
Nem o canto mais me acalma...

643

Ergo os olhos e procuro
Quem outrora quis tão bem
Mas o céu estando escuro
Não me mostra mais ninguém.

644

Barco ao léu, o mar carrega
Sem destino cadê porto?
A minha alma andando cega
Peito sem amor, já morto...

645


Trovejante coração
Faz das suas e me engana
Outros dias sofrerão
Esta sorte desumana



646

Tanto quero que não sei
Se o querer faz bem ou mal,
Meu amor eu encontrei
Noutros bailes, carnaval.


647


A vovó tá bem surdinha
Nada escuta, minha gente
Tá careca e banguelinha
Só não tem mais dor de dente.


648


Lambisgóia de uma figa
Mercenária e vagabunda
Se quiser pensão tem briga
Tem tapão na sua bunda.


649

Beijo o sonho que me deste
Como fosse um bom presente
Desde o dia em que vieste
O final, alma pressente...

650

Bebo gotas deste orvalho,
Já não posso mais sonhar,
Meu amor o meu trabalho
Não me deixa descansar...

651

Risos falsos, fantasias
A que resta, a do palhaço,
Procurando as alegrias
Não encontro nem pedaço.

652

Tempo escorre em minhas mãos,
Sorte foge dos meus dedos,
Os meus cantos sempre vãos
Aumentando cedo os medos.

653

Eu te trago uma mensagem
De quem tanto quis teu bem,
Trago sempre na bagagem
A saudade deste alguém...


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=181783

REDONDILHANDO - 25Mar2019 15:51:08
1

Quem jamais não poderia
Enfrentar os desafetos
Sabe os tons de um novo dia
Entre os rumos prediletos,
E se tente em poesia
Realçar os mais completos
Sonhos; tenta em harmonia
Bons momentos, mas discretos.
Cavalgasse vida afora
Nas tramóias da ilusão,
Quando o tempo desarvora
Em temida confusão,
No meu peito então aflora
A mais clara confissão.

2

Nada mesmo do que eu tente
Demonstrando com carinho
Traz no olhar imprevidente
O cenário onde me alinho,
O prenúncio, de repente,
Do que possa em tal ninho
Encontrara quem alente
Ou o canto mais mesquinho.
Ouso crer mesmo não tendo
Quem pudera ter nas mãos,
Muito além que tal remendo
Tempos duros, frios, vãos
Espalhando e após colhendo
Resultados desses grãos.

3


Quantas vezes eu professo
Nesta forja o meu futuro,
E se possa e até confesso
Ter no olhar o mais seguro
Garantindo o meu regresso
Sem saber de algum apuro,
Desenhando sem progresso
O momento onde perduro.
Partilhando do que tanto
Desejara e não viera,
O meu sonho eu mal garanto
Espalhando esta insincera
Solidão aonde o pranto
Abre em nós nova cratera.

4

Não mergulho nos meus ermos
Nem tampouco em tais entranhas
Onde tanto por não termos
Nada mais eu tenho ou ganhas,
A verdade é que ao podermos
Explorar novas montanhas
O que possa ao já perdermos
Desolasse nossas sanhas.
Entoando o que inda resta
Da canção que não cerzira,
Traz a vida enquanto infesta
Traz a morte e nos retira,
Sensação de simples festa,
Noutro passo em rude mira.

5

Nada mais pudesse ter
E tampouco o desejasse
Verdade reconhecer
E saber do desenlace
Onde possa alvorecer
Mesmo quando ora nublasse
A vontade de viver,
Ultrapassa algum impasse.
Nada vejo e me permito
Entre sonhos, num instante
Desenhar além do mito
O que possa e nos garante
Um lugar neste infinito
Caminhar que se adiante.

6

Adianto cada passo
Rumo ao porto onde teria
Muito mais que me cansaço
O momento em poesia,
E se possa noutro traço
Viver em plena harmonia
Onde o tempo mesmo escasso
Novo sol me mostraria.
Vendo assim o desafeto
Num cultivo mais audaz,
O meu mundo ora completo
Nos anseios desta paz,
E se tanto me repleto
Novo encanto satisfaz.

7

Jogo os olhos no horizonte
Vivo além do que se sinta
O meu canto sempre aponte
Para a sorte nunca extinta,
Vejo o quanto já desponte
A emoção onde não minta
Quem pudesse noutra fonte
Desejar a luz distinta.
Represando o meu anseio
E contendo em tal barragem
O meu mundo em devaneio
Perfazendo outra viagem
Onde tanto o que ora veio
Traz no amor sua bagagem.

8

Nada mais pudesse ver
Ou tampouco presumir
Nos caminhos do prazer
Tanta coisa a permitir
O que possa recolher
Ou deveras repartir,
Num suave amanhecer
Revelando o que há de vir.
Relutar? É necessário,
Mas o tempo nunca cessa
E o que fora itinerário
Fica apenas na promessa,
O meu mundo, torpe e vário
Sem esperas recomeça.

9

Lavo os olhos na saudade
De quem tanto quis um dia,
O meu canto em realidade
Mata a sorte em ironia,
O que possa e se degrade
Noutro tom ora jazia,
E cerzindo esta verdade
Morro ou vivo em agonia.
Ouso crer no que se tente
Tento crer no que eu ousasse
O meu mundo onde aparente
O sorriso em clara face
Tantas vezes descontente
Nem o sonho suportasse.

10

Nas palavras mais doridas
Ou sinceras esperanças
Entranhando nossas vidas
Onde tanto além avanças
Encontrar nas despedidas
O sorriso das crianças
E traçar antes perdidas
Nalgum canto tais lembranças;
Versejando ou mesmo até
Desenhando com meu sonho
O que possa ? imensa fé ?
Ou num dia mais bisonho
Permitir só por quem é
O ponteio que componho.

11

Navegar entre os rochedos
E buscar um manso porto
Conhecer tantos segredos
Renegar qualquer aborto,
Entre sonhos, ermos, ledos
O meu passo segue torto,
E se possa em desenredos,
Presumir o encanto morto.
Nada mais pudesse quando
Outro tempo se anuncia
O meu mundo desabando
Onde o tanto poderia
Transformar em novo bando
A verdade em alegria.

12

Nada mais se vendo após
O que tanto acreditara
Esperança feita algoz
Tantas vezes maltratara
E o que sentisse entre prós
Noutro tom gerando a apara
Corta rente e nega em nós
O que possa e se prepara.
O vencido sonhador
Já não tendo onde encontrar
O que possa em desamor
Tão somente constatar
Sem o brilho redentor
De quem traz um manso olhar.

13

Nada mais se poderia
Nos anseios mais doridos
E se tento alegoria
Dias torpes e perdidos.
Os meus olhos, a harmonia,
Os cenários divididos
E a palavra não traria
Nem sequer mansos sentidos,
Ousaria ter nas mãos
O futuro que não vem,
Entre as horas, mesmos nãos
E prossigo em tal desdém,
Envolvido pelos vãos
Sem saber de mais ninguém.

14

Nada mais pudesse ter
Quem deseja a calmaria
O meu mundo a se perder
Mais um pouco, a cada dia,
O cenário a se verter
Tanta coisa poderia
E no rumo sem saber
O que tanto restaria,
Vejo o olhar de quem se dera
Muito mais do que tentasse
Ao seguir em louca espera
Novo tempo não repasse
A verdade tão sincera
Que jamais se duvidasse.

15

Nada peço, mas prossigo
E provoco a derrocada
O meu tempo em desabrigo
Sem destino a velha estrada,
O caminho diz perigo,
Minha noite atocaiada,
Porém mesmo assim prossigo
Bebo o sonho da alvorada.
Nada mais pudesse ter
Quem tentasse nova luz,
O meu canto a se perder
Onde encanto não produz,
E se tanto pude ver
Num recanto a minha cruz.

16


Jorram dores entre fartos
Delirares, solidão,
Os momentos sem os partos
As sangrias pelo chão,
Os pedaços nestes quartos
Morte em doce redenção.

O meu canto não se ouvira
Nem tampouco esta tortura,
O que possa e se retira
Traz no olhar rude procura,
E o que vejo dita a mira,
Mesmo em noite mais escura.

Escusado é te dizer
Vejo enfim, algum prazer.

17

Não perdendo qualquer sonho
Ou morrendo noutro passo,
O que possa e decomponho
Traz a marca do cansaço
E se sinto este enfadonho
Delirar por onde traço
O meu mundo mais bisonho
Envolvido por tal laço.
Nada mais pudera ter
Quem se fez bem mais potente
O meu verso a se perder
Onde o tanto num repente
Traz no olhar o bem viver
Ou decerto ainda tente.

18

Busco as tramas do passado
E desenho em bruscas formas
O que possa lado a lado
Em alado tom transformas,
E se eu sigo ou se me evado,
Outros passos, novas normas,
Do desenho demonstrado
Não se vejam mais reformas,
Ouso mesmo acreditar
No que pude e não tivera
A vontade a demarcar
O que trame em dura esfera,
O meu canto a destrinchar
Nem saudade ainda espera.

19

Nada mais pudesse ver
Quem se fez em claro sol,
O meu mundo a se perder
Toma inteiro este arrebol,
O caminho amanhecer
E se eu sigo, girassol,
Nos teus olhos conceber
Maravilhas de um farol
Ouso crer na luz que tanto
Possa mesmo nos guiar
E se teimo em raro canto,
Não pudesse navegar
Entre os ermos, já me espanto
E me canso de lutar.

20

Nada mais pudesse quem
Entre os medos costumeiros
Ao traçar o que inda tem
Busca sonhos derradeiros,
O meu mundo sem desdém
Anuncia em teus canteiros
O carinho que o detém
Muito além de corriqueiros,
Quero a boca mais suave
O cenário sem entrave
Ave solta, liberdade,
E se bebo com fartura
Deste amor que me assegura
Envolvido em claridade.

21

Nada mais pudesse quando
O meu tempo se fez rude,
O tormento desaguando
Na esperança, mero açude,
O cenário desabando
O momento que me ilude,
Onde possa em claro bando
Ter no olhar tal plenitude.
Versejando sobre o tanto
Que se fez felicidade
Onde o mundo eu mal garanto
Não teria na verdade
Nada mais do que este pranto
Que denigre a luz que invade.

22

Aprendendo a dizer não
Quanta vez eu me maltrato
Desta louca sensação
Outro tempo, atroz e ingrato,
Encontrando a dimensão
Do que possa em roto prato
Envolvendo o coração
No que tento e não constato.
Ao sentir o vento manso
O que possa traduzir
No meu canto quando avanço
Novo dia a resumir
O que tanto quero e alcanço
Ou pudera consumir.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=181768

TROVEJANDO 1 - 25Mar2019 15:51:08
1

Coração mineiro trem
Na esperança outro vagão
Onde outrora quis meu bem
Renascendo esta emoção.

2

A palavra se cultiva
Com o arado do desejo
E se possa em sempre-viva
Meu caminho traz teu beijo;

3

No rosal em esperança
Aprendi a ser sozinho
O meu verso agora avança
Sem temer qualquer espinho.

4

Apresento com tal fato
O que pude desvendar
E se tanto amor; constato
Fosse meu todo o luar.

5

Quero mais que a liberdade
Ser cativo de teu bem,
O meu sonho sempre invade
O que tanto o peito tem.

6

Esperando após o verso
Outro tanto que reflita
O meu mundo antes perverso
Transformando esta desdita.

7

Apresento o coração
De quem sendo aventureiro
Sabe inteira a dimensão
Deste amor mais verdadeiro.

8

Nada mais pudesse ver
Quem se fez além do todo,
O diverso amanhecer
Renegando algum engodo.

9

A saudade diz do tanto
Que busquei no meu passado
E decerto mo que garanto
Traz no sonho o seu recado.

10

Aprendendo desde cedo
O que busco sem temores,
Onde possa em tal segredo
Desvendar tantos amores.

11

Nada mais se visse enquanto
O meu prazo determina
Coração em puro encanto
Traz no sonho a clara mina.

12

Outro tempo se anuncia
Onde o mundo diz que não
A verdade propicia
Novo tempo e direção.

13

Quantas vezes eu já quis
Pelo menos calmaria,
Mas agora sou feliz
Te encontrando todo dia.

14

Versos sonhos, liberdade
Ouso mesmo acreditar
No que possa e tanto agrade
Quem conhece o bem de amar.

15

Na verdade o que tenta
É mostrar alguma luz,
A palavra que atormenta
Muitas vezes nos conduz.

16

Navegando contra a fúria
Destas ondas no oceano,
Deste amor feito em penúria
Tão somente o mesmo engano.

17

Vejo o olhar de quem mais quis
Noutro rumo se perdendo,
E se possa por um triz
Esta estrada não desvendo.

18

A palavra mais suave
O momento aonde é breve
O que tanto não entrave
O meu passo onde me leve.

19

Negaria qualquer sorte
De quem fora mais audaz,
Já não quero minha morte.
Quero a vida em plena paz.

20

Nas estradas, violeiro
Nas violas, serenatas
Eu me entrego por inteiro
E por isso me maltratas...


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=181638

O QUE NÃO QUERO - 25Mar2019 15:51:08
11

Nesta estrada mais comprida
Tantas vezes capotando
Trouxe o mundo menos brando
Sem saber qual a saída,
Esperança dividida
Dia a dia me rondando
O cenário desabando
Entremeia a despedida.
Nada mais pudera ser
Onde tanto parecer
Espreitasse uma razão
A verdade não se cala
Enfrentando fogo e bala,
Na incerteza em provisão.

12

Onde o tempo faz sentido
E se mostra mais atroz
No caminho dividido
Entre o nunca e o logo após
O momento presumido
A versão dura e feroz,
Engolindo o resumido
Desvendar ora sem voz,
Nas tramóias da esperança
Esperneio, mas não posso
No tormento onde se lança
O que fora outrora nosso,
Na verdade quando cansa
Faz da vida este destroço.

13


Jogo feito; a vida marca
A ferro e a fogo tão somente
Destruindo a velha barca
Que levasse o que se sente
Onde o tempo não abarca
Onde a rota imprevidente,
Mas a morte quando embarca
Mostra o tom impertinente
De quem sabe o que deseja
E jamais descansaria
Até vencer esta peleja
Tão medonha a cada dia,
E se esboça o que não seja
Nem sequer mais fantasia.

14

Nas picadas do caminho,
Cada curva novo atalho,
E se sigo mais sozinho
O meu canto tento e espalho,
Na verdade o mais daninho
Traz o verso aonde talho
Com temor e me avizinho
Do que tanto agora falho.
Esperava melhor sorte
E talvez um claro dia,
A palavra não conforte
Quem pudera em fantasia
Conviver com o seu corte
Onde o nada serviria.

15

Abandono esta morada
E procuro uma estalagem
Onde o tanto além do nada
Desenhando esta miragem,
A verdade desfraldada
Arrebenta esta barragem
E a versão já desenhada
Expressando em molecagem
O meu mundo em tal fastio
O meu rio mais profundo
E se possa em desafio
Noutro tom diverso inundo
O que tanto em sonho adio
E o meu canto é ledo, imundo.

16

Mas amores que encontrei
Entre tantas heresias
Dominando em dura lei
O que às vezes me trarias,
Nos teus braços mergulhei
Envolvendo em poesias
O que agora procurei
E decerto não me guias,
Entre as noites mais escuras
Entre os sonhos mais audazes
O que possa e não perduras,
Outros dias tu me trazes,
Mas bem sei que tais loucuras
São deveras curtas fases.

17

Não importa quem se vendo
Noutro tom diverso e rude,
O meu mundo em dividendo
Vem trazendo o quanto pude
E se possa no remendo
Desenhar o que me ilude,
Verso sobre o que pretendo
Mesmo quando o passo mude,
Nada mais se faz além
Do que tanto mergulhara,
O meu mundo sem ninguém
No vazio da seara
Tantas vezes já contém
O que em medo desampara.

18

Desta história feita em luta
Do momento mais venal,
O caminho em força bruta
O cenário desigual
A verdade não reluta
E transcende ao ritual,
Esquecendo a voz astuta
Onde engano é mais fatal,
No bornal das esperanças
Sem sequer qualquer aporte,
A palavra que me lanças
Traduzindo o ledo norte,
E tramando em tais mudanças
O que tanto desconforte.

19

Neste tempo feito em pós
Outro tempo se desenha
E seguindo logo após
O que possa e sempre venha
Desbancando o mais atroz
Delirar onde contenha
O meu passo mais feroz,
Ou a vida em rude senha,
Esperando de tal forma
O que nunca mais viera,
Cada passo se transforma
E a verdade destempera,
No que possa em tal reforma
Vejo ali viva quimera.

20

Aprendendo o que não quero
Ou talvez já não mereça
A saudade neste insincero
Caminhar não mais se esqueça
E mergulho enquanto espero
Sem temor e de cabeça.
No temor me destempero
E procuro o que ofereça
Outro verso ou mesmo a paz
E jamais me imaginasse
No momento onde se faz
Novamente em tolo impasse
O meu canto mais voraz
Noutro tom já se moldasse.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=181635