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Tragada

Lua Adversa - 25Mar2019 15:43:40

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

(Cecília Meireles)


Fonte: http://tragada.blogspot.com/2012/07/lua-adversa.html

Tempo de Saudade - 25Mar2019 15:43:40



Tenho em mim saudade
daquele tempo em que a saudade,
embora fosse dorida,
tinha gosto de realidade.

Hoje se faz abstrata,
desbotada e sem sentido.
Saudade de um não sei quê,
do que nem se fora vivido.

Saudade assim não perdura,
o tempo só faz desgastar.
Lembrança, rota e sem cor,
imagem vaga a dissipar.

Fumaça solta no vento,
quimera, sem tom de verdade.
Queria , num breve momento,
vestida de atroz sentimento,
vibrar com o ardor da saudade.



Fonte: http://tragada.blogspot.com/2009/04/tempo-de-saudade.html

Um toque de Neruda - 25Mar2019 15:43:40

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

(Pablo Neruda)



Fonte: http://tragada.blogspot.com/2012/04/tueras-tambem-uma-pequena-folha.html

AMOR DE TARDE - 25Mar2019 15:43:40



É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são quatro
e termino a planilha e penso dez minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e faço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras.


É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz números e lhes arranca verdades.


É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente
e dizer "e aí?" e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono.


(Mario Benedetti)


Fonte: http://tragada.blogspot.com/2012/01/amor-de-tarde.html

Poema que Aconteceu - 25Mar2019 15:43:40



Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

[Carlos Drummond de Andrade]

** Uma regalo para o Domingo que aconteceu e se foi.**.


Fonte: http://tragada.blogspot.com/2012/01/poema-que-aconteceu.html

Mais um toque de Lorca... - 25Mar2019 15:43:40


Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.




Fonte: http://tragada.blogspot.com/2012/01/mais-um-toque-de-lorca.html





Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!

Frederico Garcia Lorca




Fonte: http://tragada.blogspot.com/2012/01/se-as-minhas-maos-pudessem-desfolhar.html

Poema de Quirino - 25Mar2019 15:43:40


"O homem é um grão na imensidão da Terra
E num erra quem diz que a Terra inteira
É um grão de poeira no Universo
E que meu verso é nada comparado a tais grandeza.

Mas digo com certeza,
Meu verso comparado a vida
Tem alto valor
Pois há de ficar quando minha vida se for.

Então me respondam por favor:
Qual o valor mais alto,
O Universo, a Terra,
A Vida, ou o Verso?

É verdade que o homem
É um grão na imensidão da Terra.
Mas é um grão que guarda em si
A Vida, o Amor e o Verso.

Então se dá o reverso,
O grão de pó ganha grandeza
E nós ganhamos a certeza
Que a poesia indica:
As era do Universo passa...
E o homem que ama fica."











Fonte: http://tragada.blogspot.com/2011/09/poema-de-quirino.html

Um trago de Neruda - 25Mar2019 15:43:40

A DANÇA
Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.



[Pablo Neruda]



Fonte: http://tragada.blogspot.com/2011/03/um-trago-de-neruda.html

Dias de chuva... - 25Mar2019 15:43:40
"Teu sorriso é uma iluminação
nos dias encobertos de mim."

[K4AKIS & ROGER CAMARGO]

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Fonte: http://tragada.blogspot.com/2011/03/dias-de-chuva.html

Busca - 25Mar2019 15:43:40
A imaginação queimando em brasa
aquece meu gélido coração solitário.
Talvez não seja o melhor dos fogos, mas
é o que tenho e tê-lo me basta.
As minhas mãos procuram,
inútil busca, o que me arde habita n'alma.

[k4akis & Roger Camargo]

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Fonte: http://tragada.blogspot.com/2011/02/busca.html

Sonhos - 25Mar2019 15:43:40

Você consome e é consumido
pelos sonhos que sonha,
antes e depois de acordar.
Como sombras se apoderam
do que nunca foi delas,
mas lhe remetem à imagem
e a imagem remetida chega
a confundir, mas não é.
Como sombras, eu sei, porém
que sonhos são passageiros
como eu, que sou passageiro
dessa jornada mágica: vida.

[K4akis e Rogério Camargo]

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Fonte: http://tragada.blogspot.com/2011/02/sonhos.html

Nossa História - 25Mar2019 15:43:40


A nossa história tem um sabor de madrugadas limpas,
com ruas banhadas pela luz tênue da emoção
Conto nossa história para quem tenha ouvidos de estrelas,
boca de céu, cabeça nas nuvens e saiba sonhar.
A nossa história tem um aroma de grama lavada
e terra molhada. Manhãs de domingo ao sabor do ócio,
ócio ao sabor das manhãs de domingo e toda a vida
envolvida numa bruma leve, de olor doce,
silhueta delgada, suave como os sonhos de uma
noite de verão, numa madrugada limpa, banhada de luz.
Ouves a nossa história como eu ouço?
Uma história de sonho, um sonho de história.


[k4akis & Roger Camargo].

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Fonte: http://tragada.blogspot.com/2011/02/nossa-historia.html

Ano Novo - 25Mar2019 15:43:40

Pensamentos descompassados,
fluem na cadência dos passos,
preenchendo espaços
de memórias.
Revendo os dias idos,
acumular de anos vividos,
estremeço.
Repassando...Tudo igual.
Só meu passo,
agora, talvez,
mais lento.

[k4akis]



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Eclipse - 25Mar2019 15:43:40

A noite chegou como se as manhãs
não fossem certas e sedutoras.
A certeza e a sedução dão os braços
aos abraços. Eles recebem o que
nos é mais doce: o acolhimento.
Acolho momentos de mim e de ti
para que o nós, banhado em sol encontre a lua.
Ah, a lua encontrada, depois de perdida a
esmo, a dois se faz cheia e nos devora,
devora e devolve ao que somos, noite e
dia, seduzidos e distantes, à espera de um eclipse.

[K4akis & Rogério Camargo]





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- 25Mar2019 15:43:40

Ainda ontem de noite era noite e era
frio, apesar da luz dos seus olhos.
Havia dois sóis nos teus olhos, mas
mas tu'alma suspirava gélida.
Entendi que não entendi e então
ao invés querer entender, te aqueci.

[Roger & K4akis]



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Dia Branco - 25Mar2019 15:43:40

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...

Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...

Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor

Oh! oh! oh...

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...

E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor...

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo,
Comigo, comigo.

Composição: Geraldo Azevedo/ Renato Rocha



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- 25Mar2019 15:43:40

Uma vez foi pouco, quase nada. Então
quero mais do pouco que me deste.
Não sacio fácil. É difícil contentar o
corpo sedento com apenas uma dose
daquilo que é bom, muito bom, muito
que se torna nada ante o todo carente.
Não sacio fácil. Uma vez é pouco,
muito pouco ante de tudo que podemos
ter deixado passar. Passaste
tempo demais a pensar, agora age.
Não espero de ti nada que não tenhas
já colhido um dia em mim:
é assim contigo, é assim comigo, é assim
com a vida, em fluxo constante, movimento
que uma vez é pouco, quase nada.

(k4akis & Rogério Camargo)



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Fonte: http://tragada.blogspot.com/2010/11/p-margin-bottom-0_10.html

- 25Mar2019 15:43:40

As cicatrizes da alma revelam
o que nenhuma fotografia ousa.

(k4akis & Rogério Camargo)


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Fonte: http://tragada.blogspot.com/2010/11/p-margin-bottom-0.html



Era uma vez todas as vezes,
sendo todas elas únicas!
Era uma vez em que todas as vezes,
únicas e tantas, que se repetiam
até o infinito, pareciam não saber
que o limite era fato, apesar de abstrato.
Nessa vez que era, meu coração
desavisado, acostumado ao infinito
tentar estrelas, uma de cada vez.
Insaciável, desta vez , buscou a constelação
de uma estrela só, de só uma estrela.
e foi essa vez, única, melhor que todas.

(K4akis & Rogério Camargo)


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Fonte: http://tragada.blogspot.com/2010/11/dueto-poemas-criados-quatro-maos.html

A Cópula - 25Mar2019 15:43:40


Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.

Manuel Bandeira

Fonte: http://tragada.blogspot.com/2010/07/copula.html

Fim - 25Mar2019 15:43:40


Da morte da noite nasce o dia,
no triturar o trigo,o pão,
Dentro do fim, início da vida.

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Fonte: http://tragada.blogspot.com/2010/07/fim.html

- 25Mar2019 15:43:40















Traduzir-se



Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
? que é uma questão
de vida ou morte ?
será arte?


FERREIRA GULLAR
De Na Vertigem do Dia (1975-1980)


Fonte: http://tragada.blogspot.com/2010/05/traduzir-se-uma-parte-de-mim-e-todo.html

AFINIDADE - 25Mar2019 15:43:40

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.

É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.

Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.

A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,
veremos ou falaremos.

Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?

A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.

Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.

Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.

Arthur da Távola



Fonte: http://tragada.blogspot.com/2010/03/afinidade.html

Caminhante - 25Mar2019 15:43:40

No caminhar, sangue,
no p
é, a dor.
No sapato, a pedra.
.
k4akis


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Fonte: http://tragada.blogspot.com/2010/03/caminhante.html