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Carla Bordalo

Momento - 25Mar2019 15:33:40
Desgasto assaz palavras
cingindo ao sentimento
desfeito em sós bravas

Consumo levante atento
ausento largadas calmas
oculto em padecimento

Estrago energias salvas
expulso inteiro alento
em rimas vãs e parvas


Carla Bordalo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=277630

Cegueira - 25Mar2019 15:33:40
Contive a escuridão no ensaio de acompanhar trechos
Segui-te sem sucesso, decidi conduzir, enfim
Lado a lado!
Na sombra me deixar ficar.
Contudo, esperei na escuridão da vida
Silenciaste as palavras calmas,
De outrora.
As agudas atormentaram a noite e transformam
Os sonhos profundos do dia
Em pesadelos noturnos.
Sinto que aguardo a felicidade perdida dos anos
Empreendidos em movimentos circulares
Nos segundos.
Do ponteiro do relógio se encontraram os primitivos
Tempos e deixo-me ir? embalada pelo movimento
Recordo enquanto te tive aos meus pés
Agora gastos de tanto caminhar pelas vielas
Em que te perdi!
Esqueci algures nas vias estreitas,
Acanhadas nas sombras da caverna
Em que aprofundei os conhecimentos das imagens
Pelo sentido do paladar amargo da cegueira
Nada vi!

Carla Bordalo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=277570

Amarga desfolhagem - 25Mar2019 15:33:40
Saberei colocar o silêncio das palavras
Nas folhas de outono amarelas?
Poderia inventar o vento das folhagens
Em estima muda nas aragens?

Desfolhei-te como a uma flor
De cores brancas e singelas
Como a briza fresca de ramagens,
Em que simulam estranhas paragens.

E sei que o tempo é de nuvens bravas
Soprando tempestuosamente calmas
Em sofisticado agudo amor,

Como os tenros botões em flor
Em que perco neste odor
As minhas mãos suaves e largas.

Maria Carla Bordalo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=273482

Basta! - 25Mar2019 15:33:40
Basta!
De tantos poemas que escrevi
Não leste nenhum.
Engraçado, pois a maior parte foram para ti.
Dizem: ?Não tem veia poética?
Pois, ?nem sensibilidade para os compreender? ? digo!
?Nem tempo para olhar? ? penso!
Porque é no olhar que nos vemos
Que nos debruçamos em nós e nos outros
No nosso legítimo umbigo em que nos calamos
Quando o assertivo se transforma
Numa pessoa agressiva
E é quando a agressividade faz amuar
E o outro se torna passivo
E quase se anula
E decido ? basta!

Maria Carla

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=259174

Remendou a bordadeira segredos da tecelã,
Enquanto esta tecia em tear de pente liso,
Enrolando desacatos, em novelo de pura lã
Para o dar oferecido, em torcidos e um sorriso.

A roca fiava o linho, com fuso e dobadeira
Ajudava a costureira separando a fiação,
Elegendo o mais fino, no colo da fiadeira
Que o d? estopa ficaria disposto pelo chão.

A modista alinhavava quimeras de costureira
Rendilhadas pelos bilros, anuídos à tesoura,
Incutida de os tratar como moçoila solteira:
A bainha ponteada dispostas à sonhadora!

Enquanto esta tecia alforges de fiadeira,
A tecelã remendava utopias da modista.
Bordados no ponto cruz anelos d? aventureira:
Com agulha de croché retidos em curta vista.

Em delírio falseava a tecelã os segredos;
A bordadeira enfeitava em fios de algodão;
A modista enxertava agasalhos em enredos;
Que colhia a costureira os caídos pelo chão.

E ali se desfiavam pesares em fina linha
No tear da estamina, os tecidos engulhados.
E em farrapos soluçava a pobre costureirinha
Nos alinhavados trapos, sempre inacabados.

Carla Bordalo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=253043

O Teu Sorriso - 25Mar2019 15:33:40
Levantas as mãos em ninho
Olhas o horizonte no nada
Em que pensas? fofinho?
Se pouco falas e palavra dispara?

Mas se sorris, é para mim,
Ou sorris apenas para nada?
Faz-se noite quando deixas por fim
De sorrir, alegre em quebrada

Porque quando sorris o Sol nasce
Na longa linha que nos separa,
E eu, miserável, parada.

Sorri, sorri sempre para mim
Faz com que o frio tenha fim
Sorri, porque me sinto gelada.

Carla Bordalo


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=253040

Se o dia sofrer um fracasso
Fracassar é elementar
Do desgosto ao escasso
Da tua boca alimentar

Se o Sol brilhar no teu dia,
Amor teu que sorte seria
Decerto asas de aço
Algo brilhante a voar

Se o Sol não nascer um dia,
Teu coração morreria
Nada teria para dar

Mas se o Sol nascer um dia
A tua alma já sorria
E já poderias esvoaçar?

(para Borboleta Azul)

Carla Bordallo


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=253039

Nunca Mais! - 25Mar2019 15:33:40

Nunca mais direi que te amo,
Ao coração espelhado em vocábulo
Que na oferenda gratuita dum ramo
Invertem graciosas flores ao estábulo
Pois se no encontro do precioso ano,
À vergonha de falsos diamantes desposa-los?
Junto geriberas risonhas do aniversário
A mais um ano solitário!


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=205327

Lembranças - 25Mar2019 15:33:40
Gostaria que os sentimentos se transformassem
Por si só, em palavras.
Mas não podem, enquanto oprimidos,
não conseguem!

Mas as palavras, estas podem voar
hoje... mas só hoje!
E enquanto escrevo, lembro e
Recordo um momento do ser feliz.

Já que os sentimentos, a isso estão sujeitos,
Ao degrado das palavras enquanto escrevo
Me esqueço...
De tudo o que fui.

(lembranças)

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=203068

Maria da Manta - 25Mar2019 15:33:40
Vidas vividas na velha aldeia
Um pouco dela feia,
Despida por dentro. E no entanto,
Tantos contos a espreitar às janelas
Viradas para as ruas quase desertas
Em que quase ninguém passa.

Todos se lembram dela!
As crianças todas o souberam ser
De ternas infâncias.
Livres passarinhos!
Em brincadeiras velozes,
Até anoitecer? devagarinho.

As fontes acolhiam os rostos
Cansados, dos novos e velhos? alguns estoirados!
De tanto trabalho sacrificado
Desde a manhã em escassas águas
Que nos lavavam
De Verão em frescas nascentes.

Agora tudo é diferente!
Já não há crianças a brincar
Junto às antigas fontes. E os avós
Não precisam assustar
Os mais pequenos ficando sós,
Com o conto da ?Maria da Manta?.

Personificação de gente,
De algo que vivia dentro das profundas águas
Levando ao fundo, as crianças mais curiosas
Em seu manto envolvente.
Incutida a ideia mantinha a distância
Evitando a queda e o afogamento.

Agora, já ninguém lá cai.
Agora já ninguém vai beber a água da fonte,
Nem esperar que nasça limpa e fresca?
E escorra de mansinho para a ribeira
Onde as mães lavavam os cueiros
E as roupas apenas em dias soalheiros.

Carla Bordalo

http://crianca-ser.blogspot.com/2010/06/maria-da-manta.html

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=201795