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BlackBird

XX - 25Mar2019 15:33:36
XX

Hoje não chove porque é Verão.
Caiem-se em mim as dores do mundo
Que eu finjo já não ter;
E há sombra da noite
Iluminado à ponta do cigarro
Vejo os carros passar,
Chapinhando com as rodas no piso molhado.
É 1922, e eu não sei o que aconteceu ontem,
Porque é de madrugada e ainda não saiu o jornal;
Estou encostado a uma árvore desta cidade
Em que julgo viver.
Escrevo de pé para cair
Pela tinta deixada no papel.
Não tenho frio.
Porque é verão e não chove
Estou agasalhado, para não ficar constipado,
Se o tempo mudar
Assim de repente.
Aqui não passa gente,
Já dormem, e eu aqui a fumar.
Não consigo dormir,
Quando fecho os olhos
Fico tão só, só comigo para falar.
Não gosto de mim, vou ser sincero
Sou um tipo estranho
Que não pára de falar.
Verdadeiro, pelo menos, assim o espero?

Mas não gosto de mim!
Ninguém me pode obrigar,
Nem mesmo as minhas obrigações.
Fachadas dirão alguns ao ler,
Num prédio que ruiu
Sem preocupações,
E metáforas a fazer.
Deixo cair o último pedaço de cinza
E já tenho outro cigarro à boca;
Já não me apetece mais,
Mas ajuda a iluminar o papel
E o caminho às palavras
Que tropeçam no tédio de mim
Já estou cansado, mas não tenho sono
Já estou entediado, mas em que posição me ponho?
Quero escrever,
E largar à tinta pedaços de mim
Matar-me, reinventar-me,
Deixar-me apodrecido no papel
Para que não cheire mal
E safar-me, sem ficar igual, ao que fui
A vida tem contornos engraçados,
Desafios desvairados,
Leva aos cornos desgraçados,
Calafrios disfarçados.
Tenho à palma da mão
Controlo sobre coisa nenhuma.

É verão, mas não chove;
Nem eu estou na rua,
Estou quieto e sentado
De alma nua
A escrever o que ninguém
Na gargalhada em que me dou
Doem-me as costas e partes da vida
Está toda partida
E não sei em que ponta lhe pegar?.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=337208

História de uma loucura - 25Mar2019 15:33:36
Há uma linha em ti
Deixada assim a dançar
Por entre as páginas de uma história
Já muito antiga que ninguém irá escrever.
Num velho livro, disseram:
Leram uma história sobre nós,
Havia um país de pedra
Que tinha um castelo
E um dragão
E um cavaleiro
Vestido com uma armadura
Que te veio salvar de mim...
Quem mo disse entre sussurros
Foi o silêncio da biblioteca
Ou invenção minha, já nao sei.

No outro dia,
Confessei à loucura
Que descobri que o segredo da vida
É não haver segredo nenhum!
E o que ela se riu de mim,
Meu amor, quantas gargalhadas
Ecoaram na minha cabeça
Existe um buraco
Por onde espreita o monstro
Que me atormenta as noites.
Quando eu vou dormir,
Porque às vezes apenas sonho.
No outro dia,
Sonhei que te desenhava nuns contornos
Mais bonitos do que a vida te dá.
E que todos os dias sorrias
Num traço fino de quem não sabe desenhar,

Vou-te contar um segredo;
Eu sou um pintor famoso
Que a minha loucura inventou.
Mas não te rias de mim!
Estou a falar a verdade,
Eu sou aquele
Que pintou aquela tela muito famosa
Que o cego muito pobre e morto,
Viu naquela exposição de estátuas
Daquele museu de cartão
Muito famoso em todo o mundo,
Que ninguém conhece...

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=326506

Nunca me esquecerei de ti. - 25Mar2019 15:33:36
Nunca me esquecerei de ti.


Nunca me esquecerei de ti!
Nunca me esquecerei de mim.
Ou de nós.
Nunca me esquecerei de nós.
Nunca me esquecerei de mim.
Nunca me esquecerei de nunca me esquecer...
Nunca me esquecerei que por vezes posso esquecer.
Nunca me esquecerei de ser como sou.
Nunca me esquecerei de cumprir as promessas que faço.
Logo, nunca me esquecerei, mesmo que esqueça!
Nunca me esquecerei do que foste.
Nunca me esquecerei que já não estás.
Nunca me esquecerei dos que foram.
Nunca me esquecerei dos que ainda ficaram.
Nunca me esquecerei dos que vieram.
Nunca me esquecerei de te orgulhar.
Nunca me esquecerei de os orgulhar.
Nunca me esquecerei de as orgulhar
Nunca me esquecerei que prometo não falhar.
Nunca me esquecerei, que prometo não falhar,
Mas que por vezes irei falhar.
Nunca me esquecerei de pedir desculpa.
Nunca me esquecerei que as coisas simples são as mais belas.
Nunca me esquecerei de amar.
Nunca me esquecei que devia tê-lo dito e não o disse.
Nunca me esquecerei de quem és para mim!
Nunca me esquecerei dos laços.
Nunca me esquecerei dos mesmo sangue.
Nunca me esquecerei que há amor tão importante quanto o sangue que não se partilha.
Nunca me esquecerei dos animais que amei e tive.
Nunca me esquecerei dos que só amei e deixei livres.
Nunca me esquecerei que não sou perfeito.
Nunca me esquecerei que a perfeição não existe.
Nunca me esquecerei que a perfeição se esconde nos pequenos rasgos da imperfeição.
Nunca me esquecerei de respeitar, de cuidar e libertar.
Nunca me esquecerei que mesmo que não seja compreendido, serei amado.
Nunca me esquecerei de parar e apreciar.
Nunca me esquecerei que o calor sabe bem.
Nunca me esquecerei que não é só o sol que aquece.
Nunca me esquecerei que também faz frio.
Nunca me esquecerei que se um homem chora, é mais forte por o fazer.
Nunca me esquecerei que o frio é bom,
Porque quando faz frio dentro do coração
O calor de alguém torna o momento
Um rasgo perfeito de imperfeição.

Nunca me esquecerei de mudar.
Nunca me esquecerei de permanecer o mesmo.
Nunca me esquecerei da primeira vez que a olhei.
Nunca me esquecerei que ela não te substitui,
Mas que diminui e faz esquecer um pouco a dor.
Nunca me esquecerei que ainda me dóis.
Nunca esquecerei a tua ausência.
Nunca me esquecerei que ela ficou.
Nunca me esquecerei que ela chegou.
Nunca me esquecerei que as amo.
Que os amo a todos.
Nunca me esquecerei que um dia não estarei.
Nunca me esquecerei que estou aqui, agora e hoje.
Nunca me esquecerei de não esquecer.
Nunca me esquecerei de viver.
Nunca me esquecerei de ti.
Nunca me esquecerei de ti.
Nunca me esquecerei!
Nunca esquecerei de amar os que amo e de lhes dedicar não só isto, mas tudo o que possa!

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=301767

Amar-te-ei sempre - 25Mar2019 15:33:36
Para ti:

Estou tão encantado por ti.
Tão fascinado por ti.
É tão belo o teu jeito de fazer milagres,
Por dentro das salas escuras e estranhas
Que existem no meu bizarro coração.
Adoro o jeito como penduras esses quadros
Com as nossas memórias,
Por cima de todas as más que ainda cá restam...
Amo a maneira como me decoras por dentro,
Como me sabes e me conheces.
Quando entras em mim,
Por entre o meu olhar de perdido
De sem saber quem sou,
Em passos leves de princesa,
De guerreira que me veio salvar.
Sorris;
E iluminas-me em todo o lado;
Em todo o lado onde eu nunca fui feliz...
...Fazes-me feliz dentro de mim próprio!

Amares-me assim,
Faz-me amar-te ainda mais.
Amo-te mais hoje mais que ontem,
E amanhã mais que em qualquer dia;
Até não haver dia mais nenhum para mim,
Nenhum dia para te ver.
Mesmo que um dia;
Como nos acontece a todos
Eu deixe de existir,
De sorrir
E de ouvir desta maneira que só eu sei te ouvir;
Cumprirei sempre a promessa que te fiz:
Amar-te-ei,
Sempre!

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=300660

Quero mudar o mundo. - 25Mar2019 15:33:36
Quero mudar o mundo.


Como eu sou,
Como o mundo tem sido,
Eu quero mudar o mundo.

Como eu sou,
Ciente de mim
Sem me saber
Assim calado ao silêncio
Escuro nada saber
De mim próprio,
Próprio de mim;
Eu quero mudar o mundo.

Assim como é o mundo
Desfigurado e horrível,
Grotesca criatura sem dentes
Que morde,
E nos deixa ao abandono;
De ser uma definição,
Uma palavra, ou gesto;
Como ao gosto se queira?
Inventado pelo homem;
O mundo quer-me mudar.

O Homem,
Ser humano
De patas grossas e insensíveis,
Ao coração
Que todo o outro animal
Tem mais do que ele.
O mundo,
Que nada mais é que a palavra
A servir a descrição.
O mundo quer-me mudar

Mudarei o mundo;
Mudar-me-há o mundo a mim.

Nem eu mudarei um grão ao mundo;

Nem o mundo um centímetro a mim.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=298820

O meu País - 25Mar2019 15:33:36

O meu país é meu.
Não importa o que me digam,
O país é meu
E não é de mais ninguém!

O meu país não é das saudades,
Não é da lágrima que cai ao coração;
Daquela mãe que, todos os dias, pára junto ao cais.
Ainda espera a caravela que não saiu;
A caravela que nunca lhe trará o menino.

O meu país só tem velhos
E só tem meninos

E os velhos já não morrem,
E os meninos já não crescem?

O meu país já não parte para o mar;
Já não tem marinheiros.
Agora tem os imigrantes
Que cá deixam o coração;
E quando voltam; estrangeiros,
Apenas para o Verão,
Já não sabem onde cresceram?
E tudo o que verão,
Serão as ruínas
Serão as ideias ultrapassadas
Em voz alta, declamadas,
No meio da rua
Para as mentes retardadas
Do meu país.

No meu país não precisamos de promessas
Nem de dinheiro!
Temos o trabalho cravado no rosto,
Daquele velho desdentado de sorriso posto,
Que o político cumprimentou às pressas,
Que um dia foi jovem e marinheiro,
E que hoje?não é ninguém!


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=298474

Quanto tempo já passou? - 25Mar2019 15:33:36
Quanto tempo já passou?
O que de nós ficou?
Eu já não sei?

Se me vires na rua
A passar como se na lua,
Chama por mim;
Que eu não vou olhar,
Nem te vou reconhecer
Nem te vou ligar.

Quanto tempo já passou?
O que tivemos, que não durou?
Porque foi que acabou?
Se dissemos que era para durar?
A quem demos a culpa?
A quem demos a dor?
Acabámos, por quem foi?
Se não nos dói, a quem dói?

Quanto tempo já passou?
O que foi que mudou?
Como está a tua vida?
Serás como eu,
E estás perdida;
Sem ninguém para amar?

O tempo passa a voar,
Trás-me as saudades
E a vontade de recomeçar,
Por trás das nossas mentiras
Existiram sempre verdades
Que nos fazem pensar.

Eu disse que já esqueci
Que consegui continuar,
Porque o tempo que passou,
Ajudou a curar?
Mas eu fingi!
Nunca quis o tempo a passar,
Nem deixar de te amar,
Nesta nossa simples discussão
Que afecta sempre o coração?


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=298298

Quando já não existirmos - 25Mar2019 15:33:36
Outros mares chegarão à praia.
Outra água e outro sal.
Outras lágrimas?
Outros anos passarão.
Nas páginas rasgadas que dão à costa,
Onde um dia escrevemos a nossa história;
Nada restará senão o papel da cor da tinta
Espalhada nas inexistentes linhas das folhas húmidas?

Nós morremos há muito tempo atrás,
Há muitos mais anos que tudo.
E quem por cá ficou,
Já não sabe quem nós fomos.
Foste tu a última a morrer.
Já uns largos anos depois de mim,
(Ainda bem que foi assim, não suportaria perder-te).
Foste tu que ficaste para ver
Como o mundo ficou,
Como nada mudou,
E da nossa história quase ninguém sabe.
Tenho já saudades de nós,
E ainda nem partimos.

Tenho a certeza que daqui a muitos anos,
Quando for-mos a bengala um do outro;
Quando a vida nos der de presente à morte,
Sei que nos iremos encontrar outra vez.
Que nos iremos amar novamente,
Como se fosse sempre a primeira vez?
Não sei o que há depois,
Se iremos andar de memória pelas coisas
Pelos locais e cuidando dos nossos demais,
Ou se implemente desapareceremos
Ou renasceremos de uma maneira.
Só Deus sabe dirá o padre que nos casará um dia.
?Só Deus sabe?.

Talvez possamos existir em muitos universos
E nos amar-mos em cada paralelo
Eu amo-te aqui agora,
Hoje e sempre!
Essas são as únicas certezas
E religião que terei sempre.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=298296

?Eu não quero estar aqui!? - 25Mar2019 15:33:36
?Eu não quero estar aqui!?


Quero que me olhes!
Que me vejas a mim;
Não o reflexo do que fui,
Do que posso vir a ser,
Ou o reflexo de um outro qualquer?
Aquele outro,
Que eu nunca vou chegar a ser.
Desculpa-me, mas,
Nunca serei um reflexo!
Desculpa-me, mas,
Nunca serei igual.

Tenho um sonho dentro de mim;
O sonho em que deixamos o passado,
Os medos, as mossas, os ciúmes;
E aquelas feridas arranhadas e já gastas,
Que deixaram buracos no coração?
Nesse sonho seguimos em frente;
Demos as mãos e seguimos em frente?
A estrada é comprida e sem luz,
Mas já me ensinaste a sorrir?
A não ter medo do escuro, e do silêncio
Porque sinto o teu corpo no meu;
Porque vejo o teu sorriso,
No som silencioso que a escuridão me traz;
E tudo se ilumina?

Eu ? quero estar aqui!
Não importa o quanto magoe,
O quanto traga as recordações
Que eu tanto procuro esquecer;
Eu quero estar precisamente aqui!
Porque te tenho a meu lado?
(Quero inventar-te a fala?
Ver os teus lábios mexer;
E fingir que é o que me dizes;
E não aquilo que realmente me dizes
Que magoa?)
?Eu não quero estar aqui!?

Desculpa se esta é a minha maneira de to dizer...

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=265976

"E é quando a escuridão vier" - 25Mar2019 15:33:36
E é quando a escuridão vier
Que eu quero que chames por mim
Num daqueles nomes carinhosos
Que trocamos sempre entre nós?
É quando esse dia negro e escuro vier
Que eu quero que me dês a mão
E consoles a minha profunda dor.
Não quero ter que cumprir a minha promessa
Porque não tenho coragem
Nem tenho tal pressa;
Por isso chama por mim, amor?
Há tanta coisa que tu não sabes ainda!
E existem coisas, que mesmo tentando
Jamais compreenderás alguma vez.
Mas quando chegar esse dia;
Que o tempo o separe bem longe de mim!
Quero que me impeças de correr,
Dos olhos inchados,
E das lágrimas que um homem não chora.
O pavão branco de antigamente já morreu;
Agora a metáfora de esperança és tu.
Não quero voltar a perder metade de mim,
Como já me aconteceu uma vez.
Por isso afasta de mim a escuridão;
Chama-me "Meu coração!";
Para que eu te sinta a importância?
E não morra nunca!


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=262732