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A vida das palavras



sou mesmo eu - 01Abr2016 16:36:00
há apenas um pouco de mim em tudo o que faço
há apenas um pouco de mim no que disfarço
há apenas um pouco de mim que desfaço
há apenas um pouco de mim palhaço

o resto sou mesmo eu

Fonte: http://vidadaspalavras.blogspot.com/2016/04/sou-mesmo-eu.html



Outro Natal (outros Natais) - 24Dez2015 14:11:00
Foto: Raul Cordeiro (Praça da República - Portalegre)


Somos construídos de pouca matéria e muita memória
De pouco presente e muita história
Deram-nos braços para abraçar
Beijos para beijar
Mãos para dar
E um berço de palha para adorar
Somos desde sempre fanáticos por estrelas
Por caminhos e preces
Pela esperança de um dia
Pela luz da poesia
Nascemos todos os anos no mesmo dia Natal
E morremos os outros dias, todos
Levantamos e baixamos os braços
Dormimos em silêncio
Pouco olhamos as estrelas
Esmorecemos aos poucos
Cavamos túmulos e escrevemos poemas
Apregoamos grandes lemas
Mas nem usamos os braços para dizer adeus

Feliz Natal a todos os meus leitores
Obrigado por continuarem a ler...

Fonte: http://vidadaspalavras.blogspot.com/2015/12/outro-natal-outros-natais.html







Homenagem a Herberto Hélder - 24Mar2015 12:07:00


Se houvesse degraus na terra...

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

Herberto Helder


Fonte: http://vidadaspalavras.blogspot.com/2015/03/homenagem-herberto-helder.html

A felicidade é um daquelas emoções básicas que integram a nossa bagagem pessoal de suporte essencial de vida tal como o medo, a tristeza e a ira.
Talvez um dos grandes desafios seja compreender a base biológica das emoções.
Assim, se a felicidade é uma emoção básica e tem uma base biológica haverá uma biologia da felicidade e uma biologia da infelicidade?
Entre a alegria e a tristeza ou entre o medo e a ira será a felicidade o racional da bipolaridade? Seria então o choro o racional da tristeza e o riso o racional da alegria? 
E será sinal de evolução biológica chorar de alegria ou rir da tristeza? 
Ou são apenas traições biológicas?
A felicidade parece sim tornar-se na nossa vida uma camisa de forças "florida" cujos limites são os estereótipos sociais.
Felicidade parece referir-se ao ponto em que a a nossa gestão quotidiana parece cruzar-se com a busca do impossível.
E se nesse caminho encontramos alguém (impossível não encontrar) as nossas felicidades encontram-se e aí somos felizes às vezes apenas com uma palavra, um olhar, um toque.

Será que aceitamos que a felicidade aumenta com a idade? Que vivemos de forma mais racional as emoções positivas quando somos mais velhos e de que alguma forma isso funciona como um fator protetor para a doença mental.
Porém com o aumento da idade também nos podemos tornar mais complexos avaliando acerca da mesma vivência emoções positivas e negativas.
A felicidade e a idade parecem ligadas por um eixo que as leva em simultâneo ao longo da vida. Com o aumento da idade tendemos a alterar os nossos objetivos instrumentais de longo prazo para objetivos emocionais de curto prazo.

Ao longo da vida vamos desvalorizando os nossos objetivos de exploração do mundo em favor de relações emocionais estáveis e de valores como a cidadania e a esperança o que nos torna mais seguros e por isso mais felizes e mais capazes de fazer os outros felizes.


Fonte: http://vidadaspalavras.blogspot.com/2015/03/flash-viii-felicidade-ainda-felicidade.html

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva.
Podia beber-te e saborear-te.

Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
Podia mergulhar, nu, na tua espuma.

Se não tivesse falhado todos os semáforos verdes da estrada, e desbaratado todos os amarelos,
Seria agora livre.

Se tivesse partido as algemas e roído as grades, e olhado os precipícios com sangue de herói,
Seria agora um beijo a voar.


Se tivesse acabado tudo o que comecei, beijado o que não beijei, se tivesse visto o Sol mais cedo,
Seria agora um desvendado segredo.


Fonte: http://vidadaspalavras.blogspot.com/2015/01/poema-de-indecisao-republicacao.html




Flash VIII - Os tempos do tempo - 20Dez2014 22:07:00
Disserto hoje sobre Chronos, Kairos e Aeon.
A mitologia grega tinha três conceitos para o tempo. O tempo sequencial, cronológico ditador das coisas da terra e do seu crescimento e morte, personificado em Chronos.  O momento oportuno, a oportunidade, personificada em Kairos e o tempo da criatividade onde a medida não é ditatorialmente cronológica. 
É este último tempo, personificado em Aeon, um verdadeiro tempo sem tempo. É este o verdadeiro tempo dimensional da poesia.
Diríamos que este é o tempo da poesia, o tempo de Kairos o tempo do amor e o tempo de Chronos o tempo da vida?
Todos amamos durante a vida nem que seja apenas a própria vida.

E sobre esse tempo construímos poesia todos os dias com os nossos gestos, as nossas palavras ou os nossos sorrisos.
E esses gestos, palavras e sorrisos fazem-nos amar e ser amados.
E somos fruto do tempo e dos tempos do tempo.


Fonte: http://vidadaspalavras.blogspot.com/2014/12/flash-viii-os-tempos-do-tempo.html



Não.
Claramente não.
Por mais que queiras não consegues separar-me dos teus dias. Vi-te ontem quando cruzava os horizontes da minha passagem, quando cruzava montanhas e saudades tamanhas.
Vi-te armada de tuas bagagens á beira da estrada como se
esperasses as minhas viagens.
Cheirei inebriado as rosas do teu cabelo e desfiei o teu novelo de razões na minha teia de emoções.
Confesso?
Chorei?
Mas ri do meu choro e ouvi nas minhas lágrimas o nosso riso em coro

Fonte: http://vidadaspalavras.blogspot.com/2014/12/confissoes-do-tempo-republicacao.html


Natal - 12Dez2014 14:56:00
Foto: João Carvalho (http://saltapocinha.wordpress.com/)

Não se sabia sequer que era um poema
Aquele monte de coisas que cresceram no meu quintal
Cada verso, cada frase, cada ramo
Cada sombra da copa esperava por um Natal
Suspensa das vontades do Homem
Em adorá-la ao menos uma vez por ano
E adubá-la com estrelas, prendinhas e palavras
Surgiam luzes e imunes veios ao desengano
Não sabia sequer que o Natal era um poema
Que havia por ano uma vez só
Nem sabia de que poema se tratava
Nem o sabia de cor
Podia ser trágico ou de amor
Mas cresciam nela ramos novos
Ficam bonitos os velhos
E estrelas e bolas
Para as crianças se verem ao espelho
E era nesses dias que era árvore poema
Árvore de Natal
De crianças e homens
De um Natal por inventar




Fonte: http://vidadaspalavras.blogspot.com/2014/12/natal.html

Espera menina
Não partas ainda que a poesia não finda
Espera menina
Pelos olhinhos que te faço
Espera menina
Pela estação infinda
Espera menina
Prepara o teu regaço

Esquece os risos e os sorrisos
Esquece o tempo em que tivemos algum tempo
Escuta o barulho dos guizos
Esquece o mau e o bom
Esquece o choro e a lágrima
Escuta a canção e o tom
Esquece os beijos
Esquece o medo e o segredo
Esquece os desejos

Espera menina
Enquanto exploro e desbravo o arvoredo
Espera menina

Fonte: http://vidadaspalavras.blogspot.com/2014/11/espera-menina-pelo-barulho-dos-guizos.html