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A infancia - 31Jul2017 13:13:00
"A infancia é o centro crucial do furacán da vida." [traduzido por Manuel Miragaia Doldan] "A infância é o centro crucial do furacão da vida." Delmar Maia Gonçalves Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2017/07/a-infancia.html SILÊNCIO - 31Jul2017 13:12:00
SILÊNCIO Na opresión hai un silencio intensamente ruidoso [traduzido por Manuel Miragaia Doldan] SILÊNCIO Na opressão há um silêncio intensamente ruidoso. Delmar Maia Gonçalves Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2017/07/silencio.html FUNERAL DA VERDADE - 31Jul2017 13:10:00
FUNERAL DA VERDADE Nai! Vou ao funeral da verdade Que a mentira é o rostro dos homes que plantan a cidade! [traduzido por Manuel Miragaia Doldan] FUNERAL DA VERDADE Mãe! Vou ao funeral da verdade Que a mentira é o rosto dos homens que plantam a cidade! Delmar Maia Gonçalves Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2017/07/funeral-da-verdade.html Ah! Se eu poidese - 31Jul2017 13:08:00
Ah! Se eu poidese
Se eu poidese medir a miña indiferenza Ah! Se eu poidese Entón si, quizá fose un Poeta de "vanguarda" Daqueles que escriben lonxe de todo, sobre todo Daqueles que escriben pedra no canto de corpo Daqueles que parecen fríos e son o que parecen Mais estar aqui non é iso e eu estou aquí. [traduzido por Manuel Miragaia Doldan] Ah!Se eu pudesse Se eu pudesse medir a minha indiferença Ah!Se eu pudesse Então sim, talvez fosse um Poeta de "vanguarda" Daqueles que escrevem longe de tudo, sobretudo Daqueles que escrevem pedra em vez de corpo Daqueles que parecem frios e são o que parecem Mas estar aqui não é isso e eu estou aqui. Delmar Maia Gonçalves Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2017/07/ah-se-eu-poidese.html ????????? ?? ?????? ? - 14Abr2017 09:37:00
????????? ?? ?????? ? ??????????? ? ?????? ?????? ????? (Poema traduzido por Tatiana Karpechenko) __________ NÁUFRAGO FRICANO Sou um náufrago em busca de porto seguro! Delmar Maia Gonçalves Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2017/04/blog-post.html Mulato - 15Jun2016 21:25:00
MULATO Kia kondi?o Estas ?i tiu Esti ?i estulo...! Por esti plene Afrikana Mi devas konsenti esti Kio mi ne estas Por esti tute E?ropana Devas mi ?ajnigi kaj provi esti tio kio mi ne estas Kia dilemo ?i tia esti tio kio mi estas estanta tio kio mi ne estas!Poesia de Delmar Maia Gonçalves traduzido para Esperanto por João José Santos Lisboa, 2016-03-22 MESTIÇO Que condição Esta de ser O que sou?! Para ser Africano pleno Tenho de admitir ser O que não sou Para ser Europeu de corpo inteiro Tenho de fingir e Procurar ser o que Não sou Que dilema este De ser O que sou Sendo o que não sou! Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2016/06/mulato.html Vulkano - 15Jun2016 21:23:00
VULKANO Estas Vulkano en erupcio Ene de mi Estas krateroj kaj grotoj profundaj Formitaj el sango kaj lafo! La reliefo de mia spirito Havas pli da pikoj ol pintoj!Poesia de Delmar Maia Gonçalves traduzido para Esperanto por João José Santos Lisboa, 2016-03-22 VULCÃO Há um Vulcão em erupção Dentro de mim Há crateras e grutas profundas Formadas de sangue e lava! O relevo do meu espírito Tem mais picos que cumes! Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2016/06/vulkano.html Homoino - 15Jun2016 21:21:00
HOMOINO En Homoino Destili?as larmoj En vaporo De tempo De kugloj.Poesia de Delmar Maia Gonçalves traduzido para Esperanto por João José Santos Lisboa, 2016-03-22 HOMOÍNE Em Homoíne Destilam-se lágrimas No vapor Do tempo Das balas. Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2016/06/homoino.html Sobre a ANTOLOGIA POÉTICA ?NA MARGEM DO SILÊNCIO E ALGUMA ABSTRACÇÃO? - 04Abr2015 23:51:00
POSFÁCIO Sobre a ANTOLOGIA POÉTICA ?NA MARGEM DO SILÊNCIO E ALGUMA ABSTRACÇÃO? Uma Jornada poético-literária dos afectos de longo curso Pediu-me o Poeta LINO MUKURRUZA que escrevesse um posfácio desta interessante Antologia. Uma grande empreitada que assinalo, de que muito me orgulho e me apraz registar. Sem querer diminuir ou excluir ninguém, pois são todos igualmente importantes e indispensáveis e sendo um espírito livre, destacaria sem dúvida a nova vaga de jovens escritores e poetas Moçambicanos que representam inegavelmente o porvir da Literatura Moçambicana : MUKURRUZA ( o idealizador e coordenador da obra), que bons olhos o vejam e guardem; TARUMA ; ARIJUANE; QUIVE; MUCAVELE; JOSHUA; DAU; LINEU; LEVENE; MILITAR; WAMBIRE, entre outros (kanimambo vida que os trouxe aos meus sentidos), cuja verve revolve as entranhas da Moçambicanidade e ?revoluciona? e renova a poética Moçambicana e quiçá das comunidades que se expressam na Língua Portuguesa escrita e também falada e cantada. ANDRÉ BRETON tinha razão quando afirmou insistentemente que a escrita automática é um dos meios mais seguros para devolver à palavra a sua inocência e o seu poder criador original. Já os Poetas VIRGINIA WOOLF e RAINER MARIA RILKE haviam falado dessa necessidade. E como precisamos de um olhar despretensioso, descomplexado, renovado, renovador e desempoeirado na poesia?! Alguém duvida? Basta ler, escutar, sentir e conseguimos ver. Como disse ABDUL KARIM ?Um anarquismo integral de produção natural, será a forma que se antevê irá ser escolhida pela humanidade emancipada.? Todos sabemos que o pensamento globalizante ou globalizado tem sido massivamente impregnado e perversamente estruturado pela lógica do ?terceiro excluído?, dito por outras palavras pela lógica da disjunção e da exclusão. Mas nós sabemos também que a vida não deve funcionar segundo esta lógica. Há outros caminhos e a nossa incerteza é a nossa certeza. Ninguém duvide portanto, digo eu , que a inteligência dos Poetas precisa de viver num mundo mais amplo do que aquele que nos oferecem. No fundo a liberdade criativa empurra-nos para a ideia de ANA HATHERLY que afirma ?Tornei a minha escrita ilegível, a fim de poder observá-la apenas gestualmente.?É preciso humildade para que tal suceda. Apagar-se sem desaparecer para iluminar a palavra. Nos cruzamentos encontros, desencontros e reencontros a poesia se faz respiração. Poeta quer dizer possesso. Não devemos confundir os artistas do verso com os criadores da poesia. Os primeiros interessam somente à Literatura, ao passo que os segundos têm um interesse indubitavelmente vital e universal como uma flor silvestre ou uma estrela polar. Os jovens Poetas e Escritores Moçambicanos já deram o prolífico grito poético que não é do Ipiranga mas será certamente de Lichinga, de Maputo, de Quelimane, da Beira, de Nampula, de Inhambane, de Xai -Xai, de Tete, de Pemba, de Chimoio e que fraternalmente abraçam como um ciclone de poesia em fogo Angola, Brasil e Portugal. São estas pontes que potenciam o fluir frutuoso das margens onde se juntam vozes, discursos e sensibilidades múltiplas e diversas ligando três continentes (África, América e Europa). A palavra escrita será sempre ouro para o futuro se a semente for lançada em território fértil. Que a poesia fale e cante sobre o milagre criativo e da vida que é magia pura e transparência enigmática. Embora como vate moçambicano na diáspora reconheça que meu barco navega sem proa tal como a fértil e prolífica poesia Moçambicana de que me reivindico migalha, é órfã de três bússolas icónicas incomparáveis: NOÉMIA DE SOUSA, JOSÉ CRAVEIRINHA e EDUARDO WHITE. Mas são essas mesmas bússolas que servem de orientação para que as pontes aconteçam e fluam em jangadas de poesia em brasa, como esta Antologia cujo mérito deve ser atribuído por completo ao vate MUKURRUZA. Indiscutivelmente somos sem rebuço o que comemos. Ficará pois nas encruzilhadas o aviso às opiniões e juízos de críticos altivos e pretensiosos que se autodenominam eruditos, de que a poesia não tem amos. O que vem da alma criativa não pode ser acelerado desregradamente em lume brando mas também não pode ser precocemente cerceado da liberdade do parto. Como disse o Poeta Português ANTÓNIO MARIA LISBOA : ?A seta já contém o alvo, mas só percorre a seta aquele que lhe conhece o alvo ; assim é de olhos vendados que o grande atirador alveja.? Ninguém é marginal ou paralelo a nada, principalmente na Literatura. Bayete Poetas! DELMAR MAIA GONÇALVES (ESCRITOR e PRESIDENTE DO CÍRCULO DE ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2015/04/sobre-antologia-poetica-na-margem-do.html Sobre "Contando até Dez" de Rejane Machado - 04Abr2015 23:37:00
A obra ?CONTANDO ATÉ DEZ? de REJANE MACHADO, uma Escritora Carioca, navega tranquilamente pelos turbulentos mares da crítica literária, percorre serena as pistas pacíficas da autoajuda, vagueia docemente pelo território das receitas culinárias e desagua nas crónicas de vida revelando o prazer de quem escreve e voa livre degustando, e bem, as palavras, uma espécie de ladrilhadora da palavra. Opção, decerto, arriscada, mas calculada e acertada. Nas suas sábias palavras, propositadamente e pela primeira vez não se esconde por detrás de personagens que vai inventando, reinventando, criando e recriando na sua já longa, vasta e prolífica produção literária. Valerá a pena descobri-la e redescobri-la nos múltiplos caminhos que percorre. É que há palavras que são como os seixos; há palavras que são como o mar. E o mar como sabeis chega ao infinito. Muito haveria a dizer sobre a obra e a autora mas ?as palavras são tão densas que prefiro suprimi-las?. Bayete. DELMAR MAIA GONÇALVES (ESCRITOR E PRESIDENTE DO CÍRCULO DE ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2015/04/sobre-contando-ate-dez-de-rejane-machado.html "Da Raiz (transparências)" - 04Abr2015 23:31:00
BREVE ANOTAÇÃO SOBRE O LIVRO ?Quando estou na Poesia tudo se torna mais claro?. Ainda bem. É essa a sina do Poeta. Por isso, não admira o seu objectivo afirmado e reafirmado ?Afastar a mágoa do mundo/Quero/Quero muito? e é natural que, de tanto pensar, conclua sabiamente ?Há um tempo para tudo/Por isso, às vezes não penso/Faz-me falta não pensar?. E como sabeis a poesia é vida. Vida que nos vai inspirando no seu encanto e desencanto num mundo onde cada vez mais reinam desumanos mascarados de humanos. Daí a impossibilidade do não-pensamento num Poeta, que é tragicamente um fiel guerrilheiro da verdade que busca incessantemente. Objectivamente as obras literárias como todas as obras de arte são de uma solidão infinita, mas trazem-nos a beleza e o espanto e, ainda, a riqueza da nossa singularidade poética no mundo. Com esta Poeta que se vai afirmando não poderia ser diferente. A candura da sua suave poética revela-nos o ser que nela habita e que serenamente vai lendo o mundo de forma muito particular e única, porque como diz convicta ?Há dias em que trago o mar dentro de mim?. E o Mar meus senhores, o Mar?, quem pára o Mar? DELMAR MAIA GONÇALVES (Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2015/04/da-raiz-transparencias.html Antologia Fernando Pessoa e Convidados - 04Abr2015 23:08:00
NOTA DE APRESENTAÇÃO Fernando Pessoa foi um importante poeta português, considerado hoje uma das figuras maiores das literaturas escrita, dita e falada em Língua Portuguesa. Nasceu a 13 de Junho de 1988, às treze horas e vinte minutos, no Largo de São Carlos nº4, 4º Esquerdo, em Lisboa, filho de Nogueira Pessoa, natural de Lisboa, 38 anos de idade e de Maria Magdalena Pinheiro Nogueira de 26 anos de idade, natural da Ilha Terceira no Açores. Estes pormenores não seriam importantes, não fora o poeta um ilustre esotérico. Seu pai, funcionário público do ministério da justiça era crítico musical, e quando morreu deixou-o com apenas 5 anos de idade. Aos 6 anos de idade morre o seu irmão Jorge, altura em que cria o seu primeiro heterónimo o Chevalier de Pas. Com apenas anos de idade, escreve a sua primeira poesia, uma quadra dedicada à sua amada mãe. Nesta altura, parte com a mãe para a casa do seu padrasto o Comandante João Miguel Rosa, Consul de Portugal na República Federativa da África do Sul. Em 1901, com 13 anos de idade, escreve o seu primeiro poema em inglês, ano em que regressa a Portugal, abalado, navegando os oceanos para acompanhar o corpo da sua irmã Magdalena Henriqueta, falecida em Durban. Em 1902, vai aos Açores, à Ilha Terceira, com a mãe para estar com a família materna. Regressa novamente a Durban para estudar. Em 1906, regressa a Lisboa e passa a viver com a mãe e o padrasto. Após a morte da sua avó Dionísia, deixa Lisboa e vai viver sozinho em Portalegre, tendo regressado a Lisboa para montar uma tipografia. E quando falamos de Fernando Pessoa, de quem falamos realmente? De Ricardo Reis? De Alberto Caeiro? Ou de Álvaro de Campos? Certamente de todos num e do mesmo em todos. Todos estes acontecimentos, referidos anteriormente, moldaram o homem e o poeta que foi, como dizia o próprio poeta poliglota, ainda que precocemente ?adivinhador de futuros? ? Estou cansado de confiar em mim próprio, de me lamentar a mim mesmo, de me apiedar com lágrimas sobre o meu próprio eu ? e sem dúvida marcou o seu lugar no mundo quando afirmou ? Ora a civilização consiste simplesmente na substituição do artificial ou natural no uso e correnteza da vida. Tudo quanto constituí a civilização, por mais natural que nos hoje pareça, são artifícios. Por isso, esta justa homenagem ao poeta maior da língua portuguesa, no seu dizer Pátria sua, consegue gerar unanimidades e consensos sobre a sua reconhecida grandeza, reunindo poetas de países diversos irmanados pela poesia e pela língua comum, embora abraçando sua heterogeneidade e universalismo. No entanto, é bom que fique sempre claro, que ?cada homem é um oceano. Nunca chegamos verdadeiramente a conhecê-lo? e que ?a poesia é a expressão sublime do real e do imaginário surreal?. Sempre afirmei que o poeta se revela na generosidade com que se dá aos outros. Fernando Pessoa sempre se ofertou ao mundo, almejando um futuro melhor e renegando o hoje que o desencantava, por isso escreveu ? Amanhã é dia dos planos. Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo. Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã ? aqui se revela o poeta visionário, que premonitoriamente prevê o seu futuro. Aos poetas antologiados apenas se pode pedir que continuem dignificando o sonho deste poeta maior, dignificando-se. Delmar Maia Gonçalves (Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2015/04/antologia-fernando-pessoa-e-convidados.html "Da Poesia? Ou de como se justifica um ponto de interrogação." de Jorge Viegas - 04Abr2015 00:22:00
PREFÁCIO Ao escrever este prefácio a pedido do poeta Jorge Viegas, sinto enorme responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma grande alegria por estar a fazê-lo por um amigo que respeito e um autor que aprendi a admirar. Outra coincidência feliz, é que, ambos recebemos a bênção ancestral quelimanense e somos provenientes do torrão Zambeziano. Se bem me recordo, li algures que o sábio Lao Tsé já afirmara que ?A humildade é a maior das virtudes? e nós sabemos que a humildade é tão velha como a história da civilização humana. Ao conhecer o Poeta e o Homem, pude constatar que a modéstia, por vezes exacerbada, é a sua principal marca/ característica/ virtude, embora não seja a única que possui. Trata-se, na verdade, de um excelente poeta e declamador moçambicano, hoje, na diáspora. Em várias tertúlias e encontros sempre elevou vários nomes quer da literatura moçambicana, quer da literatura universal, chamando-lhes de poetas-maiores, quase ignorando o seu. Embora estejamos de acordo em múltiplos aspectos da literatura, neste aspecto particular, permitam-me discordar dele. Sempre acreditei que para que a nossa estrela brilhe não é necessário apagar a luz de ninguém. O mesmo se aplica no sentido inverso. Pelo que, é de inteira justiça afirmar que ele próprio já faz parte de uma galeria de autores que ficará para sempre na História da Literatura Moçambicana e augurando futuros, também na Literatura Universal. A modéstia não conseguirá apagá-lo, ainda que, como poeta genuíno que é, procure ?naturalmente? praticar zelosamente o poema. Por outro lado, sempre acreditei que ?o poeta se revela na generosidade com que se dá aos outros? e ele fá-lo com total entrega, sem nada esperar ou exigir em troca. Esta publicação antológica, embora tardia (mas nunca é tarde demais para nada) é inteiramente merecida e faria todo o sentido se acontecesse numa grande editora. Infelizmente, as grandes editoras de hoje (e desde sempre) apontam as baterias recarregando-as nalguns nomes grandes que o são, na verdade, por um apurado trabalho de marketing comercial (entre outros) e não apenas fruto da sua grandeza de facto em termos de criação literária. Sempre preocupado com a estética, afirma convicto ?? o poema só pode ser perfeito se o poeta for dos deuses o eleito?. Profundamente possuído pela modéstia, reafirma ?sei que jamais farei um poema nitidamente meu. /A minha visão dos homens, das cousas e da vida, é visivelmente perturbada pela visão dos outros./ São os outros que olham, e não eu.? Será isso a prática do poema? Não poderia deixar de especular sobre este aspecto. É por essas e por outras que acredito serem os poetas uma espécie de vendedores de passados que anunciam um futuro que não foi. Embora cultive obsessivamente a humildade desde muito jovem, como o prova este poema ?Carta a Régio?, ?Vou tentar mascarar-me de palavras para saudar-te./ Sou ainda não o sabes, decerto, sacerdote da religião que tem um Rimbaud por Cristo?/Venho por mim, umbilical e subjectivo como tu, sensacionista e grande como uma pirâmide,/pedir uma carta de recomendação que me ponha de boas graças com o diabo?? Como dizia Rilke ?Uma das provas ou desafios, a que tem de se sujeitar o poeta é que tem de permanecer inconsciente e ignorante em relação aos seus próprios dons se não quiser privá-los da sua ingenuidade e da sua pureza!? Neste livro é difícil separar o conteúdo do autor do mesmo. E isso, é já por si bom sinal, na medida em que estamos perante a harmonia das palavras e a prática das mesmas ou pelo menos da crença nelas, há portanto, uma fusão total entre ambos. Por fim, as palavras revelam a estatura do Autor. Bayete pois então para o Poeta! DELMAR MAIA GONÇALVES (Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2015/04/da-poesia-ou-de-como-se-justifica-um.html "Ian Amos Komenský (Coménio)" de Delmar Domingos de Carvalho - 03Abr2015 23:48:00
Ao ser convidado pelo autor para escrever o prefácio deste valioso livro sobre esta admirável, singular e incomparável personalidade visionária e cosmocrata, com vastíssima formação e qualidades excepcionais, senti-me honrado e feliz. Só podia ser assim, pois razões há-as de sobra. Comenius é uma daquelas raras personagens da história da humanidade que vale a pena conhecer, ou revisitar, até pelo seu brilhante exemplo de honestidade, coragem, coerência, abnegação e tenacidade. É importante que não nos esqueçamos do contexto e da época conturbada e de enorme intolerância que viveu, além de uma infância marcada por tragédias e dramática solidão. Julgo ter sido a forma ágil, paciente e sábia como filtrou e absorveu tudo isto e soube inverter a flecha do infortúnio através do cultivo da sabedoria interior que potenciou e desenvolveu, que o tornou num ser raro e extraordinário. Tantas são as qualidades desta personagem única que se torna difícil enumerá-las. Vistas bem as coisas de todos os prismas, acaba por ser um empreendimento de grande mérito esta ambiciosa iniciativa editorial do humanista e escritor português Delmar Domingos de Carvalho, prontamente abraçada e apoia-da pela CEMD EDIÇÕES, de convocá-lo para a actualidade num momento particularmente crítico da sociedade em que a palavra crise ganhou uma dimensão que ultrapassa em muito a área económica e atravessa todas as esferas do seu funcionamento e a palavra de ordem é a globalização económica e dos saberes. E, no entanto, estranhamente caracterizada por muitos avanços e retrocessos, fruto da ganância, egoísmo e ignorância humanas. Por isso é sem dúvida de saudar e acarinhar o ressuscitamento/ ressurgimento de exemplos concretos de homens que marcaram a diferença em épocas tão ou mais difíceis contribuindo hoje, mais do que nunca, pelo seu exemplo como forma de encorajamento às novas gerações que actual-mente vivem uma impressionante crise de valores, espelho da sociedade em que vivemos e que construímos, sem sentido crítico ou autocrítico, pese embora todas as conquistas alcançadas no progresso da humanidade em todas as áreas. Como dizia com razão e bem Benjamin Constant ?Não acreditamos em nada do que afirma uma autoridade que não permite que se lhe responda.? Claramente sempre nos faltou tempo para uma aprendizagem da aprendizagem. Chegou pois a hora de fazê-lo retomando o caminho já iniciado no passado. A aprendizagem é contínua e para a vida Só um ser humano com a grandeza incomparável e inquestionável como COMENIUS seria capaz de escrever ?De rerum humanarum emendatione consolatio catolica?. Atentemos a profundeza e grandiosidade desta alma de luz e do seu pensamento: ?Por consequência, se quisermos que a desumanidade dê lugar à humanidade, devemos procurar incessantemente os meios de atingir esse objectivo. Esses meios são em número de três: Em primeiro lugar, os homens devem cessar de confiar demasiado nos sentidos e, atendendo à comum fragilidade humana, devem reconhecer que é indigno sobrecarregarem-se mutuamente de ódio por razões fúteis; deverão de um modo geral, perdoar-se as lutas, danos e ofensas do passado. Chamaremos a isso apagar o passado. Em segundo lugar, ninguém deverá impor os seus princípios (filosóficos, teológicos ou políticos) a quem quer que seja, pelo contrário, cada um deverá permitir a todos os outros que façam valer as suas opiniões e que gozem em paz aquilo que lhes pertence. Chamaremos a isso tolerância mútua. Em terceiro lugar, todos os homens deverão tentar, num esforço comum, perceber o que é preferível fazer e para o conseguir, devem conjugar as suas reflexões, as suas aspirações e as suas acções. É aquilo a que chamaremos conciliação.? Fabuloso legado ao futuro. Um Testamento visionário, um autêntico Tratado do Humanismo. E COMENIUS pagou caro por ser um ?visionário? demasiado avançado para o seu tempo, um autêntico ladrilhador do grande empreendimento humano, pois sabia que se negavam as verdades que eram necessárias à sociedade para que as ciências florescessem e se disseminassem. Sabia também exactamente qual a importância e o peso que tem a livre circulação das ideias que impulsionam e suportam a evolução. Consideramos por todas as razões e factos enumera-dos um livro vivamente aconselhável e a descobrir que navega pelas águas da reflexão, Biografia histórica, Pedagogia, Didáctica, Educação, Teologia ecuménica cosmocrata, Filosofia, Direito, Política, Retórica, Fotografia, Arte e Literatura. Sempre em sentido ascensional. Basta ler, escutar, sentir e conseguimos ver. Kanimambo Delmar Domingos de Carvalho. Bayete!!! DELMAR MAIA GONÇALVES (Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2015/04/prefacio-de-ian-amos-komensky-comenio.html ROSA VAZ - A CULTORA DOS AFECTOS - 03Abr2015 13:25:00
ROSA VAZ ? A PINTORA CULTORA DE AFECTOS DA ARTE AO ELOGIO Escrevo eu, um vate Moçambicano encalhado na velha e histórica OLISIPO sobre a autenticidade dos feitiços da arte da pintura e cerâmica de um imbondeiro Angolano Africano embrenhado na Minhota e também histórica BRACARA AUGUSTA e que dá pelo belo nome de uma flor: ROSA, quase sempre como que ?simbolicamente? rodeada de espinhos protectores marcando, desde logo, a diferença. Na verdade nunca me foi difícil como poeta pôr em prática a arte do elogio com os confrades das artes e vates. Mas como amante da verdadeira arte e da poesia nela contida em especial, aprendi a torcer o nariz, negando o elogio ou julgamento fácil porque sempre odiei a bajulação reinante nesta esfera humana do caos. Uma convencionada e regrada espécie de troca de favores de que me demarco. É aí que nasce e surge rebelde e livre, com asas, a crítica sincera mas invariavelmente vertical, séria, descomprometida e rigorosa. A arte pela arte. Separe-se, pois, o trigo do joio , que nem tudo é arte nem tudo é poesia e nem tudo é engenho e excelência. Ah, mas aqui há e é das entranhas de África! Ao olhar para a pintura desta ?feiticeira? das policromias encantatórias da África e da Angola profundas lembro-me por deferência da poesia das cores dos Mestres da pérola do Índico ROBERTO CHICHORRO e BERTINA LOPES e da policromia geométrica do Mestre Angolano ELEUTÉRIO SANCHES. Nada que apague a já longa caminhada criativa singular de autenticidade no estudo, na espontaneidade e perseverança de Rosa Vaz , carregada de uma orgia de cores e tilintar de batuques . Indiscutivelmente a sensualidade encalorada das mulheres dos trópicos transparece convidando-nos ao deleite e alimentando nosso olhar esfomeado da intensidade da poesia das cores. Lembrando-nos a nós (de outras luas de poesia) que vivemos neste pedaço de céu da generosa Península Ibérica que estamos na Europa, junto ao Atlântico, e que somos orgulhosamente pedaços de pau preto de África disseminados pelo mundo (de onde ambos somos provenientes na geografia humana). Uma diferença que só nos enriquece e ainda mais na Arte. Os seus trabalhos pictóricos policromáticos de qualidade inegável sintetizam-na e transcendem-na. A poesia das cores, o sonho na poesia, a realidade, a nostalgia e o automatismo psíquico estão indesmentivelmente na origem da concepção de toda a sua obra, quer na pintura quer na cerâmica atingindo a excelência dos Mestres. O grito da África profunda lá está e não engana. Bayete. DELMAR MAIA GONÇALVES (Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2015/04/rosa-vaz-cultora-dos-afectos.html ANTOLOGÍA HETEROGÉNEA DE POESÍA,PROSA POÉTICA Y MICRORELATO "Alquimia del fuego" - 03Abr2015 13:18:00
FUEGO DE LA VERDAD Madre arde en mí el fuego de la verdad nada ni nadie me podrá salvar porque la mentira es el rostro de los hombres que fundan la ciudad. Delmar Maia Gonçalves Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2015/04/fuego-de-la-verdad-en-mi-fuego-de-la.html ANTOLOGÍA HETEROGÉNEA DE POESÍA,PROSA POÉTICA Y MICRORELATO "Alquimia del fuego" - 03Abr2015 13:12:00
SILENCIO EN LLAMAS Cuando el silencio produce silencio veo el silencio encendido gritar en el silencio. Delmar Maia Gonçalves Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2015/04/antologia-heterogenea-de-poesiaprosa.html ?DIAS SERENOS? de LUÍS PEDRO PROENÇA - 28Set2014 19:53:00
A iluminação espiritual tem algo a ver com o ponto do espírito onde o alto e o baixo, o interior e o exterior, o superior e o inferior, o sonho e a acção, o real e o imaginário, deixam de ser percebidos contraditoriamente. Assim que se começa a estudar o zen, uma árvore não é uma árvore, um rio não é um rio. Deixam de o ser. Assim que se atinge a iluminação espiritual, uma árvore é de novo uma árvore, um rio é de novo um rio. O método que consiste em não seguir nenhum método é o método por excelência. Alguém duvida? O dia e a noite deixarão de opor-se. Na realidade, nunca se opuseram. A raiz comum na imaginação será reconhecida. Sendo o exterior à imagem do interior, a vida será uma autêntica obra de arte. Na verdade, uma obra-prima única e inigualável. O nosso intelecto é inegavelmente necessário para compreender as próprias limitações. Segundo a experiência e perspectiva zen, o verdadeiro conhecimento é inseparável da experiência imediata. És posto à prova sozinho. Mas se o homem olhar bem para dentro de si, adquire indubitavelmente a consciência superior da sua magnífica solidão, que o isola sim, mas não separa do resto da existência. Aquele que é senhor de si mesmo, que é capaz de ouvir o que os outros dizem e não dizem, penetrando no pensamento com uma agilidade mental admirável, estará em condições indiscutíveis de compreender mil e uma coisas diferentes de uma realidade sem nome e sem forma definida. A definição, mais ou menos clássica ou mais ou menos académica, só satisfaz aqueles que querem rotular o conhecimento separado da própria vida. O verdadeiro conhecimento não é rotulável nem hierarquizante. E nunca em momento algum deveria ser separado da vida. O zen oferece-nos condições para que vivamos completamente livres do condicionamento das emoções negativas sempre nefastas, e da condição de alienados. A humildade é portanto a condição número um para que tal suceda. Mas também não podemos esquecer a dedicação constante e diária para nos conhecermos e para vigiarmos o nosso comportamento inconstante. No que à grande quietude do Poeta iluminado diz respeito, ele nunca está sereno por se dizer que a bendita serenidade é excelente. Está sereno porque a enorme e gigantesca multidão de coisas não pode jamais perturbar a sua serenidade, jamais! As palavras fazem amor. As palavras- actos e não as que pressupõem actos. Nós passamos a respirar as palavras ? actos. Não há separação. E isto só é possível com o zen. Ou não? Quando ?trabalhamos? somos como flautas e no nosso coração o murmúrio das horas, do tempo soa como música. Uma música harmoniosa. E o que é trabalhar com amor? É tecer o nosso pano com os fios do coração, como se estivéssemos a tecer e moldar a roupa do nosso mais que bem amado universo em que viveremos. Recordando o grande Poeta RABINDRANATH TAGORE diremos então que ? Sobre as tramas do nosso finito que é infinito e cuja tapeçaria bordamos quotidianamente nossas vidas, acaba sempre visível a mais ínfima nódoa!? Por isso se torna vital a nossa harmonização interior para que expressemos um exterior muito mais transparente, mais sereno e sem mácula. DELMAR MAIA GONÇALVES (ESCRITOR e PRESIDENTE DO CÍRCULO DE ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA ? CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2014/09/dias-serenos-de-luis-pedro-proenca.html ?TCHANAZE, a donzela de SENA? de CARLOS PARADONA RUFINO ROQUE - 28Set2014 15:26:00
Uma obra em segunda edição (a primeira foi em 2009) que resgata a riqueza cultural ancestral africana e a aura de mistério que rodeiam as tradições e os mitos ancestrais africanos numa linha que deu continuidade mágica em ?N´TSAI TCHASSASSA A VIRGEM DAS MISSANGAS?, o seu segundo magnífico romance de 2013 e depois do seu anterior, inicial e sereno navegar pela Poesia em ? GESTAÇÃO DO LUAR? em 1991. O ressuscitamento e cruzamento ficcional de mitos, lendas, ritos e tradições ancestrais é a sua imagem de marca. Estamos, portanto, perante um escritor Moçambicano e Africano de longo curso (porque nos oferece muitas possibilidades de leitura e releitura e, porque muito esperamos dele e da sua sagacidade, talento, engenho e da sua já consolidada maturidade na escrita). A revalorização e convocação das tradições, dos ritos e dos mitos do grande ZAMBEZE será como que uma recuperação simbólica desse estado civilizacional anterior aos quase fatais golpes de força externos (colonização, aculturação e assimilação) e internos (independência, revolução, socialismo científico, monopartidarismo , pluripartidarismo, democracia, capitalismo e globalização), sua assumpção na escrita moçambicana em língua portuguesa que ganhou hegemonia, estrangulou-a, asfixiou-a, mas não a apagou nem apagará como prova este autor e esta obra e ainda outros autores como PAULINA CHIZIANE que a prefaciou ou UNGULANI BA KHA KOSSA que fazem abordagens ficcionais desconstrutivas, críticas e autocríticas das sociedades africanas ancestrais e actuais. CARLOS PARADONA RUFINO ROQUE resgata com profundidade os valores tradicionais, valores próprios das culturas de tradição oral de um passado que nunca esteve nem estará ausente de/ em África, convocando-os do passado para o presente rumo ao futuro. Não se trata de regressar ao passado, mas de trabalhar a modernidade sem renegar o passado ou virar as costas ao rico e vasto património cultural tradicional ancestral que urge hoje mais do que nunca preservar e revalorizar em memória escrita, ainda que ficcionada. É essa a missão do escritor. Ao trazer estas formas e o imaginário africano, moçambicano e bantu da tradição oral para a sua obra, CARLOS PARADONA RUFINO ROQUE chama a atenção para todo o manancial e riqueza das culturas bantu moçambicanas mais profundas e enraizadas que já chegaram a ser rotuladas como meras superstições e puro exercício do obscurantismo, primeiro pelo colonialismo e depois pelos conturbados ventos da revolução moçambicana. Nesta óptica, a recuperação dos valores ancestrais do mundo tradicional bantu, uma vez que é a rejeição clara de posturas exógenas, cumpre uma função histórica e pedagógica de um irreversível processo de desassimilação, de demarcação relativamente ao que é exterior e estranho à(s) cultura(s) genuinamente Moçambicana(s). Podemos concluir dizendo convictos que a presença dos modelos de tradição oral neste autor é sabiamente orientada fundamentalmente por um espírito de afirmação claríssima da identidade cultural Moçambicana e da reafirmação inequívoca da identidade de uma literatura emergente e consolidada por um conjunto de autores variados de grande qualidade. Por essa razão atrevemo-nos, pois, a afirmar que se quiserem conhecer as entranhas do MOÇAMBIQUE profundo, na misteriosa e labiríntica região do grande ZAMBEZE, mergulhem na aventura desta obra ficcional que este autor generosamente nos oferece. Segundo o ilustre académico Moçambicano Lourenço do Rosário «As narrativas de tradição ?oral? africana têm uma forte componente didáctico ? moralizante», isto reflecte-se aqui na sua estruturação magistralmente construída, porque nos ensina que no MOÇAMBIQUE profundo por vezes oculto os vivos e os mortos, o visível e o invisível se entrelaçam na roda do mundo em que vivemos e por onde caminhamos na eterna dança do quotidiano ao som dos passos do batuque e que há saberes propositadamente ocultos ou adormecidos que devem ver a luz do dia. Por outro lado, não nos esqueçamos que foi indubitavelmente com o mito que a história humana sempre e em toda a parte começou; foi através do mito que os vocábulos, os símbolos originários tomaram a sua primeira forma e cada era nova da história os redescobriu à sua maneira. Ora, como se sabe o processo cultural de onde a literatura de MOÇAMBIQUE emerge tem grande parte das suas raízes mergulhadas no mito, vivificado no quotidiano e presente na visão religiosa ou animista ?africana? e religadora do homem à terra e ao transcendente. Bayete pois para o Escritor CARLOS PARADONA RUFINO ROQUE. DELMAR MAIA GONÇALVES (ESCRITOR e PRESIDENTE DO CÍRCULO DE ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA ? CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2014/09/tchanaze-donzela-de-sena-de-carlos.html PREFÁCIO do livro ?Olhar de uma Africana? de Margarida Tavares - 26Set2014 22:35:00
O tempo foi curto para um empreendimento desta dimensão, natureza e responsabilidade, e o nível de auto-exigência desproporcional. Mas o que fazer? Dizer não? Como resistir ao apelo da África viva? Como resistir ao apelo da poesia? Como resistir à fraternidade humana? Como resistir ao apelo da Lusofonia? A Autora, ?mais um precioso pedaço de pau-preto disseminado pelo Mundo?, nas palavras da malograda e grande Poeta Moçambicana NOÉMIA DE SOUSA, abraça a Lusofonia como quem se embrenha num Poema inacabado para finalmente concretizá-lo. Decifrar seu universo enigmático e singular, no plano de uma poética subjectiva, torna-nos ainda mais cúmplices de uma experiência ou conjunto de experiências que envolvem a própria vida. Mas, não é verdade que cada ser humano é ele próprio uma ilha nascendo noutras ilhas? Fica-nos a poética pujante e pungente de MARGARIDA TAVARES, uma mãe coragem de África, para com ela nos deliciarmos e descobrirmos também as ilhas que há em nós, individual e colectivamente, para finalmente redescobrirmos a maravilha da infalibilidade da interdependência. Este livro, como a Autora, é de uma audácia que vale a pena descobrir. Títulos como ?Os líderes Africanos?, ?Regresso de um Emigrante?, ?Preto?, ?Africana?, ?Crianças Africanas?, ?Estudantes Africanos?, ?Cabo-Verdiano?, ?Continente Africano?, entre outros, provam que a África vai pulsando nas diásporas e sugerem o orgulho nas/das origens, o orgulho de ser Africano e um claro e pujante apelo fraterno da presença Africana no mundo. Na verdade, tudo o resto estará nas entrelinhas do subjectivo e secundário, que África não se encerra nunca nas páginas dos livros e MARGARIDA TAVARES cantá-la-á sempre e enquanto respirar e, ainda mais, sempre que um Leitor atrevido e sedento devorar esta obra que urge descobrir e redescobrir. É fundamental, pois, que cada um de nós ao lê-lo, olhe bem para dentro de si próprio para adquirir a consciência da sua magnífica solidão que nos enriquece e enriquecerá sempre na diferença. África essa continuará a dançar na autora ao som dos batuques, em nós Leitores e no Mundo, através destes belos, altivos e fraternais Poemas. DELMAR MAIA GONÇALVES (ESCRITOR e PRESIDENTE DO CÍRCULO DE ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA ? CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2014/09/prefacio-do-livro-olhar-de-uma-africana.html Auto-biografia ?Del Mar? - 24Set2014 23:07:00
No Índico chamam-me ?Menino do Mar? porque nasci lá perto, bem junto ao Rio dos Bons Sinais, em Quelimane. Sim, ?Menino do Mar? e nunca me deram outro nome, que não este. E em mim moram Zambezes e Tejos. Há quem me chame ?Mariñero?. No Golfo da Biscaia também me chamam ?O Mar? e junto ao Mar Tirreno chamam-me ?Do Mar?. Curioso, nunca me lembrei de tanta coincidência junta, diziam as antigas lendas africanas, que lá nos mares distantes, bem longe, haviam abismos medonhos e profundos. Terei eu algum abismo profundo que abrigo desde tempos imemoriais? Sei, como corpo estranho, que me encontro preso nas entranhas de mares distantes mais a norte, junto ao Atlântico e a fala do mar Índico, que transporto ecoa ao longe, lá muito ao longe, faz tempo, muito tempo. Se eu não chegar ao meu destino, chegará o meu pequeno barco de sonhos, que procura um destino seguro. Delmar Maia Gonçalves ( Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2014/09/auto-biografia-del-mar.html Agenda 2015 Literarte-CEMD - 22Set2014 22:41:00
A agenda artístico-literária da Literarte/CEMD 2015 é um tesouro cada vez mais raro no contexto actual global em que vivemos e nos movemos. Na verdade, há viventes que tentam matar a poesia da vida, para que a descrença predomine. E sabemos bem que a poesia é vida. É missão por isso dos escritores, poetas e artistas plásticos devem remar contra a maré, declarando claramente alto e bom som ? BASTA! Viva a Poesia da Vida! Estamos perante um desafio gigantesco de empreendedorismo artístico, voluntarioso, que certamente dará os seus frutos. A perseverança triunfará finalmente sobre a descrença que, moribunda, sucumbirá! Faça-se pois luz onde pouco ou nada se faz, onde nunca se fez e calem-se os rumores! A arte da escrita reergue-se nesta agenda que trás consigo a grande virtude de criar pontes e marcá-las, provando que só desta forma se cumprirá o lema: ?Abrindo os caminhos da Lusofonia! Delmar Maia Gonçalves (Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2014/09/agenda-2015-literarte-cemd.html "Deambulações pela Escrita" de Ascêncio de Freitas - 22Set2014 22:18:00
Há sempre escritores que deixam marcas na água. Ascêncio de Freitas é um deles. Na verdade, coloco-o no mesmo patamar e na senda de grandes escritores universais lusófonos como Jorge Amado, José Luandino Vieira, Ruy Duarte de Carvalho, José Saramago, Manuel Lopes, Lobo Antunes e Baltasar Lopes. Com um percurso literário ?sui generis?, sempre navegando entre Moçambique e a Península Ibérica, sempre soube aproveitar os contactos com as grandes correntes literárias modernas através do seu conhecimento profundo das ideias, história, modelos, estéticas e ventos que os vários ?exílios? lhe proporcionaram e tão bem soube e sabe usar na arte da escrita. Delmar Maia Gonçalves (Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2014/09/deambulacoes-pela-escrita-de-ascencio.html ?LUÍS SOARES ? UM ARTISTA QUE VÊ CLARO NA PRÓPRIA NATUREZA? - 22Set2014 21:39:00
?Luís Soares ? um artista que vê claro na própria natureza? Sempre tive presente que os mares do Índico trazem consigo algo de mágico no restrito planeta das artes. A verdade é que a ?pérola do Índico? é banhada pelo oceano e quem lá se banha, marcará a diferença no mundo, dizem os búzios da inhaca. Luís Soares, mestre da pintura e da cerâmica que tem o talento como bênção e é um navegador de todas as artes plásticas, confirma todas as sinas que um qualquer feiticeiro de Marracuene ou da Munhava predisseram. Ninguém como ele passa com tanta mestria do gesto ao signo e do signo à figura. Revelador de uma capacidade sui generis de criador artístico compulsivo, integra uma lista de elite proveniente de Moçambique que incluí nomes como Chichorro, Malangatana, Chissano, Shikani, Pádua, Naguib, Matsinhe, Canotilho, Morais, Maluda, entre outros. Nele em especial a arte e a vida instalaram os seus movimentos perpétuos, os eternos retornos, desencadeados pelo sonho dos ventos invisíveis da criação que se vão tornando visíveis. A arte revela-nos o ser em toda a sua extensão com uma noção de espaço alargada que vai da África profunda atingindo os cumes da Península Ibérica. A sua policromia não engana. Podemos então dizer que a poesia Índica do pincel navegou do Zambeze ao Tejo atracando serenamente em Cascais. Bayete pois Poeta do Pincel ! Delmar Maia Gonçalves (Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD) Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2014/09/luis-soares-um-artista-que-ve-claro-na.html Anotações ? O HABITANTE DA NOITE OU O LAVRADOR DE PALAVRAS? de Álvaro Fausto Taruma - 13Set2014 00:52:00
? O HABITANTE DA NOITE OU O LAVRADOR DE PALAVRAS? O ofício da escrita definitivamente não é para todos. Podemos afirmá-lo com inteira convicção. Mas neste caso específico é claro o talento nato da poética deste jovem autor Moçambicano que emerge das águas sagradas do índico. Por isso, destemido, reivindica com razão ?Um lugar onde possa fazer amor comigo mesmo, com os halos que se percutem na memória?, fazendo lembrar a fala de Zaratustra que terá dito ?E logo que experimenta ternas emoções o Poeta pensa que a própria natureza está apaixonada por ele, e que se lhe acerca ao ouvido a sussurrar segredos e palavras carinhosas: é disso que se gabam e vangloriam perante todos os mortais? Não deixa de ser significativo que esta obra tenha emergido das margens da Literatura Moçambicana onde abundam jovens com enorme potencial criativo, embora nem todos com este nível de maturidade. E tudo isto no momento certo, acrescentaria eu para completar a equação. O tempo fará a necessária filtragem, que não nos cabe definir enquanto protagonistas da mesma arte. Para quem o conhece bem certamente perceberá que há uma fusão permanente do autor enquanto poeta, do país que o viu nascer e o retêm e do homem que nele habita! Por isso, claro e conciso vai afirmando ?Entristeço-me sempre que me revejo neste trapezista solitário no circo cada vez mais vazio e assustador de onde só se aplaude os malabaristas desenfreados da democracia?. Ouviram o poeta? Tê-lo-ão percebido? A densidade das palavras não se mede pela sua extensão. É o que é, não é? Por isso o vate mais uma vez e sem se deter acrescenta ?De certo é belo o meu país mas deste modo custa-me vê-lo com a magia que empresto ao meu olhar, e não se espante no dia que tão cedo vier a bater-lhe a porta com uma carta de demissão nas mãos. Pois pensei, erradamente, que o fogo da paz pudesse arder tão alto, em labaredas laboriosamente trabalhadas sem faúlhas com falhas que nos pudessem prender à prisão claustrofóbica da escuridão?. Felizmente este poeta prova estar acordado numa ?escuridão? sem luz que o inspira! Estranho? Nem por isso. Como dizia o poeta Libanês KAHLIL GIBRAN : ?O homem é dois homens; um está acordado na escuridão, enquanto o outro dorme na luz?. Lê-lo é rever a grande massa da juventude inconformada e por vezes rebelde que sonha novos futuros sem deixar de navegar com a esperança como bússola. Por isso diz convicto ?De palavra em palavra se faz a minha lavra, expressa por entre os interstícios das páginas, que tal como os da terra se moldam, e decifra-se a safra que em frases se alonga, trespassados os ciclos ou as fases distintas, desde a veredicta semente ao chão inscrita até ao desabrochar do futuro em que a esperança acredita?. É claro o navegar deste lavrador de palavras num punhado de versos cristalinos, transparentes, com a pureza de um mar despoluído e a maturidade de um velho imbondeiro guiado pelas sabedorias antigas. Embora afirme lamentoso ?Fui um errante certeiro nos arremessos que fiz?, dificilmente será um errante na arte da escrita. Na verdade, como dizia GIBRAN ?A vida é uma procissão? e muitas luas nascerão, e por isso ? Possa Deus alimentar os superabundantes?! Há um barco livre que habita os Poetas. Só o verdadeiro amor pela arte o consegue apreender e captar. Segundo RILKE : ?...o criador tem de ser um mundo só seu e tudo encontrar em si mesmo e na natureza a que se uniu?. É o caso deste Poeta que tudo busca em si e no universo a que se uniu naturalmente, fundindo-se integralmente nele. Como prova a sua reivindicação pensada, quando diz : ?Quero um barco onde eu seja veleiro dos meus próprios desejos, onde o remo e o mar se entrelacem num passo rumando aos meus ensejos?. Terminaria citando VIRGINIA WOOLF que disse ?As obras de arte são de uma solidão infinita e nada as pode abordar pior que a crítica? e acrescentaria eu que ?Por isso se torna difícil analisar criticamente um autor e uma obra poética que respiram e transpiram magia pelos poros, e que a fluidez da escrita o denunciam de forma singular?! É esta a vitória dos poetas, é esta a cruz, é esta a missão!!! E como acredito que a inteligência dos poetas e escritores precisa de viver num mundo mais amplo do que aquele a que as sociedades em que vivemos traçaram tão mesquinhos limites, só posso finalizar dizendo: ? BAYETE POETA TARUMA?! Delmar Maia Gonçalves (Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora -CEMD ) . Fonte: http://sonhosdelmar.blogspot.com/2014/09/anotacoes-o-habitante-da-noite-ou-o.html Faça o seu registo
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