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TRAÇOS DE LUZ - 25Mar2019 15:51:08
TRAÇOS DE LUZ
Traços de luz dourando o amanhecer Permitem que se tenha esta visão Do quanto poderia em procissão O mundo a cada dia renascer, E sinto no provável novo ser As horas que deveras mostrarão Quem sabe novo rumo ou direção Depois de tanta dor a entorpecer, Espúrias madrugadas, noites vãs Agora ao me perder nestas manhãs Expondo o que melhor existe ainda E tanto se percebe insanidade, Que quando a luz imensa a terra invade, Nem mesmo a poesia em mim deslinda... MARCOS LOURES Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=223340 QUALQUER BENESSE - 25Mar2019 15:51:08
QUALQUER BENESSE
Num triunfo divino feito em glória Jazendo dentro em mim velha mortalha A sorte muitas vezes não batalha Sabendo da verdade sempre inglória E tanto poderia ter vitória Quem sabe e se perdendo nada valha Sequer o mesmo corte não espalha A fúria que é decerto merencória. Resisto ao não saber do quanto trama A vida em dolorosa e forte chama Na ardência contumaz de quem se conhece A morte bem de perto e não se cala, Uma alma não se mostra assim vassala E busca mesmo em vão qualquer benesse. MARCOS LOURES Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=223338 IMAGENS DO PASSADO - 25Mar2019 15:51:08
IMAGENS DO PASSADO
Imagens dissolutas do passado, Medonhas faces dizem o não ser, E quando pude enfim te conhecer O mundo novamente iluminado. Residuais tormentos, duro enfado, E tudo o que se poder agora ver Permite tão somente este prazer Enquanto amor me dá o seu recado, E sei ser mais feliz enquanto pude Viver com tal beleza a juventude E agora agrisalhado pela vida, Ainda permaneço junto a ti, E sei de cada gota que sorvi Por deuses e alquimistas sendo urdida... MARCOS LOURES Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=223336 ENVOLTA EM TUAS TRAMAS - 25Mar2019 15:51:08
ENVOLTA EM TUAS TRAMAS
Relembro do começo deste amor Envolta em tuas tramas, desejosa, E quanto a poesia ainda goza De um mundo com certeza sedutor Soergue-se a visão de um refletor Tornando nossa senda vigorosa E sei que sendo assim, vitoriosa Estendo as minhas mãos em teu louvor, Descemos cachoeira, mesma foz, E quando desembocas mais atroz Estrondos delirantes, meus prazeres, E assim ao demonstrares teus poderes Dois corpos irmanados, nossos seres Num ato tão gostoso quão feroz. VALMAR LOUMANN Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=212660 ESPERANÇA - 25Mar2019 15:51:08
Não tenho e nem tivesse o que se queira Vencendo a sorte atroz e malfadada, A luta quando traça a desgraçada Vontade que sonegue a companheira, Versando sem saber qualquer bandeira A morte no vazio, desolada, O canto se aproxima desta estrada Declínio se anuncia em tal ladeira, O preço se resume no que possa Viver sabendo já da rude troça Que endossa a solidão de quem procura Vencer a tempestade mais cruel Ousando derramar no fogaréu O tanto que tivera em amargura. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=187613 AUTO - ANÁLISE - 25Mar2019 15:51:08
A ?nova poesia? me venceu, Confesso ter vergonha dos meus versos Ultrapassados, mortos e dispersos. Agora num mergulho ao perigeu. A métrica, o rimar; tudo morreu. Deveras são atrozes e perversos; Jogando esta toalha, vão submersos Ao céu inutilmente exposto ao breu. E faço do meu canto, ensimesmado, Bem escondido e mesmo envergonhado Uma eremita apenas, onde eu possa Traçar sem ser exposto ao riso irônico, E sigo neste passo catatônico, Rumando sem defesas para a fossa. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=182207 TROVEJANDO 2 - 25Mar2019 15:51:08
545 Eu nasci naquela serra Nos olhares desta lua O meu peito sempre encerra Esta deusa bela e nua... 546 Solidão aqui por perto Esta vontade de chorar O meu peito sempre aberto Nunca mais vai se fechar 547 Vejo a vida neste espelho Cada ruga é um presente, Cada traço outro conselho, Do futuro vou descrente 548 Rasos d?água olhos tão tristes Procurando por um bem Eu bem sei que tu resistes E por isso, sem ninguém 549 Versos faço sem medidas Não me canso de cantar Ilusões se estão perdidas Por meu Deus quero encontrar 550 Fardo pesado carrego A saudade dolorida Tanto amor Jamais eu nego É negar a própria vida... 551 Tua boca framboesa Cada lábio carmesim, Teu amor uma riqueza Rara flor do meu jardim. 552 Faço o canto que quiseres Em trovinha ou em soneto, Mas decerto se vieres Tanto amor eu te prometo. 553 Meu amor uma andorinha Que a saudade maltratou Se sonhei que eras tão minha O meu sonho se arribou 554 Vejo a luz desta saudade Pela luz dos olhos teus Para haver felicidade Tua luz nos olhos meus... 555 Sou apenas um cantor Que se fez apaixonado Ao luar um trovador Canta o amor, inebriado... 556 Trovador que não se cansa De cantar quem tanto quer Poesia sempre alcança Nos teus braços de mulher 557 Minha vida não tem preço Tanto apreço a vida tem Cada dia num tropeço A saudade sempre vem.. 558 Bebo a fonte da saudade Nos teus beijos minha amada, Não saber felicidade Nesta vida é não ter nada... 559 Ouço a voz de uma esperança Canta livre passarinho, Mas o tempo sempre avança E me encontra tão sozinho... 560 A saudade é matadeira Pra matar esta saudade Eu procuro a noite inteira Sem ter lua, a claridade 561 Quero o beijo mais garboso Da morena mais faceira Coração tão curioso Não quer mais marcar bobeira 562 Cavaleiro em lua cheia Esperança em seu alforje Quando a noite se incendeia O dragão; mata São Jorge. 563 Coração faz melodia Com espanto de quem teima Teu amor em noite fria Esquentando até que queima. 564 Fazer trovas já me traz Alegrias e tristezas Tanto amor não foi capaz De vencer as correntezas. 565 Bebo a sorte de quem teve Alegria invés de dor A minha alma se conteve Ao sentir um grande amor 566 Navegante sem cuidado Naufragando antes do cais, Meu amor sempre ao meu lado Não te esqueço nunca mais 567 Beijo a fronte delicada Desta moça tão faceira A minha alma apaixonada, Ilusão tão verdadeira. 568 Quero o sal da tua pele Teu suor, o meu desejo Teu amor já me compele Ao destino que ora almejo 569 Medo tenho do futuro Isso não é novidade, Sendo claro ou sendo escuro Busco sempre a liberdade 570 Tantas vezes te queria Mas jamais tu me quiseste Pois arar em terra fria Na colheita não vieste. 571 Vejo a lua e te imagino Claramente nos meus braços, Deste sonho de menino Nosso amor estreita os laços 572 Se das penas tu tens pena Já de mim nada tu tens, Sedas plenas, bela cena, Mas deveras já não vens... 573 Bebo a sorte traiçoeira Que tragaste por engano, Meu amor sabe a poeira Mas decora um novo plano. 574 Talvez veja com teus olhos Os meus olhos junto aos teus Num caminho feito abrolhos Só restando o teu adeus... 575 Alecrim que eu encontrei Nas campinas das Gerais, Meu amor eu te entreguei Mas não me queres jamais.... 576 A morena tem seu quê De carinho e sedução Vem correndo e logo vê Que é só seu meu coração. 577 Laço firme tu me destes E deveras me prendeu Esperanças que me vestes Deste amor ser todo meu. 578 Não queria esta verdade Nem tampouco uma mentira Meu amor tanta saudade Nos teus braços já me atira 579 Quero ver se não pudesse Compreender meu sentimento Te faria reza e prece Não te deixo um só momento 580 Vento frio, madrugada Meu amor já não está Pela rua, na calçada Meu amor onde andará? 581 Tanto tempo sem te ver Tanto quis e nada tenho Meu amor o teu prazer Nos meus sonhos não contenho. 582 Poesia fiz contente Para quem amo demais Meu amor se fez urgente Nos teus braços fez seu cais 583 Veio vindo de mansinho E tomando toda a sala Coração de passarinho, Quando vê quem ama, cala.. 584 Estrelinhas lá no céu Vão dizendo de quem amo Nosso amor em seu papel, Com certeza o bem que clamo... 585 Tanto quero o teu querer E não queres meu amor Sem te ter cadê prazer? Só restando frio e dor. 586 Passarinho quando canta Com saudade do seu ninho Minha voz já se levanta Já não vou cantar sozinho 587 Beijo a boca da morena Mas a loura é quem me quer Meu amor já não tem pena Faz de mim o que quiser 588 Labaredas do desejo Se espalhando pela casa Cada vez que, amor te vejo Aumentando mais a brasa. 589 Dedilhando na viola Serenata fiz por ela A minha alma já decola Pega o barco, abrindo a vela... 590 Este pobre trovador Coração analfabeto Na matéria de um amor Bobeando locupleto. 591 Tantas vezes quis teu nome Escrever em poesia Quando a lua ao longe some É sinal de novo dia. 592 Lago plácido sonhei Para poder mergulhar Nos teus braços eu fui rei Coração fez coroar. 593 Não persigo quem me odeia Nem tampouco quem maltrata No sertão a lua cheia Se derrama sobre a mata. 594 Trovador que não se cansa De fazer trovas e rimas Vai mantendo esta esperança Mesmo se mudarem climas. 595 Vento bom que me alivia Quando faz muito calor, Mas se a noite é muito fria No teu braço, aquecedor. 596 Calma, calma minha gente Uma noite não é nada Mas com esta dor de dente Penetrando a madrugada? 597 Tanto tempo procurando Por alguém que não me quis Meu amor me torturando Nunca mais serei feliz. 598 Se eu pudesse te daria Um palácio, mas cadê? Tão enorme fantasia Pruma casa de sapê 599 Vejo a luz dos olhos teus Clareando a noite escura Não encontro mais os breus Se a minha alma te procura. 600 Levo a vida deste jeito Cada qual sabe o que faz Vou vivendo satisfeito Teu amor me trouxe paz 601 Sinto o vento no meu rosto, Uma brisa te chamando O meu peito agora exposto Se entregando ao vento brando. 602 A verdade não engana Quem deseja ter um bem Minha sorte soberana Procurando sempre alguém. 603 Tenho os olhos já cansados De chorar por quem partiu, Dias tristes, descorados, Por que amor se fez tão vil? 604 São palavras simplesmente Não traduzem o que sentes, Meu amor feito demente Não sabendo que tu mentes. 605 Neste beco sem saída Nada faço senão ir Procurar a minha vida Noutros tempos, no porvir... 606 Caso venha sem vontade É melhor ficar de fora, Meu amor tanta saudade se não mato, me devora. 607 Tenho os olhos já cansados De tentar felicidade, Noutros mares mergulhados Só marulho é que inda invade. 608 No que posso te contar Uma estrela matutina Com saudades do luar Tanto brilha e até fascina. 609 Não me venha com mentiras Nem tampouco me iludindo O amor feito sem tiras Nem retalhos se faz lindo. 609 Coração de navegante Timoneiro busca o cais, Mas seguindo sempre avante Teu amor não vejo mais. 610 Quando o galo à noite canta Despertando quem dormia, De manhã já se levanta Depenado na bacia... 611 Jacaré virando presa Se o riacho tem piranha Vai servir de sobremesa Pois multidão sempre ganha... 612 Se esta boca fosse minha Não cansava de beijar Meu amor não adivinha Quanto quero tanto amar... 613 Esperança vem chegando De mansinho, devagar Meu amor, mas até quando Eu terei que te esperar 614 Nada além do que pensava Coração de um violeiro Que decerto já buscava Teu amor, o tempo inteiro 615 Vivo sempre perguntando Como posso ser feliz A tristeza me tomando Vou vivendo por um triz 616 Eu sou como um passarinho Com vontade de voar Mais distante do meu ninho Sem ter ninho onde pousar. 617 A saudade, uma gaiola Que me prende e me maltrata, No ponteio da viola Liberdade é serenata... 618 Vou buscando uma alegria Onde um dia quis amor Muito embora a fantasia Só provoque imensa dor. 619 Nos meus olhos rasos d?água A tristeza é tão presente A saudade em mim deságua Novo amor se faz urgente 620 Peço a Deus por um momento Em que possa me alegrar Vai girando o pensamento Carrossel não quer parar... 621 No cansaço desta noite Alvorada não me quis Se a saudade é como açoite Como posso ser feliz? 622 Tenho tanto que aprender E tão pouco pra ensinar Aprendendo a te prazer Nas veredas deste amar... 623 Coração tão vagabundo Não se cansa de sonhar, Nos teus braços me aprofundo Nos teus sonhos mergulhar. 624 Sorte tem quem a procura Não me canso de dizer Quando a noite é mais escura Tua luz me dá prazer. 625 Doce canto, o passarinho Com beleza quer parceira Com você fazendo o ninho Vou brincar a noite inteira. 626 Repentista e violeiro Um eterno sonhador O meu peito é mensageiro Das loucuras de um amor. 627 A trovinha é tão singela Coração jamais se cansa De pensar somente nela Ser feliz, uma esperança... 628 A paixão tem tantas faces Que não posso mais contar, Nos teus olhos os disfarces Não aprendo a decifrar. 629 Vejo a lua iluminando Meus caminhos pela vida, De tristezas vou lembrando Esta noite em despedida. 630 Risco o nome de quem amo Trago os dedos machucados, Da saudade não reclamo Já conheço antigos fados... 631 Sorte tem quem a procura Não me canso de dizer Quando a noite é mais escura Tua luz me dá prazer. 632 Pele com pele dá certo Alegrias sem limites O meu mundo segue aberto Só te peço que acredites. 633 Tanto tempo nesta espera E ninguém fala meu nome, Quando penso em primavera Roseiral, morrendo some... 634 A tristeza é companheira Minha amiga inseparável A parceira derradeira Desencanto interminável. 635 Roda, roda a sorte gira E não pára de girar. Teu amor uma mentira Que aprendi a decifrar. 636 Nada tenho de alegria Meu prazer já foi embora, E somente a noite fria No meu peito se demora. 637 Vai chovendo de fininho, Tanto barro nesta estrada Teu amor já sem carinho Na verdade não diz nada... 638 Rosas trago em meu jardim, Amarelas e vermelhas Coração traz dentro em mim Deste amor, belas centelhas. 639 Lavo os olhos na saudade Do meu bem que não me quis A tristeza agora invade Nunca mais serei feliz 640 Trago os olhos já cansados De chorar por quem não quis Os meus beijos vão calados Coração bate infeliz... 641 As palavras que disseste Me trouxeram tanta mágoa Neste solo tão agreste Esperança não deságua... 642 Trago a marca do abandono Cicatrizes dentro da alma, Já perdendo amor e sono Nem o canto mais me acalma... 643 Ergo os olhos e procuro Quem outrora quis tão bem Mas o céu estando escuro Não me mostra mais ninguém. 644 Barco ao léu, o mar carrega Sem destino cadê porto? A minha alma andando cega Peito sem amor, já morto... 645 Trovejante coração Faz das suas e me engana Outros dias sofrerão Esta sorte desumana 646 Tanto quero que não sei Se o querer faz bem ou mal, Meu amor eu encontrei Noutros bailes, carnaval. 647 A vovó tá bem surdinha Nada escuta, minha gente Tá careca e banguelinha Só não tem mais dor de dente. 648 Lambisgóia de uma figa Mercenária e vagabunda Se quiser pensão tem briga Tem tapão na sua bunda. 649 Beijo o sonho que me deste Como fosse um bom presente Desde o dia em que vieste O final, alma pressente... 650 Bebo gotas deste orvalho, Já não posso mais sonhar, Meu amor o meu trabalho Não me deixa descansar... 651 Risos falsos, fantasias A que resta, a do palhaço, Procurando as alegrias Não encontro nem pedaço. 652 Tempo escorre em minhas mãos, Sorte foge dos meus dedos, Os meus cantos sempre vãos Aumentando cedo os medos. 653 Eu te trago uma mensagem De quem tanto quis teu bem, Trago sempre na bagagem A saudade deste alguém... Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=181783 REDONDILHANDO - 25Mar2019 15:51:08
1
Quem jamais não poderia Enfrentar os desafetos Sabe os tons de um novo dia Entre os rumos prediletos, E se tente em poesia Realçar os mais completos Sonhos; tenta em harmonia Bons momentos, mas discretos. Cavalgasse vida afora Nas tramóias da ilusão, Quando o tempo desarvora Em temida confusão, No meu peito então aflora A mais clara confissão. 2 Nada mesmo do que eu tente Demonstrando com carinho Traz no olhar imprevidente O cenário onde me alinho, O prenúncio, de repente, Do que possa em tal ninho Encontrara quem alente Ou o canto mais mesquinho. Ouso crer mesmo não tendo Quem pudera ter nas mãos, Muito além que tal remendo Tempos duros, frios, vãos Espalhando e após colhendo Resultados desses grãos. 3 Quantas vezes eu professo Nesta forja o meu futuro, E se possa e até confesso Ter no olhar o mais seguro Garantindo o meu regresso Sem saber de algum apuro, Desenhando sem progresso O momento onde perduro. Partilhando do que tanto Desejara e não viera, O meu sonho eu mal garanto Espalhando esta insincera Solidão aonde o pranto Abre em nós nova cratera. 4 Não mergulho nos meus ermos Nem tampouco em tais entranhas Onde tanto por não termos Nada mais eu tenho ou ganhas, A verdade é que ao podermos Explorar novas montanhas O que possa ao já perdermos Desolasse nossas sanhas. Entoando o que inda resta Da canção que não cerzira, Traz a vida enquanto infesta Traz a morte e nos retira, Sensação de simples festa, Noutro passo em rude mira. 5 Nada mais pudesse ter E tampouco o desejasse Verdade reconhecer E saber do desenlace Onde possa alvorecer Mesmo quando ora nublasse A vontade de viver, Ultrapassa algum impasse. Nada vejo e me permito Entre sonhos, num instante Desenhar além do mito O que possa e nos garante Um lugar neste infinito Caminhar que se adiante. 6 Adianto cada passo Rumo ao porto onde teria Muito mais que me cansaço O momento em poesia, E se possa noutro traço Viver em plena harmonia Onde o tempo mesmo escasso Novo sol me mostraria. Vendo assim o desafeto Num cultivo mais audaz, O meu mundo ora completo Nos anseios desta paz, E se tanto me repleto Novo encanto satisfaz. 7 Jogo os olhos no horizonte Vivo além do que se sinta O meu canto sempre aponte Para a sorte nunca extinta, Vejo o quanto já desponte A emoção onde não minta Quem pudesse noutra fonte Desejar a luz distinta. Represando o meu anseio E contendo em tal barragem O meu mundo em devaneio Perfazendo outra viagem Onde tanto o que ora veio Traz no amor sua bagagem. 8 Nada mais pudesse ver Ou tampouco presumir Nos caminhos do prazer Tanta coisa a permitir O que possa recolher Ou deveras repartir, Num suave amanhecer Revelando o que há de vir. Relutar? É necessário, Mas o tempo nunca cessa E o que fora itinerário Fica apenas na promessa, O meu mundo, torpe e vário Sem esperas recomeça. 9 Lavo os olhos na saudade De quem tanto quis um dia, O meu canto em realidade Mata a sorte em ironia, O que possa e se degrade Noutro tom ora jazia, E cerzindo esta verdade Morro ou vivo em agonia. Ouso crer no que se tente Tento crer no que eu ousasse O meu mundo onde aparente O sorriso em clara face Tantas vezes descontente Nem o sonho suportasse. 10 Nas palavras mais doridas Ou sinceras esperanças Entranhando nossas vidas Onde tanto além avanças Encontrar nas despedidas O sorriso das crianças E traçar antes perdidas Nalgum canto tais lembranças; Versejando ou mesmo até Desenhando com meu sonho O que possa ? imensa fé ? Ou num dia mais bisonho Permitir só por quem é O ponteio que componho. 11 Navegar entre os rochedos E buscar um manso porto Conhecer tantos segredos Renegar qualquer aborto, Entre sonhos, ermos, ledos O meu passo segue torto, E se possa em desenredos, Presumir o encanto morto. Nada mais pudesse quando Outro tempo se anuncia O meu mundo desabando Onde o tanto poderia Transformar em novo bando A verdade em alegria. 12 Nada mais se vendo após O que tanto acreditara Esperança feita algoz Tantas vezes maltratara E o que sentisse entre prós Noutro tom gerando a apara Corta rente e nega em nós O que possa e se prepara. O vencido sonhador Já não tendo onde encontrar O que possa em desamor Tão somente constatar Sem o brilho redentor De quem traz um manso olhar. 13 Nada mais se poderia Nos anseios mais doridos E se tento alegoria Dias torpes e perdidos. Os meus olhos, a harmonia, Os cenários divididos E a palavra não traria Nem sequer mansos sentidos, Ousaria ter nas mãos O futuro que não vem, Entre as horas, mesmos nãos E prossigo em tal desdém, Envolvido pelos vãos Sem saber de mais ninguém. 14 Nada mais pudesse ter Quem deseja a calmaria O meu mundo a se perder Mais um pouco, a cada dia, O cenário a se verter Tanta coisa poderia E no rumo sem saber O que tanto restaria, Vejo o olhar de quem se dera Muito mais do que tentasse Ao seguir em louca espera Novo tempo não repasse A verdade tão sincera Que jamais se duvidasse. 15 Nada peço, mas prossigo E provoco a derrocada O meu tempo em desabrigo Sem destino a velha estrada, O caminho diz perigo, Minha noite atocaiada, Porém mesmo assim prossigo Bebo o sonho da alvorada. Nada mais pudesse ter Quem tentasse nova luz, O meu canto a se perder Onde encanto não produz, E se tanto pude ver Num recanto a minha cruz. 16 Jorram dores entre fartos Delirares, solidão, Os momentos sem os partos As sangrias pelo chão, Os pedaços nestes quartos Morte em doce redenção. O meu canto não se ouvira Nem tampouco esta tortura, O que possa e se retira Traz no olhar rude procura, E o que vejo dita a mira, Mesmo em noite mais escura. Escusado é te dizer Vejo enfim, algum prazer. 17 Não perdendo qualquer sonho Ou morrendo noutro passo, O que possa e decomponho Traz a marca do cansaço E se sinto este enfadonho Delirar por onde traço O meu mundo mais bisonho Envolvido por tal laço. Nada mais pudera ter Quem se fez bem mais potente O meu verso a se perder Onde o tanto num repente Traz no olhar o bem viver Ou decerto ainda tente. 18 Busco as tramas do passado E desenho em bruscas formas O que possa lado a lado Em alado tom transformas, E se eu sigo ou se me evado, Outros passos, novas normas, Do desenho demonstrado Não se vejam mais reformas, Ouso mesmo acreditar No que pude e não tivera A vontade a demarcar O que trame em dura esfera, O meu canto a destrinchar Nem saudade ainda espera. 19 Nada mais pudesse ver Quem se fez em claro sol, O meu mundo a se perder Toma inteiro este arrebol, O caminho amanhecer E se eu sigo, girassol, Nos teus olhos conceber Maravilhas de um farol Ouso crer na luz que tanto Possa mesmo nos guiar E se teimo em raro canto, Não pudesse navegar Entre os ermos, já me espanto E me canso de lutar. 20 Nada mais pudesse quem Entre os medos costumeiros Ao traçar o que inda tem Busca sonhos derradeiros, O meu mundo sem desdém Anuncia em teus canteiros O carinho que o detém Muito além de corriqueiros, Quero a boca mais suave O cenário sem entrave Ave solta, liberdade, E se bebo com fartura Deste amor que me assegura Envolvido em claridade. 21 Nada mais pudesse quando O meu tempo se fez rude, O tormento desaguando Na esperança, mero açude, O cenário desabando O momento que me ilude, Onde possa em claro bando Ter no olhar tal plenitude. Versejando sobre o tanto Que se fez felicidade Onde o mundo eu mal garanto Não teria na verdade Nada mais do que este pranto Que denigre a luz que invade. 22 Aprendendo a dizer não Quanta vez eu me maltrato Desta louca sensação Outro tempo, atroz e ingrato, Encontrando a dimensão Do que possa em roto prato Envolvendo o coração No que tento e não constato. Ao sentir o vento manso O que possa traduzir No meu canto quando avanço Novo dia a resumir O que tanto quero e alcanço Ou pudera consumir. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=181768 TROVEJANDO 1 - 25Mar2019 15:51:08
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Coração mineiro trem Na esperança outro vagão Onde outrora quis meu bem Renascendo esta emoção. 2 A palavra se cultiva Com o arado do desejo E se possa em sempre-viva Meu caminho traz teu beijo; 3 No rosal em esperança Aprendi a ser sozinho O meu verso agora avança Sem temer qualquer espinho. 4 Apresento com tal fato O que pude desvendar E se tanto amor; constato Fosse meu todo o luar. 5 Quero mais que a liberdade Ser cativo de teu bem, O meu sonho sempre invade O que tanto o peito tem. 6 Esperando após o verso Outro tanto que reflita O meu mundo antes perverso Transformando esta desdita. 7 Apresento o coração De quem sendo aventureiro Sabe inteira a dimensão Deste amor mais verdadeiro. 8 Nada mais pudesse ver Quem se fez além do todo, O diverso amanhecer Renegando algum engodo. 9 A saudade diz do tanto Que busquei no meu passado E decerto mo que garanto Traz no sonho o seu recado. 10 Aprendendo desde cedo O que busco sem temores, Onde possa em tal segredo Desvendar tantos amores. 11 Nada mais se visse enquanto O meu prazo determina Coração em puro encanto Traz no sonho a clara mina. 12 Outro tempo se anuncia Onde o mundo diz que não A verdade propicia Novo tempo e direção. 13 Quantas vezes eu já quis Pelo menos calmaria, Mas agora sou feliz Te encontrando todo dia. 14 Versos sonhos, liberdade Ouso mesmo acreditar No que possa e tanto agrade Quem conhece o bem de amar. 15 Na verdade o que tenta É mostrar alguma luz, A palavra que atormenta Muitas vezes nos conduz. 16 Navegando contra a fúria Destas ondas no oceano, Deste amor feito em penúria Tão somente o mesmo engano. 17 Vejo o olhar de quem mais quis Noutro rumo se perdendo, E se possa por um triz Esta estrada não desvendo. 18 A palavra mais suave O momento aonde é breve O que tanto não entrave O meu passo onde me leve. 19 Negaria qualquer sorte De quem fora mais audaz, Já não quero minha morte. Quero a vida em plena paz. 20 Nas estradas, violeiro Nas violas, serenatas Eu me entrego por inteiro E por isso me maltratas... Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=181638 O QUE NÃO QUERO - 25Mar2019 15:51:08
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Nesta estrada mais comprida Tantas vezes capotando Trouxe o mundo menos brando Sem saber qual a saída, Esperança dividida Dia a dia me rondando O cenário desabando Entremeia a despedida. Nada mais pudera ser Onde tanto parecer Espreitasse uma razão A verdade não se cala Enfrentando fogo e bala, Na incerteza em provisão. 12 Onde o tempo faz sentido E se mostra mais atroz No caminho dividido Entre o nunca e o logo após O momento presumido A versão dura e feroz, Engolindo o resumido Desvendar ora sem voz, Nas tramóias da esperança Esperneio, mas não posso No tormento onde se lança O que fora outrora nosso, Na verdade quando cansa Faz da vida este destroço. 13 Jogo feito; a vida marca A ferro e a fogo tão somente Destruindo a velha barca Que levasse o que se sente Onde o tempo não abarca Onde a rota imprevidente, Mas a morte quando embarca Mostra o tom impertinente De quem sabe o que deseja E jamais descansaria Até vencer esta peleja Tão medonha a cada dia, E se esboça o que não seja Nem sequer mais fantasia. 14 Nas picadas do caminho, Cada curva novo atalho, E se sigo mais sozinho O meu canto tento e espalho, Na verdade o mais daninho Traz o verso aonde talho Com temor e me avizinho Do que tanto agora falho. Esperava melhor sorte E talvez um claro dia, A palavra não conforte Quem pudera em fantasia Conviver com o seu corte Onde o nada serviria. 15 Abandono esta morada E procuro uma estalagem Onde o tanto além do nada Desenhando esta miragem, A verdade desfraldada Arrebenta esta barragem E a versão já desenhada Expressando em molecagem O meu mundo em tal fastio O meu rio mais profundo E se possa em desafio Noutro tom diverso inundo O que tanto em sonho adio E o meu canto é ledo, imundo. 16 Mas amores que encontrei Entre tantas heresias Dominando em dura lei O que às vezes me trarias, Nos teus braços mergulhei Envolvendo em poesias O que agora procurei E decerto não me guias, Entre as noites mais escuras Entre os sonhos mais audazes O que possa e não perduras, Outros dias tu me trazes, Mas bem sei que tais loucuras São deveras curtas fases. 17 Não importa quem se vendo Noutro tom diverso e rude, O meu mundo em dividendo Vem trazendo o quanto pude E se possa no remendo Desenhar o que me ilude, Verso sobre o que pretendo Mesmo quando o passo mude, Nada mais se faz além Do que tanto mergulhara, O meu mundo sem ninguém No vazio da seara Tantas vezes já contém O que em medo desampara. 18 Desta história feita em luta Do momento mais venal, O caminho em força bruta O cenário desigual A verdade não reluta E transcende ao ritual, Esquecendo a voz astuta Onde engano é mais fatal, No bornal das esperanças Sem sequer qualquer aporte, A palavra que me lanças Traduzindo o ledo norte, E tramando em tais mudanças O que tanto desconforte. 19 Neste tempo feito em pós Outro tempo se desenha E seguindo logo após O que possa e sempre venha Desbancando o mais atroz Delirar onde contenha O meu passo mais feroz, Ou a vida em rude senha, Esperando de tal forma O que nunca mais viera, Cada passo se transforma E a verdade destempera, No que possa em tal reforma Vejo ali viva quimera. 20 Aprendendo o que não quero Ou talvez já não mereça A saudade neste insincero Caminhar não mais se esqueça E mergulho enquanto espero Sem temor e de cabeça. No temor me destempero E procuro o que ofereça Outro verso ou mesmo a paz E jamais me imaginasse No momento onde se faz Novamente em tolo impasse O meu canto mais voraz Noutro tom já se moldasse. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=181635 Faça o seu registo
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