|
||||||
Menu
Poesia
Antologia
Ciclos de Poesia
No cais
Luso-Poemas
Ana Ventura
Alentejana
Alexandre H. Dual
Alexis
Amora
António Paiva
Antero de Freitas
António Botelho
António Martins
Batista
Betania Uchoa
Betha M. Costa
BlackBird
Carla Bordalo
Carla Ribeiro
Carlos Carpinteiro
Carlos M. T. Luis
Dai Santos
De Moura
Diana Balis
Eduarda Mendes
Elisabeteluisfialho
Flávio Silver
Fogo Maduro
Francisco Boaventura
Freud Não Morreu
Gladis Deble Poesia
Helen de Rose
Henrique Cachetas
Henrique Pedro
Ibernise
Ilia Mar
Improvável Poeta
Jaber
João Matos
Jorge Humberto
José Honório
José Silveira
JSL
Júlio Saraiva
Los
Kryssfour
LuisaMargaridaRap
Margarete
Nito Viana
Nuno Vidal
Quidam
Ônix
PauloLx
Paulo Coelho
Pedra Filosofal
Romma
Roque Silveira
Rosa Maria
Sandra Fonseca
Sant´Ana
Tânia Mara Camargo
Vera Silva
VerdeRude
Vóny Ferreira
Xavier Zarco
Blogosfera
Blogs de Poesia
Links
Da net
Florbela Espanca
Blogs Cultos
Mundo Cão
Mundo em Guerra
Recomenda-se
A face dos sentidos
Beijo Azul
Betania Uchoa
BlackWings
Carpinteiro Tinhela
Cartas em Mim
Catarina Camacho
Coisas do Burro
Contei-Porai
Currupião
Dados Brancos
Demanjo
Eduarda Mendes
Escrita Trocada
Freitas Antero
Henrique Pedro
Homo Sapiens
Jorge Humberto Poesia
Mal-Situados
MarcoALSilva
Margarete da Silva
Maria Carla Poesia
Momentos de Poesia
Namibiano Ferreira
Nomada Onirico
Novo olhar o meu
Palavras Coladas
Palavras com Espirito
Palavras de Poeta
Palavras na Árvore
Palavras Voam ao Vento
Poema Feano
Poéticas palavras
Poesia-sim-Poesia
Profundo Azul
Prosas e Versos
Ravendra
Realidade Fantasia
Textos de segunda
Tragada
Tronco Carlos
Kira, Penha Gonçales.
Sons da Alma
Sogueira
Sonymai
Sonymara
Um milhao por te contar
Xavier Zarco
Zefiro
Mundo Novo
Kryss
Nova Águia
Absyntovoce
AntiTutti
MIL
Blogues
Dolores Marques
Diversidades
Paródia Lusíadas
Poema Lusofonia
Mil e tantos
Crítica
Crítica Literária
Farol no vento do norte
eBooks
Consagrados
Hugo Mãe
Especial
Destaque
Alemtagus
Adriana Costa
Amendual
Catarina Camacho
Currupiao
Domingos da Mota
Gladis Deble
Nós as palavras
Cascata de Silêncio
Pistas de mim mesmo
Pnet Literatura
Poemas de André Luís
Poesias de Antonio Botelho
Porosidade Etérea
Especial África
10 Encantos
Angola Vitoriosa
Cabo Verdiano
Delmar Maia Gonçalves
Del mar profundo
Domingos da Mota
Fazemos Acontecer
Infinito-Kalahari
Lusofonia Horizontal
Mar de eventos
Mar profundo
Maria Muadie
Menina de Angola
Minhas outras vidas
Mulembeira
Nguimbangola
Poesia Angolana
Poesia Lilaz Carmim
Projecto Mistura
Sonhos del mar
RC-Pintura e Poesia
Uma certa Angola
Um filme especial
Últimos Feeds
A vida das palavras
A seda das palavras
Ana Ventura
Cantares e Poesia
Causos de rosinha
Douro um poema
Em mim um sonho azul
Fhatima-reginakreft
Lapisl azulit
Lecy Pereira
Lúcia Constantino
Karla Bardanza
Mar Sonhos
Marcos Loures
Momentos de Poesia
Na entrada do abismo
Nanda
Novo olhar o meu
Poesia Avulsa
Poesias Graci
Terras altas do granito
Rituais do momento
Sandra Almeida
Silvia Regina Lima
Sisnando
Sonymai
Sonia Nogueira
Sterea
Taniamarapoesias
Vony-Ferreira
Mundo Pessoa
Poesias Crônicas
Poesias Crônicas
Delmar Maia Gonçalves
Uma leitura do livro ?Fuzilaram a Utopia? de Delmar Maia Gonçalves - 19Dez2016 13:11:00
Uma LEitura Do livro ?Fuzilaram a Utopia?de Delmar Maia Gonçalves A Utopia é o arquétipo de uma civilização ideal, que tem porbase a esperança e o desejo de transformação deuma sociedade em declínio. Para Delmar é um lugar onde ?O sol voltará a brilhar,/ Sereno sobre o vesúvio humano/ Gaivotas pairarão, brancas,/ doidas de azul/ e os marinheiros regressarão/ cantandoalegres melodias do futuro/ navegando sobre o verde oceano da vida?. A sua crença numa Utopia é, contudo,constantemente posta em causa. Há um poema, por exemplo, em que ele afirma ?gosto muito de ser (?) livre como os pássaros/ mas não muito/ Utopista/ mas não muito?. Dá a ideia de que ele tenta direccionar o leitor para ideais de liberdade e utopia, mas, logo a seguir, deflaciona-os ao dizer ?mas não muito?, ou seja, quando parece que vai afirmar uma crença em algo, esta é logo refreada, com a introdução de uma oração adversativa. Creio que isto poderá estar relacionado com uma descrença generalizada num mundo que parece autoconsumir-se, num mundo em que as pessoas parecem caminhar passivamente para a morte e os predadores, quando caem, são substituídos por outros predadores ainda mais cruéis. O poema ?Hipocrisia da inacção?, por exemplo, dá-nos um quadro muito representativo deste mundo em decadência, onde ?engolimos o veneno/ do nosso silêncio? e ?tranquilamente/ avançamos para a morte!?. E será por causa dessa inacção que ele parece já não acreditar que haja lugar para a esperança:o mundo não só não quer ser curado dos seus problemas, como também se autoaniquila continuamente. Já no poema ?A esperança é uma bússola sem dono? verificamos, no entanto, que a esperança ainda arqueja na alma do poeta; é no ?sentimento sempre grato? da ?fraternidade? que lhe ?ensinaram os ventos sul? que ela sobrevive e faz sobreviver a expectativa de um dia em que ?o sol inundará novamente/ as ondas bravas da escuridão da vida/ e terá como novas auroras/ e infâncias raiando para todos?. Existe também uma distinção mais ou menos clara entre aquilo que ele entende por um mundo em que tudo é possível eum mundo em que há limites, sendo que no primeiro consegue?saltar todos/ os degraus do tempo, abraçá-los? e no segundo ?as chuvas/ são lágrimas de dor/ que no limite/ o mundo liberta?.Mais uma vez, o aparente entusiasmo é contido, mas, desta vez, por algo que está relacionado com o mundo real, ou seja, enquanto descreve um mundo em que é possível ?saltar (?) os degraus do tempo?, no final do poema recorda-nos que?as chuvas do mundo?, afinal, são ?lágrimas de dor?. A sua versão de um mundo perfeito terá sido, aparentemente, substituída por uma mais degradada no mundo real. Esta distinção está, em primeiro lugar, assente numa dicotomia entre um lugar em que tudo é ilimitadoe um lugar em que tudo é limitado. Esses limites são impostos, neste poema, pelas ?Nuvens? que são o ?grande e seguro tecto do mundo? e são estes limites que impedem a Utopia de se manifestar na sua totalidade, dentro e fora da mente do poeta.Por esse motivo, o seu arquétipo de uma sociedade ideal terá entrado em vertiginoso declínio ao consciencializar-se da impossibilidade da sua manifestaçãono real. A estrutura formal da sua poesia está também em consonância com o seu pensamento, rompendo com os padrões esteticamente normativos, não respeitando métrica ou rima, notando-se em alguns poemasresquícios de batuques africanos alinhados com uma semânticaagressiva, crua e profundamente irónica - que aborda quase invariavelmente temas relacionados com morte, guerra e exploração -, consistente também com uma grande revolta relativamente ao estado de coisas no mundo; revoltaessa que ?fuzila?a esperança e, consequentemente, a utopia. Como já dizia Thomas More ?A prosperidade ou a ruína de um estado depende da moralidade de seus governantes.? Uma utopia só se realizar na sua máxima expressão se todas as pessoas envolvidas estiverem de acordo com ela. Aquilo que alguns entendem ser uma utopia poderá ser o seu oposto para outros. Há apenas um ténue véu que separa a utopia da distopia e é tecido em fio de seda frágil, fácil de romper (ou corromper). E é precisamente nesse véu que se dá o ponto de ruptura em que a civilização idealizada por uns se torna o cárcere de outros. Enquanto ?tranquilamente? avançarmos ?para a morte? não será possível realizar a utopia civilizacional deste autor ? e ele demonstra ter plena consciência disso. ?Fuzilaram a Utopia? será então a denúncia desse ponto de ruptura em que a Utopia deixa de o ser. Desta forma, nada mais parece restar além da possibilidade de invocar continuamente os seus padrões de ideal através da poesia, ainda quesem esperança, a partir de imagens dispersas em fragmentos, que se alinham como uma constelação de estrelas, num imaginário que a assimetria dos versos concretiza. (Vera Novo Fornelos) 16 de Dezembro de 2016 Texto de apresentação do livro Fuzilaram a Utopia na Associação 25 de Abril Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2016/12/uma-teoria-sobre-fuzilaram-utopia-de.html Sobre o lançamento de Fuzilaram a Utopia - 19Dez2016 12:43:00
Entre Dois Rios com Margens ? (des)construção transcultural e (re)afirmação da moçambicanidade na poesia de Delmar Maia Gonçalves - 21Nov2016 10:54:00
Quando se fala de mestiçagem, temos a tendência para filtrar o conceito associando-o a uma mistura de duas raças, mas, em Delmar, este processo é mais complexo dado as suas fontes culturais originarem de diversos pontos geográficos e é por isso que associo a mestiçagem, neste autor, a um processo de (des)construção transcultural. Se as diversas influências culturais lhe trouxeram enriquecimento e um sentimento de libertação identitária, considerando-se um ?cidadão do mundo?, também esta diversidade provocou uma espécie de caos fragmentado, uma identidade puzzle irresolúvel, que resultou numa (re)afirmação de uma identidade única, que o liga a um ponto geográfico específico, a moçambicanidade. Quem conhece a obra de Delmar, facilmente se apercebe das dicotomias identitárias, que surgem tanto pela mestiçagem de africano e europeu, como se pode confirmar em E eu sou eu ?Aqui estou eu/ mestiço de negro e branco? (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006) e O Inevitável ?Não tenho culpa de ter nascido mulato;/ não tenho culpa que a minha mãe negra/ tenha amado um branco? (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006); como pelas influências culturais absorvidas na diáspora ?Repousam/ em mim/ velhos Imbondeiros/ comigo sentado/ à beira de uma Oliveira? (Entre dois rios com margens, 2013); e, também, como consequência dos processos de transculturação trazidos pela globalização, que contrastam com as suas raízes culturais ancestrais africanas. Por outro lado, também a sua vertente africana sofreu um processo de hibridização cultural, próprio da Zambézia, onde, além da diversidade cultural das diversas etnias africanas, se verificam influências culturais asiáticas, europeias e árabes, quer através do cinema e da culinária, quer pelas comunidades aí existentes que, desde sempre, se miscigenaram com os locais, provocando interessantes fenómenos de transferências culturais. Delmar, cuja avó resultava já de um casamento entre africana e indiano, tinha familiares tanto católicos, como muçulmanos, tanto africanos, como europeus e goeses. São estas influências que dão força a um sentimento de libertação identitária, considerando-se o autor um ?cidadão do mundo? em poemas como Mestiço de Corpo Inteiro ?Sou mestiço sim/mestiço de corpo inteiro/ mestiço no espírito e na carne/ mestiço das Áfricas/ das Américas/ da Ásia/ da Oceânia/ mestiço das Europas/ mestiço do mundo, mestiço do mundo inteiro!? (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006), A Universalidade do Crente ?Sou Cristão/ Vou a Roma/ ou Belém/ vou à Igreja/ Ajoelho-me e oro/ Leio a Bíblia Sagrada/ Invoco Jesus Cristo/ Rezo a Deus/ Cumpro meu dever/ Retorno.// Sou Muçulmano/ Vou a Meca ou Medina/ vou à Mesquita/ Leio o Alcorão/ Oro/ Invoco Muahmmad/ Rezo a Allah/ Cumpro meu dever/ Retorno.// Sou Judeu/ Vou a Telavive ou Jerusalém/ vou à Sinagoga/ Leio a Torá/ Oro/ Faço a Tahanum/ Invoco David e Salomão/ Rezo a Adonai/ Cumpro meu dever/ Retorno.// Sou Hindú/ Vou a Benares ou ao Ganges/ vou ao Templo/ Leio o Gita/ Medito e oro/ Purifico-me/ Invoco Krishna/ Rezo a Om e Brahma/ Cumpro meu dever/ Retorno.//Sou Homem Global/ Crente de Deus/ e estou/ em sua busca? (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006), Mestiçagem ?Somos resultado de uma adição/ Quando subtraímos esquecemo-nos/ que antes houve adição (?) Feitas as contas/ a adição só enriquece/ não empobrece? (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006); Arco-Íris Humano ?Com tenra idade/ já me apercebera/ da beleza do mundo colorido./ Tentaram vendar-me os olhos para ver só a preto e branco./ Antecipadamente decidi fechar os olhos/ e viajar?/ Na viagem descobri/ a beleza do arco-íris./ Afinal o mundo não é/ só a preto e branco.? (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006); O meu Eu ?O meu Eu/ são vários Eus/ por isso/ não falo de mim (?) Mas a realidade/ do meu Eu/ é tão minha/ como o é/ dos meus Eus? (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006) e O Fragmento (Eu) ?Os fragmentos/ de que sou/ composto/ reclamam/ um pedaço que seja/ da esfera do caos!? (Entre dois rios com margens, 2013). Por outro lado, é também a dicotomia negro/branco, uma espécie de entre-lugar abstracto dos mestiços, que se revela ao mesmo tempo próximo e distante de duas (ou mais) culturas, nunca se inscrevendo inteiramente em qualquer uma delas, por duas razões: primeiro, porque não quer renegar os seus antepassados; depois, porque ambos os lados o aproximam e repelem, o que nos remete para a relação de abstracção de Georg Simmel ?esta combinação de proximidade e de distância, que confere ao estrangeiro o seu carácter de objectividade, encontra a sua expressão prática na natureza mais abstracta da relação que se pode ter com ele (?) entre proximidade e distância, surge uma tensão particular a partir do momento em que a consciência de que só o que é totalmente geral é comum faz sobressair o que não é comum?. Apesar de este autor se referir ao ?estrangeiro?, eu penso que os mestiços também se podem inscrever nesta descrição de abstracção e, ao mesmo tempo, também no sentimento de estranheza, do mesmo autor, porque nunca são inteiramente aceites como pertencendo a uma comunidade e são, por isso, estranhos e ambíguos. Esta ambiguidade nunca é bem aceite porque nos desorienta em sociedade; a ambiguidade não está perto nem longe, não é má nem boa, é estranha. Essa relação de abstracção/estranheza está patente em diversos poemas de Delmar, numa dinâmica antonímica rítmica, pulsante como os batuques africanos, conforme se pode atestar em Zé Pecado e o dueto Preto e Branco ?Zé Pecado/ foi para o lado dos negros/ e levou um empurrão/ com um clamor de vozes:/ - Sai daqui seu misto sem bandeira (?) Com lágrimas vertendo/ foi para o lado dos brancos onde ouviu um eco de vozes/ clamando: - Sai daqui seu preto, sai daqui seu preto!? (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006); Irmão Branco, Irmão Negro ?Quando tu/ irmão branco/ de coração umbiguista/ me procuras insultar/ chamando-me preto (?) Quanto a ti/ irmão negro/ de coração libertino/ do tamanho da África/ quando me procuras/ ofender/ chamando-me/ misto sem bandeira (?) Afinal?/ não são sempre/ aqueles que mais amamos/ que nos maltratam/ e fazem sofrer (?)?(Mestiço de corpo inteiro, 2006). Todas estas influências culturais foram importantes para a construção de uma consciência universalista, mas, por outro lado, também fomentaram uma fragmentação identitária resultante principalmente da divisão racial branco/negro. Como mestiço, foi empurrado para um entre-lugar essencialista, que fica entre duas raças, duas culturas com fronteiras. Daí o título do seu livro ?Entre dois rios com margens?, fazendo, numa primeira interpretação, referência ao Rio do Bons Sinais, em Quelimane, cidade onde nasceu, e ao Rio Tejo, em Lisboa, cidade onde vive. Mas numa análise mais profunda do sentimento mestiço e da sua relação do autor com a diáspora, apercebemo-nos que é uma metáfora da dicotomia rácico-cultural negro/branco, moçambicano/português, africano/europeu, moçambicano no país natal/moçambicano na diáspora. Esta dualidade rivalizada colocava-o nesse entre-lugar ambíguo e desorientador. Creio que foi por este motivo que se impôs um sentimento de pertença a Moçambique, a uma colectividade moçambicana composta por negros, brancos, mestiços, chineses, indianos, árabes, entre outros, conforme o poeta afirma no poema Moçambique Moçambicano ?Na minha Pátria/ não há pretos nem brancos/ há Moçambicanos.// Na minha Pátria/ não há mestiços/ há Moçambicanos.// E Moçambicano/ é aquele que/ sente o pulsar da/ pátria,/ Moçambicano/ é aquele que a vive.? (Mestiço de corpo inteiro, 2006). É de citar também, que no III Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora, realizado em 2010, Delmar afirma ?O escritor moçambicano na diáspora também é um escritor moçambicano?. O tema que apresentou nesse encontro teve a finalidade de confrontar questões relacionadas com o desprezo aos intelectuais que vivem na diáspora, por parte daqueles que vivem em Moçambique, que muitas vezes os ?descartam?, afirmando que os escritores que vivem em Portugal são portugueses ou que os mestiços não são moçambicanos. O sentimento de pertença moçambicano está, no entanto, para além da raça ou do lugar onde vivem, está numa ligação umbilical a um ponto geográfico específico que coincide com o local de nascimento, local esse onde bebeu as primeiras influências culturais, que deixaram marcas profundas no nível informal e inconsciente daquele que se sente moçambicano. A prova disso é a poesia dos autores moçambicanos na diáspora. E neste caso, do Delmar, cuja poesia é o meu objecto de estudo. Antes de mais, é de notar que ele faz uma série de referências a Moçambique, ao povo moçambicano e a diversos pontos geográficos específicos no país (como Chokwé, Nicoadala, Quelimane, Luabo, Homoíne, Licuári, Namacata, Gorongosa, Muxunguè, entre outros), que estão frequentemente (mas nem sempre) relacionados com a guerra civil (na sua poesia mais antiga ? vd. Moçambique Novo, o Enigma, 2005 e Moçambiquizando, 2005) ou com os problemas actuais do país (na sua poesia mais recente), em que aborda questões como o racismo, a corrupção, a miséria, os confrontos mais recentes entre a RENAMO e a FRELIMO, de onde surge um sentimento de ?dor do mundo?, uma espécie de ?esperança magoada?, em que ele, como se fosse o solo da sua pátria, carrega em si todo o sofrimento do povo moçambicano e, ao mesmo tempo, de todos os povos do mundo. Estas referências podemos encontrar em poemas como Lá vai o General ?Lá vai/ o General/ O General sem rosto/ mas perfeito/ sempre perfeito/ apesar de tudo/ não sente a falta/ dos cifrões/ não usa patentes/ não usa coldres/ não usa arma/ de pão não tem falta/ usa fato/ usa balalaica/ tem motorista!/ Pois?/ Lá vai o General/ O General sem rosto/ sem consciência/ sem remorsos!/ ?Comandante do barco?/ rico embora/ mas profundamente ?Nacionalista?!/ Não nacionalizou/ ele o dinheiro?? (Entre dois rios com margens, 2013) e Em Moçambique ?Em Moçambique/ ainda há Corvos/ de mau agoiro/ com sorrisos de Hienas/ e uma Voraz apetite de Abutres? , em que aborda a questão da corrupção; depois, temos Luabo ?Em Luabo/ plantaram-se tumbas/ no lugar/ do paraíso açucarado? (Entre dois rios com margens, 2013) e Homoíne ?Em Homoíne/ destilam-se lágrimas/ no vapor/ do tempo/ das balas? (Entre dois rios com margens, 2013), que fazem alusão aos confrontos político-militares mais recentes; também é de referir Pudessem ?Pudessem os bons compreender/ que o seu silêncio é também/ o suicídio das almas vindouras (?) Pudessem os bons motivar-se/ para a acção contra a ditadura da passividade/ Pudessem os bons gritar/ bem alto ? Basta!? (Entre dois rios com margens, 2013), que nos remete para a célebre frase de Einstein ?O mundo é perigoso não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa daqueles que vêem e deixam o mal ser feito?; e, finalmente, Escrita ?Escrevo para exorcizar a dor (?) a dor do mundo!/ Não nasci por acaso? (Entre dois rios com margens, 2013), Dor ?Minha dor/ é o somatório/ de todas as dores.// Sinto a intensidade/ da dor/ na pedra/ do meu vazio? e África ?Já que/ o velho Imbomdeiro/ adormeceu ressequido/ em quantas partes/ dividiremos/ o Pão da nossa Fome?? (Entre dois rios com margens, 2013), em que é bem explícito o sentimento de ?dor do mundo? do poeta. Por outro lado, são também evidentes as influências da Negritude na construção da sua poesia e estão profundamente enraizadas na sua identidade moçambicana. Antes de mais, gostaria de referir uma citação de Mário Pinto de Andrade sobre a Negritude em Francisco José Tenreiro ?a negritude põe de lado facções políticas e patriotismos (?) e repousa numa consciência em vias de renascimento, (?) é estruturalmente claro e directo nas suas falas, amargo e duro por vezes ? a dureza necessária para que os ouvidos de todos a possam perceber plena?. Essa dureza, essas falas directas e claras e, ao mesmo tempo, amargas não só estão presentes na poesia do Delmar como são marcas estruturais muito importantes na sua poesia. Vejamos o que diz Amadeu Ferreira no prefácio a Entre dois rios com margens, 2013 ?Apresenta-nos Delmar Maia Gonçalves um poemário com dezenas de curtas explosões, poemas que apenas duram o tempo de um clarão. As palavras a condizer com essa concentração luminosa, são um grito que oscila entre esperança e raiva, dor e denúncia, vida e morte, pão e fome, o bem e o mal, o paraíso e o inferno, num dualismo que atravessa toda a obra (?) Esta não é pois uma poesia neutra ou fora do mundo, bem ao invés, ergue-se como um espinho espetado no poeta, em toda ela perpassando denúncias sem fim?. A força semântica dos substantivos ?silêncio?, ?morte?, ?raiva?, ?dor?, ?denúncia?, ?fome?, leva-nos a concluir que o autor imprime na sua poesia essa dureza, essa amargura de que Mário Pinto de Andrade falou. Evidentemente que estas características não são por si só marcas da Negritude, mas sim, quando em conjunto com a tese sartreana sobre a negritude, de onde Albert Franklin extraiu os seguintes pontos de articulação: racismo anti-racista (patente em quase todos os poemas de Delmar sobre a condição do mestiço); sentimento do colectivismo (o sentimento de pertença moçambicano); o ritmo (que está presente na dualidade constante da sua poesia, conferindo-lhe uma similitude ao som dos batuques ? ?aqui estou eu? tum tum tum ?mestiço de negro e branco? tum tum tum ?Severo e brando? tum tum ?Obstinado e ocioso? tum tum ?Modesto e orgulhoso? tum tum ?E eu sou eu? tum tum tum); concepção sexual (que encontramos no erotismo revelado em grande parte da sua poesia contida no livro Afrozambeziando Ninfas e Deusas, 2006); comunicação com a natureza (fazendo frequente recurso a elementos da natureza como ?imbomdeiros?, ?selva?, ?hienas?, ?lobos?, ?corvos?, ?rio?, ?mar?, ?lua?, ?crocodilos?, ?abutres?, ?água?, ?terra?, entre outros); culto dos antepassados (tomo como exemplo o poema Sonho Ancestral publicado nos Cadernos Moçambicanos nº1, 2004 ou em Nostalgia Africana, Moçambiquizando, 2006). É por causa destas características evidentes de negritude, que o colocam em África, e da sua intrínseca ligação a Moçambique (veja-se ainda que no poema Voz das Conchas (Entre dois rios com margens, 2013) em que o poeta acredita que a sua ligação a Moçambique é tão forte que consegue, através de uma concha, fazer a sua voz ouvir-se no seu país, mesmo estando na diáspora) que acredito que Delmar só pode fazer parte da literatura moçambicana e nunca de uma literatura europeia, apesar de ser mestiço e de viver num país europeu. As suas marcas, o seu pensamento e a sua identidade estão de tal forma enraizados no seu país de origem, que se justifica inteiramente a sua (re)afirmação da moçambicanidade. Vera Novo Fornelos Junho, 2016 in "Milandos da Diáspora 2016" Apresentado no IX Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora - 2016 Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2016/11/entre-dois-rios-com-margens.html Memórias vivas da poesia moçambicana - 07Mai2015 15:44:00
Já disse poesia que encha o Índico. A larga experiência vocacionada a arte de falar coisas iguais de forma diferente, torna Delmar um mestre inconfundível. Também escreve, e alguns dos seus leitores e seguidores são unânimes ao afirmar que ?um pouco de inconformismo? vigora sobre as suas palavras. É poeta revolucionário, mas, a sua escrita não produz desagrado ou agitação; pelo contrário produz dúvida sobre o que a sociedade pensa ser normal, e deixa muito que pensar. Certas vezes entende-se que o poema escrito, encontra a perfeição na poesia dita. Dos seus favoritos destacam-se temas relacionados aos conflitos sociais, étnicos, raciais, amor, saudade e outros. E, de saudade o autor inspira-se quando se lembra da terra natal. As suas prosas são raras, mas, de qualidade impar, aliás, há mais poema do que prosa poética de Delmar disponíveis. Considerado como bastonário das antologias lusófonas e manilha de ligação entre vários poetas moçambicanos e outros falantes da língua portuguesa. Tem vindo a inspirar jovens escritores e ocupa um lugar de destaque como selecionador da equipa de poetas moçambicanos: Delmar é poesia! E para celebrar: "Aqui estou eu Mestiço de negro e branco Severo e brando Obstinado e ocioso Modesto e orgulhoso Obsessivo e sereno Manso e prudente Agradável e egocêntrico Talvez a lei dos contrários Impere em mim Ou talvez haja apenas Uma simbiose de antíteses O que faz de mim indivíduo Pois é? Eu sou eu." Delmar Maia Gonçalves Hosten Yassine Ali Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2015/05/memorias-vivas-da-poesia-mocambicana.html Um silêncio colado à língua - ?imigrantes? afro-moçambicanos em Portugal - 07Mai2015 15:38:00
?As memórias querem-se nessa periferia onde as podemos controlar; passamos bem sem os sobressaltos da sua rebeldia?. João P. Borges Coelho, As Visitas do Dr. Valdez Quantas vezes pensamos no retorno, no passado, e permanecemos quietos, mudos, perante um silêncio colado aos dias que passam, quotidianamente, pelo calendário das nossas vidas e afectos? Quantos rostos e vozes serão necessários para construirmos uma imagem possível e verdadeira deste Portugal pós-colonial? Percorro exaustivamente estas últimas questões, no percurso do meu trabalho de investigação, que desenvolvo no âmbito do meu pós-doutoramento, sob o título ?African Mozambican Immigrants in the former ?motherland?: The portrait of a postcolonial Portugal?1. Indubitavelmente, os estudos pós-coloniais de expressão/língua portuguesa têm auferido de uma enorme riqueza e profundidade através das análises críticas da literatura pós-descolonização. Olhar a sociedade pós-25 de Abril pela lente literária tem sido para muitos estudiosos e pensadores o quanto basta para um entendimento, supostamente justo e equilibrado sobre o que é hoje o Portugal que surge após a guerra colonial, a derrocada do Estado Novo e a emergência da democracia. Contudo, a resposta não reside, somente, penso eu, nos registos literários, ficcionais e poéticos dos sujeitos, alguns deles observadores-participantes, que estiveram, viveram e experienciaram o modo de ser português em África. A observação humana dos outros, não na sua formulação e conceptualização estereotipada ou mesmo estigmatizada, necessita de uma descida aos universos do íntimo, do subjectivo, das memórias, das narrativas de vida e de identidade, e das trajectórias vivenciais de cada um. Não quero, aqui, ignorar os estudos já realizados por Miguel Vale de Almeida, Boaventura Sousa Santos, Cláudia Castelo, Manuela Ribeiro Sanches, entre outros. Mas falta esta outra óptica mais quotidiana, discreta mas sôfrega das vozes do dia-a-dia. Como pensar este pós-colonialismo, que chamarei, do quotidiano2? O que é que este nos diz daqueles que oriundos das antigas colónias portuguesas, criaram como faróis das suas vidas a integração social, profissional e familiar? O que é que estas pessoas sentem, e que percepções nos oferecem sobre si e sobre o retrato da pós-colonialidade portuguesa? Ao longo da minha pesquisa sobre ?imigrantes? afro-moçambicanos em Portugal que, outrora, eram designados na hierarquia colonialista portuguesa como assimilados e que, após a independência política em Moçambique (25 de Junho, 1975), optaram por prosseguir com as suas vidas no contexto português da descolonização, tenho compilado registos humanos e narrativos que, gritantemente, mostram a persistência de um sentimento de exílio pátrio e identitário. De facto, ao acompanhar estes moçambicanos nas suas vidas e memórias, observo que a identidade não é mais do que uma luta pela sobrevivência do eu-individual e do eu com uma identificação mais alargada ao espaço familiar. Para muitos destes sujeitos, ser português ou moçambicano representa uma vivência de limbo, eivada de ambiguidades históricas, culturais e sociais. Relembre-se que, na praxis colonial portuguesa, o assimilado não era classificado como indígena, mas também não detinha os plenos direitos de cidadania de um(a) português(a) nesta arquitectura social. O limbo, a ambiguidade assombram estas vivências, ainda hoje, nas suas vidas. Veja-se, por exemplo, este desassossego identitário na voz poética de Delmar Gonçalves, moçambicano residente em Portugal: Mestiço (poema dedicado a Noémia de Sousa e José Craveirinha) Que condição esta de ser o que sou?! Para ser africano pleno tenho de admitir ser o que não sou Para ser europeu de corpo inteiro tenho de fingir e procurar ser o que não sou. Que dilema este de ser o que sou sendo o que não sou. (Gonçalves, 2006: 59)3 ![]() Recordo, na linha da anterior reflexão poética sobre o eu fragmentado e disseminado, um encontro com uma senhora moçambicana que me dizia: ?os próprios moçambicanos em Portugal, não vivem como moçambicanos, vivem como portugueses; ?eles não se identificam como portugueses, têm uma parte em que gostam das coisas em Portugal, como seja de comer, da vida social e das condições de viver uma vida boa que, possivelmente, em Moçambique muitos perderam. (?) a nível dos valores moçambicanos, de identidade, não há uma identificação com Moçambique, as pessoas não se identificam com os problemas que existem em Moçambique ? estão sem identidade?(Khan, 2004: 204)4. Este sujeito ambíguo projecta nas suas referências culturais e nos seus desabafos narrativos um titubeante trabalho de memória, onde o diálogo entre passado e presente se apresenta como fechado, trancado por uma necessidade de olhar para um futuro vigiado por questões relacionadas com a estabilidade familiar e profissional. Para muitos dos entrevistados a memória é um tempo que passou, o lugar do não-dito, dos murmúrios que, ironicamente, se consolida, também, com a preguiça que a sociedade portuguesa demonstra ao empurrar para as margens a presença destes sujeitos no espaço do tecido nacional e pátrio pós-colonial português. De facto, partindo destas observações urge-me provocar a condição pós-colonial portuguesa, ao questionar-me se esta não se encontra, ainda, debruçada sobre um luto adiado do seu passado colonial, da sua insistência em olhar o pretérito de Portugal em África como forma de resistir a uma cronologia histórica. No meu entender, o rosto da pós-colonialidade portuguesa deve, isso sim, concentrar-se em torno de um avanço, este concretizando-se nas mentes e acções dos actores sociais. Consolido esta conclusão, atentando nas palavras de Isabel Allegro de Magalhães quando observa: ?no Portugal pós-25 de Abril, tanto são as margens sociais do tecido nacional, conformadas pelos cidadãos de quem não se ouve a voz ? como por aqueles que passaram a fazer parte integrante do tecido nacional quando deixaram as antigas colónias (ou territórios sob a administração portuguesa), hoje países autónomos e que por razões económicas vieram para o país ex-colonizador? (Magalhães, 2001: 310)5. Artigo originalmente publicado na revista Jogos Sem Fronteiras, ed. Antipáticas 2008
por Sheila Khan Jogos Sem Fronteiras | 20 Dezembro 2011 | imigração, moçambicanos, portugal, pos-colonial Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2015/05/um-silencio-colado-lingua-imigrantes.html Em torno do verso: uma leitura do Mestiço de corpo inteiro, de Delmar Maia Gonçalves, a partir do que dizem seus paratextos - Stéphanie Paes - 06Abr2015 23:30:00
Em torno do verso: uma leitura do Mestiço de corpo inteiro, de Delmar Maia Gonçalves, a partir do que dizem seus paratextos Stéphanie Paes O texto não tem existência autônoma, ele ?é composto por um mundo que ainda há de ser identificado e que é esboçado de modo a incitar o leitor a imaginá-lo e, por fim, a interpretá-lo.? É no e pelo ato de leitura que o arranjo proposto pelo autor se converte em sentido(s). Entretanto, quando abrigado em um livro, não é apenas o texto do autor ? a sequência de períodos, parágrafos, versos e estrofes que engendra, que aqui identificarei por texto autoral ? que fornece ao leitor elementos para a construção de seu(s) sentido(s). ?Um certo número de produções, verbais ou não? cerca o texto autoral ?para apresentá-lo, [...] para torná-lo presente, para garantir sua presença no mundo, sua ?recepção??. Essas produções, às quais Gerard Genette dá o nome de paratextos, produzem ?uma ação sobre o público, a serviço [...] de uma melhor acolhida do texto [autoral] e de uma leitura mais pertinente [...] aos olhos do autor e seus aliados?; e assim orientam, em certa medida, o processo de produção dos sentidos da obra. São títulos, ilustrações, capa, nome do autor, prefácio, posfácio, epígrafe, enfim, toda a informação que se encontra na periferia do texto autoral. Com base nessas premissas, expõe-se uma leitura da obra Mestiço de corpo inteiro, de Delmar Maia Gonçalves, em edição de 2006 do Editorial Minerva, de Lisboa. ? Percurso de leitura O contato mais imediato com a antologia de poemas Mestiço de corpo inteiro, de Delmar Maia Gonçalves, já é bastante revelador do teor dos textos que se encontrará durante a leitura. Na capa da obra, título e ilustração disputam a atenção de quem a pega para ler e introduz um cenário de conflito, ou melhor, de crise. Na parte superior da capa, logo abaixo do nome do autor ? inscrito em letras capitais de corpo pequeno e cor preta, de uma fonte não serifada e delgada, o que lhe confere bastante suavidade ? encontra-se o título Mestiço de corpo inteiro sobre um plano de fundo liso em tom de amarelo bem claro, no qual repousam todos os demais elementos da capa (nome do autor, ilustração, logotipo e nome da editora). Também inteiramente em letras maiúsculas, em uma fonte serifada ligeiramente robusta pela aplicação de negrito, o nome da obra, que à exceção da preposição de figura toda com corpo de mesmo tamanho, aparece em um tom de azul ligeiramente escuro e bem suave. É significativo observar que as cores utilizadas para o fundo da capa e o título da obra são complementares, ou seja, opostas, altamente contrastantes. Colocá-las lado a lado produz um efeito harmônico que ao mesmo tempo contém uma tensão, pela oposição das cores. Este mesmo efeito será reproduzido na imagem da capa, da qual se falará adiante. Passando do aspecto formal para o discursivo, tem-se no título da obra a figura do mestiço, um indivíduo fruto da mistura de raças, que, ao afirmar-se ?mestiço de corpo inteiro? aponta para sua identificação total com esta condição, um sujeito integralmente miscigenado em sua percepção de si mesmo, uma mistura perfeita e total de diferenças. Em contrapartida, visualizando-se a pintura de David Levy Lima que ilustra a capa (e, por extensão, a essência do livro, assim como o título resume a essência da mensagem que se propõe passar através dele), percebe-se a figura de um mestiço, por seus traços característicos, que, em oposição ao dito no título, aparece cindido por um efeito de sombra: o lado direito, iluminado e, portanto, mais claro, e o lado esquerdo, enegrecido pela sombra. A projeção dessa sombra produz um sujeito divido, bipartido, situação que associada à sua condição de mestiço, pode-se interpretar como a cisão dos elementos que geram esta mestiçagem (elementos negro e branco, no caso) e a irreconciliabilidade dessas duas metades que formam o sujeito em questão, ainda que a cisão não seja total, uma vez que as partes se interpenetram em certa medida. O emprego de cores complementares na composição da imagem (tons de amarelo, laranja e azul) contribuem para o efeito de oposição. Ainda, o confronto da imagem com o título contribui para este efeito de contraste: um sujeito que se afirma mestiço em sua integralidade e um que não consegue estabelecer esta fusão, indicando, possivelmente, que este sujeito vive o conflito entre se afirmar mestiço e a impossibilidade de fazê-lo efetivamente. O uso de uma sombra para estabelecer a divisão na imagem e o aspecto aparentemente melancólico do sujeito retratado reforçam esta crise. Mas o que a provocaria? O que impediria este indivíduo de viver sua mestiçagem em sua plenitude? Ainda que o sumário não seja de leitura obrigatória e costume ser consultado apenas quando se precisa encontrar um ponto específico do texto, é relevante analisar o desta obra de Delmar Maia Gonçalves, pois ele apresenta características peculiares. Assim como os títulos dos poemas e de outras produções pré e pós-textuais que se costuma ver em sumários, embora com variações de obra a obra (prefácio, biografia, posfácio...), figuram no sumário de Mestiço de corpo inteiro, e em mesmo nível hierárquico dos poemas, as epígrafes, identificadas como ?citações?, e as ilustrações de Isabel Carreira e Filipa Gonçalves. Pode-se supor, a partir da observância desse fato, que essas produções paratextuais têm o mesmo peso dos poemas para a leitura do livro, isto é, elas significam tanto quanto os versos. Após alguns pré-textuais que não serão abordados aqui, encontram-se as epígrafes, 10 no total, duas do próprio autor. O conteúdo dessas epígrafes (salvo a segunda, que parece uma análise crítica, possivelmente da poética do artista) parece demonstrar posturas ideológicas e/ou reflexões filosóficas sobre temas como a existência, o pertencimento, as relações humanas e a mestiçagem. ?Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar e falar quando é preciso calar-se? (provérbio persa) e ?a alma multiculturalista, espiritualmente superior, acabará por fazer entender todos os homens e nações? (Kumarka Prakhasmani) são duas delas. É ainda significativo observar as diversas origens desses discursos: um provérbio persa, versos de poetas de culturas e origens diversas, citações de um cientista, de um sociólogo, enfim, discursos de vários cantos do mundo, ocidentais e orientais, congregados num mesmo espaço, como no intuito de celebrar, através dessa seleção, o multiculturalismo defendido por Prakhasmani. Uma das funções da epígrafe consiste em traçar ?um comentário do texto [autoral], cujo significado ela precisa ou ressalta indiretamente.? Considerando-se as impressões provocadas pela capa, lê-se a sequência de epígrafes do livro como prenúncio do que se encontrará ao se avançar na leitura, como sugere a citação da jornalista Rita Pablo: ?uma vontade gritante de dar sentido à mestiçagem?. Não demorará muito para que esta suspeita seja confirmada pelos poemas. Ainda que trate de outras temáticas, como a mulher, a ?mátria? Moçambique, a ancestralidade e mesmo a escravidão, a questão central do livro Mestiço de corpo inteiro é o conflito de um homem com sua condição de mestiço, a busca por encontrar o seu lugar, seu pertencimento em um mundo de grupos tão bem definidos: ?Não sabia que/ para me reivindicar/ de um berço/ tinha de ter/ uma certa cor/ convencionada/ pelos homens.? O primeiro poema do livro introduz poeticamente sua situação de instabilidade identitária. O eu-lírico, classificando-se como ?Náufrago africano?, título do poema, declara: ?Sou um náufrago/ em busca/ de porto seguro?. O náufrago é um indivíduo que não chegou em terra firme, que se encontra à deriva. Sendo a terra um signo de pertencimento, de enraizamento, estar à deriva é não pertencer a lugar algum. A brevidade do poema e mesmo dos versos individualmente, associado ao seu conteúdo, produzem um tom de desabafo melancólico de um homem que procura seu lugar. Quando se coloca em diálogo este poema com a epígrafe de Séneca, ?quando um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe é favorável?, pode-se apreender que a busca deste homem por seu pertencimento deve ser interior, que quando encontrá-lo dentro de si as condições de sua inclusão no grupo se tornarão favoráveis. Será? O que se observa ao se avançar pela obra de Delmar Maia Gonçalves é a árdua luta de um sujeito para unificar a multiplicidade que constitui a sua mestiçagem, a fim de apaziguar as polaridades que o impedem de se constituir em ser integral, em mestiço de corpo inteiro. Nesse sentido a imagem, de Isabel Carreira que se encontra na página 19 é emblemática. Nela, os contornos de dois indivíduos idênticos, um negro e um branco, se olham e se dão as mãos. Em contrapartida, seus pés estão voltados para trás. Percebe-se por esta imagem a irreconciliabilidade dos elementos negro e branco na formação identitária do indivíduo, que se esforça para unir os dois elementos (mãos dadas), mas se depara com a recusa desses elementos em se mesclarem (pés voltados para trás). A imagem pode conotar também a tentativa de promover a igualdade entre opostos, defendida em alguns poemas. A busca por se constituir ?mestiço de corpo inteiro? se dá, nos poemas do escritor moçambicano, em dois movimentos principais e conflitantes, ainda que cheios de nuances, como acontece em toda grande questão humana: por um lado, o eu-lírico afirma sua mestiçagem, lutando pela mútua compreensão entre os diversos povos do mundo e pela aceitação de negros e brancos de sua condição de mestiço; por outro, vive a crise identitária de ser mestiço, de não poder escolher um lado e, portanto, não pertencer a nenhum. Ao mesmo tempo em que se defende enquanto ?mestiço de corpo inteiro?, frase dita não só no título como em mais de um poema, sente-se incomodado com a sua condição e questiona com frequência sua identidade. Entretanto, respondendo à questão feita acima quanto a se a descoberta de seu pertencimento dependeria de um esforço interior do indivíduo, o que se percebe na poesia de Delmar Maia Gonçalves é que a sensação de deslocamento sentida por seu eu-lírico seria mais fruto das pressões dos grupos circundantes para que este ?escolha um lado?, que, evidentemente, ele não pode escolher, da rejeição dos outros da sua condição de mestiço do que propriamente por uma falta por parte do eu-lírico de aceitar a si mesmo. Ele, enquanto ?mestiço de corpo inteiro?, mistura integral de etnias e culturas, não pode pertencer se o mundo estiver cindido e reivindicar essa cisão. Ainda que não haja uma divisão explícita entre os dois movimentos principais do eu-lírico no livro, é perceptível uma concentração, em sua primeira parte, de poemas que defendam e exaltem a mestiçagem. Em ?And I am who I am?, primeiro poema que trata explicitamente da questão da mestiçagem, o eu-lírico se declara mais do que híbrido de branco e negro (?hybrid from black and white?), talvez um indivíduo regido pela lei dos opostos (?Perhaps I am ruled by/ The law of oposites?) ou uma simbiose de antíteses (?a symbiosis of antithesis?). Ainda que o autor afirme a sua individualidade, o emprego de um advérbio de dúvida (talvez) aponta para a busca, empreendida pela voz do poema, por se definir enquanto indivíduo. Espelhado a este poema encontra-se ?L?énigme?, que já traz o índice da dúvida em seu título. No poema o autor denuncia o olhar enviesado do outro para si (?Je suis un noir pour les blancs/ Et blanc pour les noirs?) , mas se defende dizendo ser apenas um mestiço, uma adição de negro e branco (?Je sais seulement qui je suis un métis/ [...] Une addition de noir et blanc?. Curioso perceber que há poemas em três línguas no livro de Delmar Maia Gonçalves. Essa opção descentraliza o discurso e sugere uma universalidade da questão da mestiçagem, e ainda ajuda a reforçar a hibridização do eu-lírico, que escreve para o seu Eu ?que é vários Eus?, se quisermos pensar na voz do livro como sendo una. Mais ao final do livro leem-se as versões em português desses dois poemas: ?E eu sou eu?, página 62, acompanhado do retrato de um mestiço, e ?O enigma?, na página 71. Em ?O inevitável?, defende-se de acusações afirmando não ter culpa de ?ter nascido mulato?, de ser ?fruto do pecado de um amor proibido?. ?Mulato sou, mulato serei!?, conclui ele; afinal, como lembra em ?Dança ancestral da alma?, não pode renunciar a sua ancestralidade: ?porque não posso jamais renegar um pouco que seja dos meus glóbulos/ sanguíneos negróides e caucasoides?. Na página 6, um desenho de Filipa Gonçalves ilustra bem a força dessa herança. Nela vê-se o que parece ser uma cabeça de tripla face: ao centro, meio rosto de um mestiço; no lado esquerdo, o perfil do rosto de um negro; à direita, o perfil de um rosto branco. Observa-se ainda, semifundido entre o rosto negro e o mestiço um berimbau, e entre este segundo rosto e o branco, um violino, talvez apresentando o elemento cultural como importante mantenedor dos vínculos do mestiço com sua ancestralidade. Em um segundo momento da obra tornam-se mais recorrentes os poemas que abordam o conflito de ser mestiço, tanto no que diz respeito à não aceitação desses sujeitos por parte dos grupos étnicos que dão origem à mistura, quanto ao conflito identitário que sofrem esses sujeitos como consequência dessa rejeição. Em ?Zé Pecado e o dueto preto e branco?, o eu-lírico, que tem em sua pele e em seu nome (sua identidade) a marca do ?pecado de um amor proibido? de que fala a voz de ?O inevitável?, tenta se aproximar dos negros e é rechaçado: ?? Sai daqui seu misto sem bandeira!? Tenta, então, estabelecer relações com os brancos, mas recebe o mesmo tratamento: ?? Sai daqui seu preto, sai daqui seu preto!? Jamusse, no poema que leva o seu nome, tenta fazer o mesmo movimento, e também é rejeitado: ?Vozes de Brancos e Negros/ vozes de raiva e ódio/ Gritos coléricos surgiram/ Vai-te embora misto aborrecido!/ Vai-te embora misto sem bandeira!/ Vai-te embora preto!/ Vai para a tua Terra!? Mas qual seria a sua Terra? A ilustração de Filipa Gonçalves que se encontra à página 45 do livro é icônica desse processo de rejeição. Ao centro se observa a imagem de um mestiço com feição séria, em traços bem realistas; à direita, rostos brancos, em traços menos realistas, olham para o mestiço com feições desfiguradas de ódio e reprovação, com feições que se assemelham a carrancas; à esquerda, rostos traçados com mesmo estilo, porém negros, também se voltam para o mestiço com expressões furiosas. A imagem demonstra bem a rejeição sofrida por um mestiço pelos membros das raças que fazem parte da sua constituição ante a impossibilidade de tal indivíduo escolher um lado e, consequentemente, integrar um desses grupos. Sem conseguir encontrar o seu lugar de pertencimento, desabafa em ?Mestiço?: ?Que condição/ esta de ser o/ que sou...!/ Para ser africano pleno/ tenho de admitir ser/ o que não sou/ Para ser europeu de corpo/ inteiro/ tenho de fingir e/ procurar ser o que/ não sou.? ?Não há drama maior/ que viver com a tristeza/ da rejeição?, arremata em ?O mestiço?. É imperativo que se escolha um lado. É impossível escolher um lado. Diante deste dilema insolúvel, uma das saídas do eu-lírico é ironizar a situação a que os outros o submetem: ?Que sociedade teria/ espaço para um banido?/ [...] E por isso vos peço, por favor/ brancos e negros!/ Decretem o fim dos mestiços/ Promulguem e aprovem a lei/ anti-mestiçagem!/ Mas céus! Não sem antes/ exterminarem os seus criadores!? Mas esse gesto crítico não é suficiente para resolver sua crise identitária. Procura, então, encontrar sua identidade na pátria, grupo do qual pode pertencer à despeito de sua cor: ?Na minha Pátria/ não há pretos nem brancos/ há Moçambicanos.// Na minha Pátria/ não há mestiços/ há Moçambicanos.// [...] E Moçambicano/ é aquele que/ sente o pulsar da/ pátria,/ Moçambicano/ é aquele que a vive.? O fato de escrever moçambicano e pátria com iniciais maiúsculas, enquanto os outros grupos (pretos, brancos, mestiços...) têm seus nomes grafados com inicial minúscula denota a superioridade da pátria e da ?moçambiquedade? sobre os segmentos étnicos. Entretanto, em poemas seguintes, o conflito identitário do eu-lírico reaparece, e ele percebe inclusive que sua ?africanidade? e ?moçambiquedade? teriam de ser defendidas, não dos brancos, não dos negros, mas dos povos de outras nações, possivelmente de outras nações lusófonas, e conclui: ?Ninguém compreende/ Minha singularidade?. Tenta, então, uma última cartada, defendida na epígrafe de Kumarka Prakhasmani, qual seja, a multiculturalidade: ?Não nos podemos dividir mais,/ porque somos resultado/ da multiplicação/ que resulta em humanidade?, reflete em ?Mestiçagem?. E afirma no poema que dá título ao livro: ?Sou mestiço sim/ mestiço de corpo inteiro/ mestiço no espírito e na carne/ mestiço das Áfricas, das Américas,/ da Ásia, da Oceania, mestiço das Europas/ mestiço do mundo, mestiço do mundo inteiro?. De qualquer forma, embora a crença na multiculturalidade possa resolver sua relação consigo mesmo, sua crise identitária não fica de todo sanada, permanecendo em suspenso o dilema do seu pertencimento, em uma terra onde ?os homens/ se excluem/ conforme as conveniências.? Permanece, assim, o eu-lírico à deriva, ?em busca de porto seguro?... Antes de fechar o livro... O texto forjado por um autor é um esboço de ?um mundo que ainda há de ser identificado?, imaginado e interpretado por outra instância, o leitor, a quem cabe a decisão de concluir a tarefa ou deixá-la em aberto. Quando se trata de um mundo encerrado em um livro, gira em torno dele uma série de produções textuais, verbais ou não, que interferem no jogo entre o autor e o leitor, fornecendo a esse último elemento que, tendo ele consciência ou não, o ajudarão a dar os retoques finais na obra rascunhada pelo autor: são os paratextos, segundo termo cunhado por Gerard Genette. Em Mestiço de corpo inteiro, os paratextos que circundam os versos de Delmar Maia Gonçalves, desde a capa às ilustrações internas, estão engajados em criar o clima de tensão que ecoa nos poemas. Do jogo de oposição de cores e discursos da capa, passamos para uma lista de epígrafes com teor ideológico que prenunciam as teses que serão defendidas pelo(s) eu-lírico(s) dos textos poéticos. As ilustrações reproduzem, em outra linguagem, a crise identitária vivenciada pelo(s) mestiço(s) que fala(m) na obra. Por fim, embora fora da ordem de sua recepção, o título da obra e também os de vários poemas (?Mestiço?/?Metisse?, ?Mestiçagem?, ?Ser mestiço é...?, entre outros) centram a temática da obra na questão da mestiçagem. Todos esses elementos direcionam a leitura para um caminho, que talvez confirme, ou amplie, ou reduza as possibilidades de leitura que o texto sozinho incitaria. Qual seria a recepção dos poemas se eles estivessem livres de todo esse aparato? Esta também é uma questão insolúvel, uma vez que já se teve contato com os paratextos da obra. Esses instrumentos podem até limitar as possibilidades de leitura, mas certamente não as encerram. Há ainda textos outros, extralivro, que dizem respeito a cada leitor, e a um mesmo leitor em momentos distintos, que fazem válida a premissa: ?há tantas leituras quantos são os leitores?. Esta aqui é apenas uma. Referências Textos teóricos GENETTE, Gérard. As epígrafes. In: ______. Paratextos editoriais. Tradução de Álvaro Faleiros. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2009. p. 131-144. (Artes do Livro, 7) GENETTE, Gérard. Introdução. In: ______. Paratextos editoriais. Tradução de Álvaro Faleiros. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2009. p. 9-20. (Artes do Livro, 7) ISER, Wolfgang. O jogo do texto. In: LIMA, Luiz Costa (Org.). A literatura e o leitor: textos de estética da recepção. 2. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011. p. 105-118. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 2007. (Primeiros Passos) Textos literários GONÇALVES, Delmar Maia. And I am who I am. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 22. GONÇALVES, Delmar Maia. Dança ancestral da alma. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 29. GONÇALVES, Delmar Maia. Jamusse. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 60. GONÇALVES, Delmar Maia. L?énigme. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 23. GONÇALVES, Delmar Maia. Mestiçagem. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 49. GONÇALVES, Delmar Maia. Mestiço de corpo inteiro. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 61. GONÇALVES, Delmar Maia. Mestiço. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 59. GONÇALVES, Delmar Maia. Moçambique moçambicano. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 75. GONÇALVES, Delmar Maia. Monólogo de um mestiço. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 43. GONÇALVES, Delmar Maia. Náufrago africano. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 17. GONÇALVES, Delmar Maia. O berço. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 76. GONÇALVES, Delmar Maia. O enigma. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 71. GONÇALVES, Delmar Maia. O inevitável. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 26. GONÇALVES, Delmar Maia. O mestiço. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 47. GONÇALVES, Delmar Maia. Singularidade africana. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 83. GONÇALVES, Delmar Maia. Zé pecado e o dueto preto e branco. In: ______. Mestiço de corpo inteiro. Lisboa: Editorial Minerva, 2006. p. 55. Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2015/04/em-torno-do-verso-uma-leitura-do.html Racismo não tem futuro! - 29Abr2014 23:06:00
Solidariedade com a RASD - 18Abr2014 15:50:00
Solidariedade com a Palestina - 18Abr2014 15:48:00
De Lisboa a Famalicão: O baptismo do Perdedor da Distância Incerta ao Ponto Certo - 11Mar2014 01:03:00
S Antes de me levantar vejo a Francisca ( a gata) encostada a almofada que desfilava no lugar onde dormia e eu nem tomei conta da sua presença, dei um abraço na gata a boa maneira que a Maria me ensinara, ela continua a olhar-me com desconfiança, deixo-a e levanto-me em direcção ao relógio pergunto-o as horas e ele respondeu-me: - São seis da manhã Levantei-me a passos de camaleão, iniciei a minha digressão pelas coisas que me pertencem, preparei a mala, os livros nas devidas sacolas e os documentos nos seus concretos espaços de repente apercebi-me que tinha o bilhete do voo em falta. Acordo a Maria que de forma leve e tardia liberta-se da cama pois o sono já tomava conta do seu mar alentejano, eu convidei-a a mergulhar no mar da minha inquietação. Amosse tenta lembrar-se onde deixou o bilhete enquanto procuramos nos livros- retorquiu a Maria A mesma altura eu regava com lágrimas de dor a cheirarem-me o exílio pelos tantos cantos daquela casa. E ela disse: -será que não esqueceste na pensão onde dormiste no primeiro dia? As palavras me fugiam como um navio de pesca em plena castração no mar, o coração batia forte e melancólico como as águas turvas de um tsunami. O silêncio não me largava, o relógio corria a uma velocidade cósmica tipo um gato em brasas, 9 horas diz ele a rir-se de mim, olho-o com uma voz nostálgica pego no celular penso em ligar para Maputo a Maria intersecta-me diz: -Não precisa Amosse esta tudo bem com a sua avó o que tens que fazer é ligar para o Delmar e outro amigo da embaixada para te levarem a pensão para ires procurar o bilhete. Como sempre a voz da mulher é a voz do comando, liguei para o Paradona combinamos o ponto de encontro nas Amoreiras, sai da casa (Maria) a caminho da paragem do mesmo nome, minutos depois chega o Paradona exponho a minha preocupação . E ele disse não tem problemas vamos a TAP resolve-se este caso. Fiquei sossegado saímos em direcção ao aeroporto, o celular toca toca Delmar diz: -estou na embaixada a vossa espera com uma actriz brasileira. -Dentro de 5 minutos chegamos ao vosso encontro, respondeu Paradona saimos a moda da fórmula 1 que se conduz em Portugal despertamos na ponte em direcção a Setúbal. estamos perdidos para voltar temos que atravessar a ponte e voltar de novo na rotunda da Costa da Caparica -disse Paradona. Este era o prenúncio de um festival de perdidas que o dia esperava nos presentear. Chegamos a embaixada encontramo-los bem cansados de tanto esperar e bem sossegados de tanto conversar fez-se a divisão tal como deus fez quando dividiu o céu e o mar a bela actriz brasileira que passou a responder por Vera Barbosa entrou no carro onde eu estava com Paradona, o maestro do Núcleo Tenaz Jorge Viegas, Delmar Gonçalves e a esposa ficaram noutro carro e saímos escoltando-nos em direcção ao aeroporto, ali resolveu-se o problema do bilhete a troco de 40 Euros Paradonianos. São 12 horas a viagem a Vila Nova de Famalicão é longa os dois condutores trocam os mapas e o Delmar disse vamos pela via Torres Vedras em direcção a Porto isto na A25 e desviaremos na A3 sentido Porto- Braga. Embalamo-nos na estrada de olhos bem abertos nas instruções da voz que falava verdades, o caminho é sempre a frente até encontrarmos a rota do desvio para Braga, o motor roncou com os pés rentes a estrada que nos namorava a 30 minutos do ponto de partida, a viagem teria a duração de 3h e 30minutos.mas devido ao mapa errado dado pela pessoa certa, prosseguimos felizes ao som da voz da Vera Barbosa ali falamos de tudo( teatro, literatura, cinema e mais) e de todos( Saramago, Jorge Amado, Craveirinha) antes de chegar a Aveiro o Delmar liga a perguntar sobre o nosso paradeiro -estamos a passar a Aveiro- respondi, era uma pura mentira que o celular as vezes nos induz, decidimos parar nas bombas a 5 km de Aveiro, pois ja estava tudo quente precisávamos de uma água ali nos reencontramos, e confirmou-se que estávamos no caminho certo, dividimo-nos tal como deus nos ensinou. A viagem continuo firme nos nossos ideias comunistas que diziam- chegaremos a Famalicão as 15 horas. puro sonho irrealizável, dai perdemo-nos um do outro, continuamos abraçados a estrada na esperança de chegar beijar a cidade que nos espera a séculos ,os poemas abertos nas mesas para as nossas bocas aprovarem e os poetas antropófagos que desejam comer as experiências dos poetas moçambicanos. As horas em nenhum momento perdoaram-nos e a distância chamava por nós seduzindo-nos com a sua nudez alcatroada de mel e os seus olhos pedregosos de vinhas de sabores milenares. Passamos o cruzamento do Porto esperançados no próspero encontro do desvio Braga, chamamos o Delmar telefonicamente e disse estão no caminho certo é para frente que se vai a Famalicão. Depois da fala a Vera e o Paradona colaram algumas interrogações no tecto que nos cobria pois ela cheirava o perfume de Viseu. Continuamos a andar em direcção a fronteira com Espanha (Viseu). As horas transbordavam de forma violenta no nosso rio das incertezas, 17 horas ainda a bordo desta amável estrada e em Famalicão iniciavam as RAIAS DOS RAIOS DA POETICA. Oh Paradona o primeiro desvio que encontrarmos vamos voltar para Coimbra e lá encontraremos o caminho para Porto- disse a Vera, estávamos em Tondela, ligamos para o Delmar - ele confirmou que já tinha chegado a Famalicão e já tinha informado a todos convidados que os poetas moçambicanos e a actriz brasileira estavam perdidos. Tomamos a estrada em direcção a Coimbra cansados de beijar a mesma boca da A25 e por fim encontramos a A3 com a placa Porto ai nos sentimos em casa acordamos do tédio que nos acompanhava continuamos a esculpir a conversa que a 1 hora o silêncio tinha a tomado de assalto. E por fim as 19h chegamos a Famalicão ali reencontramos velhos e novos amigos Abreu Paxe João Maimona (Angola), Luís Serguilhas, Maria João Cantinho, Luisa Demétrio Raposo, Jorge Velhote, Jorge Melicías Aurelino Costa, José Ilidio Torres, Inês Leitão, Marilía Lopes, Aurora Gaia, Luisa Monteiro ( Portugal), Laercio Correntina, Manaíra Aires Athayde, Cláudia Carvalho Machado ( Brasil) Alberte Momán, Ramiro Vidal Alvarinho, Verónica Martínez Delgado Carlos Quiroga, Javier Diaz (Espanha), e outros que a palavra sempre nos aproxim(ou)a deles. este era o baptismo das Primeiras Raias Poéticas das Afluentes Ibero-Afro-Americanos na Vila Nova de Famalicão, bem haja. Amosse Mucavele 1.12.12 Hotel Moutados Quarto 404, 02 horas:50 minutos Vila Nova de Famalicão Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2014/03/de-lisboa-famalicao-o-baptismo-do.html World Art Games - 09Mar2014 23:38:00
"ENTRE DOIS RIOS COM MARGENS" por MARIA DOVIGO - 09Mar2014 23:35:00
O VELHO IMBONDEIRO OU A LIGAÇÃO DA HUMANIDADE EM TRÂNSITO (NOTAS A "ENTRE DOIS RIOS COM MARGENS") Não desligo o labor poético do entendimento do humano concreto e da vontade de fazer o bem. Assim, o livro do Delmar Maia Gonçalves, Entre dois rios com margens, é exemplo de um sincero contributo do poeta exilado para o esforço coletivo da emancipação da humanidade em trânsito, em que o poeta ?se revela na generosidade com que se dá aos outros?. O fio narrativo do conjunto dos poemas é o homem que se exilia da sua terra devastada para procurar nos longes a salvação da terra da infância, o tempo que ?é o centro crucial do furacão da vida?. Como nos contos de tradição oral, o herói parte para compensar uma perda, a perda da harmonia, do canto, da paz. O poeta canta ?sobre as cinzas?, com uma linguagem fragmentada, caótica, expressão da perda da harmonia. A viagem é uma religação com a raíz, um ?imigro de mim para mim mesmo?, a procura do centro perdido, um pedaço na ?esfera do caos?. É na viagem deste herói poeta que se juntam as esperanças da coletividade. O poeta é a esperança no retorno da harmonia, o que procura ?o fio da palavra vital?. Em ele resistem as memórias da língua dos pássaros, ele porta consigo a memória das árvores milenares, do velho imbondeiro africano, o irmão da lua, que com ele faz a viagem do mundo. Ele é o intérprete da grande voz cósmica, isto é, ordenadora, que se ouve nas conchas. Ele, o poeta exilado, o poeta em trânsito, pensa em movimento, como as ?ondas do mar?. Procura incessante a esperança, esse momento em que ao seu ?país as aves regress[em], e com elas a alegria, a paz, a vida e os poetas?. Esse pensamento que, como o vento, ?sopra violento?, percorre dualidades, ?de mim para mim?, entre ?dois rios com margens?, entre o silêncio e as vozes, os ?silêncios que falam?, ?o murmúrio dos novos tempos?. A ?solidão plural do berço umbilical? é ?bálsamo revigorante? do poeta que vê ?os caminhos se encurtarem e as portas se fecharem?. Este passo entre a dualidade e a identificação, é o primeiro movimento do pensamento para conseguir a ligação e dar sentido à dor da fragmentação, essa dor que o poeta quer ?exorcizar? com a escrita. Assim se afirma o poeta exilado como aquele vai buscar a luz da aurora, a vida e a esperança, o ?despertar? para a coletividade. Pela lei da isomorfia da imaginação humana, o poeta consegue a síntese em que se identificam as duas margens do rio, a superação dessa primeira barreira para a comunicação que faz uno o percurso do viajante e do poeta. A viagem poética revela que a paz, a abundância e o canto são três palavras para a harmonia única do humano, a expressão da vida renovada, vida material, vida anímica, vida sonhada, na primavera esperada da língua e da comunidade. De entre todas as imagens de esperança, nenhuma tão forte como a da árvore, a ?força integradora do mundo?, em expressão do crítico Gaston Bachelard, os velhos imbondeiros africanos que ?repousam? no poeta. Por aparente paradoxo, a raiz da árvore é ligação à terra mãe e nó de ligações que reúne todos os caminhos do mundo. A voz cósmica das árvores, tão conhecida pela tradição poética da minha Galiza natal, a voz das ?longínquas avós das carvalheiras? do poeta galego Celso Emílio Ferreiro ou dos pinheiros, arautos da redenção da terra escrava, do poeta Eduardo Pondal. Assim é o imbondeiro, que liga o sagrado, o poético e o histórico, o humano e o natural. O imbondeiro ressequido do poema ?África?, imagem da devastação da pátria, tão semelhante à do carvalho abatido do poema de Rosalia de Castro ?Os carvalhos?. O imbondeiro irmão da lua, como os pinheiros que com o luar dialogam no poema que deu origem ao hino galego, a lua que banha ?a esperança adormecida? do poeta. Encontram os poetas a universalidade da imaginação, esse ?céu invisível?, na diversidade material da vida que liga o natural e o humano. Encontra assim o poeta sentido à sua própria viagem de exílio, à afirmação da liberdade da criação do ?nómada e pássaro livre em voo rasante?, como se identifica no poema ?Eu sou eu II?. O repouso já não está no espaço físico exterior, uma das margens do rio, mas no espaço linguístico interior, a outra margem, o espaço da língua recriado no poema ?Trabalho da língua?, que dá a dimensão da humanidade e do labor do poeta que não distingue o individual e o coletivo, essa solidão plural que descobre a identidade do poeta errante em ser ?a voz destemida dos sem voz?, algumas das muitas dualidades que identificam este livro de poemas. A língua que se liga aos ritmos vitais da natureza, ao rio que tudo e todos une, encontra o seu renascer nos versos de Delmar Maia Gonçalves. Maria Dovigo Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2014/03/o-velho-imbondeiro-ou-ligacao-da.html Delmar Maia Gonçalves defensor das raízes Moçambicanas - 24Jan2014 22:16:00
Grandes nomes que zelam pela língua Portuguesa ingressarão no Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa em Março de 2014 - 20Dez2013 22:43:00
Está confirmada! A Posse do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa, receberá grandes nomes não só de Portugal mas, também dos países lusófonos para Noite de Outorgas no dia 28 de março em Lisboa. Grandes artistas, poetas e escritores. Alguns brasileiros também serão indicados e em breve todos poderão conhecer os nomes dos brasileiros confirmados. Segue abaixo alguns nomes que irão fortalecer e enriquecer este núcleo e que deixarão seus nomes na imortalidade. 1 -Roberto Chichorro (Moçambique) 2 - David Levy Lima (Cabo-Verde) 3 - Ascêncio de Freitas (Moçambique) 4 - Jorge Viegas (Moçambique) 5 - Ribeiro Canotilho (Moçambique) 6 - Waldir Araújo (Guiné-Bissau) 7 - Ana Mafalda Leite (Moçambique) 8 - Fernando Grade (Portugal) 9 - Mário Máximo (Portugal) 10 - Alberto Araújo (Timor-Leste) 11 - Delmar Maia Gonçalves (Moçambique) 12 - Vera Novo Fornelos (Portugal) 13 - Samuel Pimenta (Portugal) Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2013/12/grandes-nomes-que-zelam-pela-lingua.html ?MADALENA O TRADICIONAL CASAMENTO SEM AMOR? - 08Dez2013 20:48:00
Quando o parto de ?Madalena - O tradicional Casamento sem amor? aconteceu, deixou de pertencer ao autor HOSTEN YASSINE ALI, sendo carinhosamente acariciado pelos seus leitores cúmplices. Depois de conquistar muitos destes leitores em Portugal, eis que me surge finalmente nas mãos fresquinho, kanimambo vida que o trouxe aos meus sentidos? depois de encontros, desencontros e reencontros com o autor. Obviamente, uma grande surpresa, como de resto o próprio autor. Bons olhos o vejam! Um jovem oficial da marinha moçambicana em Portugal, em formação superior, habituado a disciplina reclusiva e rigor, propícia ao Escritor em potência que já morava nele, foi reflectindo em torno de questões fundamentais da sociedade moçambicana e da nossa existência. Um olhar microscópico sobre realidades já conhecidas nalguns casos, mas não debatidas e eventualmente desconhecidas para outros. Períodos longos que permitiram ao Autor um longo namoro com a escrita de que resultou este belo livro, magistralmente escrito. O jovem Escritor Moçambicano, um Cronista de excelência e um grande romancista em potência, surpreendem pela maturidade na escrita, pelas escolhas que fez enquanto ?iniciante? na literatura e pela enorme qualidade e valor estético-literário da sua obra (?Kurhula? crónicas e ?Madalena- O tradicional casamento sem amor? Romance). Escolha arriscada , mas pensada. Calculo. As tradições aqui desnudadas, muitas vezes incompreendidas são um apelo ao seu conhecimento, compreensão e descodificação. A identidade de qualquer povo está alicerçada na língua e num sistema de valores e tradições mais ou menos contestados, sobretudo quando se sofrem 500 anos de colonização e um combate cego, feroz e desigual (ao tribalismo, regionalismo, obscurantismo), desde 1975, e que se prolongou num longo período pós-independência até 1986, terminando sem vencedores nem vencidos. Não se combatem as tradições com decretos lei. Mas, qualquer tradição pode conter nela códigos e práticas nocivas ou até carregadas de violações de direitos fundamentais e genericamente atropelos graves à dignidade humana para as sociedades modernas, em especial para as mulheres da sociedade moçambicana actual, no actual estágio de desenvolvimento. Mas, por outro lado, podem conter códigos que beneficiam franjas de cidadãos fragilizados pela sua condição, particularmente as mulheres em determinados contextos. Nesse sentido, o Autor interpela-nos e motiva-nos à reflexão profunda sobre uma realidade que existe e que não pode jamais ser ignorada. Cabe-nos a nós leitores, fazer a escolha subjectiva entre o que é nocivo e o que é benéfico, contribuindo se possível para o debate e para a eliminação, se necessário, de práticas nocivas ou não, que efectivamente podem prejudicar mais do que beneficiar globalmente a sociedade moçambicana, num diálogo sábio e permanente com as tradições. DELMAR MAIA GONÇALVES (PRESIDENTE DO CÍRCULO DE ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA ? CEMD) Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2013/12/madalena-o-tradicional-casamento-sem.html Jornalista Shirley M. Cavalcante (SMC) entrevista escritor Delmar Gonçalves - 08Dez2013 15:22:00
1. Prezado escritor Delmar Gonçalves para nós é um prazer contar com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos o que mais lhe atrai na escrita literária? O que o motiva a escrever? DMG: O que mais me atrai na escrita literária é o eterno namoro do Poeta com as palavras. Os escritores buscam a eternidade delas e não se cansam nunca da virtude da beleza e do espanto! O que me motiva a escrever é o sentimento grato de estar vivo e viver. Sobreviver apenas , não é justo! A poesia da vida não aceita! Depois, o vínculo da minha escrita ao útil. A literatura come-se, porque nos alimenta o corpo e a alma eliminando as gorduras desnecessárias. 2. Que temas você aborda em seu livro ?Moçambique Novo, o Enigma?? DMG: No livro MOÇAMBIQUE NOVO, O ENIGMA, meu país que é efectivamente um enigma é o tema central do livro. Seus dramas, tristezas, alegrias, vitórias e derrotas estão presentes. 3. Como surgiu a ideia de escrever seu livro ?Moçambiquizando?? Como foi a escolha do Título? DMG: No fundo, a continuação de um exercício de moçambicanidade co ?MOÇAMBIQUIZANDO?. Uma espécie de dança, uma celebração do meu país. Uma necessidade de abraçar o meu país! O título para mim diz sempre muito. Mas, este saiu naturalmente para perpetuar minha relação especial com ele! 4. ?Afrozambeziando Ninfas e Deusas? Em quanto tempo você escreveu este livro? Que temas você aborda nesta obra? DMG: Não faço ideia. Fui escrevendo e não dei pelo tempo. A escrita absorve-me sem me cansar. Nesta obra o tema central é a mulher. A mulher Africana, a mulher Moçambicana, a mulher mãe, a amante, a prostituta ou a Deusa. 5. Qual o público que você pretende atingir com o seu trabalho? Que mensagem você quer transmitir para as pessoas? DMG: Escrevo por puro prazer. Não escrevo a pensar no público. Nessa medida, não escolho público alvo. Mas como é óbvio, gostaria de ser lido por todos e em especial por aqueles que não compreendem o que é ser emigrante, imigrante forçado ou exilado e viver na diáspora, fora da sua pátria! A minha mensagem é de paz, verdade, humanismo, irreverência, coragem e fraternidade universal. 6. Escritor Delmar de que forma você divulga, hoje, o seu trabalho? DMG: Divulgo através de entrevistas às rádios, televisões, revistas, jornais, participação em eventos culturais nacionais ou de cariz internacional, sites, blogues e das redes sociais. 7. Onde podemos comprar os seus livros? DMG: Em diversas livrarias de Lisboa, em Sites de livrarias Portuguesas e espanholas online, de editoras, no meu Site pessoal e do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora. 8. Você hoje é presidente/representante de várias entidades literárias, conte-nos quais seus principais objetivos ao Representar estas entidades? De forma resumida quais as principais atividades que vocês desenvolvem? Quem pode participar? DMG: Ao representar várias entidades literárias pretendo apenas intensificar e formalizar meu vínculo e paixão eternos com a literatura, promovendo-a e promovendo velhos e novos autores, uns mais reconhecidos, outros menos, uns mais mediáticos outros não! Promovemos um Encontro anual, uma Gala trianual, uma Revista do Encontro, Revistas Culturais mensais, Tertúlias de Poesia regular e Encontros mensais com escritores e poetas. A participação é sempre aberta a todos independentemente da sua nacionalidade. Participam essencialmente poetas, escritores (ensaístas, cronistas, romancistas, contistas), jornalistas, artistas plásticos e críticos literários. Atribuímos um Reconhecimento anual a um Escritor/ Poeta e outro a um Artista Plástico. E escolhemos Sócios Honorários que contribuem para a cooperação e o intercâmbio Lusófonos. 9. Que diferenças literárias você citaria entre o mercado literário de Portugal e mercado literário de Moçambique? DMG: O mercado literário português é muito mais competitivo, há muito mais oferta de autores e livros. Há mais hipóteses de escolha. O mercado moçambicano verifica-se estar em franco crescimento, com muitos autores de qualidade, mas com limitações na área editorial , que ainda carece de muito financiamento e alguma dependência do mecenato cultural. Acredito no futuro da literatura moçambicana que não se resume aos quatro ou cinco autores de que se vai falando de forma insistente. Há muitos mais e com enorme qualidade. Alguns deles muito jovens e que merecem todo o carinho e apoio, bastando que apostem neles. 10. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor o Escritor Delmar Gonçalves, que mensagem você deixa para nossos leitores? DMG: Quero deixar um grande e fraterno abraço aos leitores do Projeto DIVULGA ESCRITOR e para quem não conhece bem a LITERATURA MOÇAMBICANA, que ultrapassa as fronteiras geográficas de Moçambique, procure aprofundar esse escasso conhecimento e tornar-se-á rapidamente uma enorme paixão!!! Grato abraço SHIRLEY M. CAVALCANTE. Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2013/12/jornalista-shirley-m-cavalcante-smc.html ENTREVISTA AO JORNAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA IMPRENSA - 28Nov2013 20:09:00
O Governo de Moçambique ratificou o AO em 2012. Essa posição teve em conta a Presidência da CPLP que o país assumiu. De resto é a posição do Governo Moçambicano de que os moçambicanos falam português, mas com características muito próprias, tendo em conta o grande peso das chamadas línguas nacionais. Na perspectiva deste Governo haverá também aqui imenso trabalho a fazer entre a ratificação do AO já feita e a plena entrada em vigor do mesmo. Sendo preciso clarificar a dimensão total e global das implicações de natureza não só financeira, como também, organizativa e operativa da língua. 2 - Há oposição significativa ao AO em Moçambique? Se considerar os escritores, poetas, jornalistas, professores de todos os níveis de ensino, formadores, educadores, investigadores, linguistas, artistas plásticos e alguns políticos moçambicanos significativos, então sim, é muito significativa a oposição. Depois, não se pode esquecer toda a massa intelectual moçambicana nas várias diásporas. Para além das vozes que se erguem, há ainda muitas vozes silenciosas. 3 - Qual é a opinião do senhor sobre as novas regras adotadas pelo AO? A minha posição é clara. Sou absolutamente contra o AO, digo mais: repudio-o! Este acordo nem sequer tem em conta a realidade específica de Moçambique, é um acordo meramente de cariz económico-financeiro, que não respeita as especificidades culturais dos diversos países da CPLP (africanos e Timor-Leste). 4 - Na opinião do senhor, o AO leva em conta as diferenças culturais entre os diversos países falantes de Português? Na minha opinião, não leva em conta, nem respeita as diferenças culturais e linguísticas dentro do espaço da CPLP. Além da língua portuguesa, quantas línguas mais se falam na Guiné-Bissau? Quantas línguas mais se falam em Angola? Quantas línguas mais se falam em Moçambique? Quantas línguas se falam em São Tomé e Príncipe, Cabo Verde ou Timor ?Leste? Alguém teve em conta que em alguns destes países a padronização destas línguas estava ainda em curso ou, em alguns casos, não se tinha ainda iniciado? E a alfabetização que decorria terá que ser feita em novos moldes? 5 - O AO facilita ou dificulta o ensino da língua em Moçambique? Se fala do ensino na língua portuguesa, eu diria pessoalmente, que dificulta. Porquê? Porque a formação ainda é deficitária. Muita gente já sentia dificuldades na norma anterior da escrita e da fala e estava ainda num processo de consolidação. Com o novo AO todo o trabalho feito, que foi muito e significativo, vai por água abaixo. Quem domina a língua portuguesa, actualmente, precisa de formação e até que, o domínio da nova norma seja efectivo, isso levará quanto tempo? Moçambique ainda tem falta de quadros na educação e os que há, apresentam algum défice de formação contínua, salvo uma relativa minoria e precisaremos de formadores em todas as áreas e sectores de actividade da sociedade, não só de educação. Quem, como e quando serão formados? E por quem? Quantos especialistas do novo AO há disponíveis para ir formar Moçambique de norte a sul? E quem lhes irá financiar? Outro facto a ter em conta, como atrás referi, será o da padronização das outras línguas faladas em Moçambique. Já existem aulas experimentais de alfabetização nalgumas línguas nacionais e outras ainda em processo de estudo. Como ficará tudo isto? Pergunto-me se tiveram em conta todos estes factores? E os manuais escolares moçambicanos serão produzidos por quem? Quem os financiará? Onde serão editados e quem serão os seus autores? Em quanto tempo será feito tudo isto? Quem irá financiar e apetrechar as bibliotecas nacionais, locais e escolares, que ainda recebem livros com a norma anterior e que muito se lamentam da falta de livros técnicos e não só? Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2013/11/entrevista-ao-jornal-brasileiro-da-casa.html ENTREVISTA A SITE ANGOLANO - 28Nov2013 19:51:00
1) Comecemos com a pergunta da praxe, como começou a escrever? R:Bem, comecei a escrever na escola e na altura escrevi mais prosa. Isto foi em 1982, ainda em Moçambique, e nessa altura já admirava muito o Eça de Queirós, Escritor Português, que descobri na humilde mas bela Biblioteca Municipal de Quelimane. E gostava também de ler Banda Desenhada, Lendas e Contos. 2) Quais são as influências da infância e adolescência que determinaram para a sua opção pela poesia e não para uma outra vertente artística? E porque? R:As minhas influências da Infância e Adolescência que determinaram a minha opção pela Escrita e não propriamente pela Poesia, de que no princípio nem era grande adepto, e não escrevo apenas Poesia.Foram como disse, antes as minhas leituras de Eça de Queirós (de Portugal), a descoberta da Moçambicana Noémia de Sousa na Poesia, da Poesia Erótica e Satírica do Poeta Português Bocage, da Poesia do Moçambicano Rui Nogar, da leitura dos Contos das Mil e Uma Noites, da leitura de Pepetela (de Angola), da leitura de Ruy Mingas (de Angola) e de alguns dos livros da colecção FBI que surripiava ao meu pai. Depois, lia muito os Jornais Moçambicanos ?Notícias?, ?Domingo? e a Revista ?Tempo? que o meu pai sempre comprava e via muito Cinema que depois contava aos familiares e amigos (meu falecido irmão mais velho era Artista Plástico Moçambicano e trabalhava em dois Cinemas de Quelimane). Também tinha um avô já falecido, que gostava de contar Histórias com grandes pingos de humor! Foi aí que decidi começar as minhas primeiras tentativas de Escrita. 3) Como se deu o processo de fixação em Portugal e para que fins? R:Foi doloroso. Nunca o esperei, pois a incorporação no serviço militar obrigatório moçambicano de vários familiares meus, entre eles de um irmão, vários primos, tios e tias, devido à birrice vingativa pessoal de um Comandante com a minha Família, não augurava nada de bom para mim e para um outro irmão meu. Tivemos de sair do nosso país para Portugal para prosseguir os Estudos. A África do Sul nunca foi opção, porque não concordavamos com o desumano Sistema político do APARTHEID. 4) Como tem sido a sua vida artística fora de Moçambique? R: Tem sido abençoada por coisas boas graças ao meu esforço, trabalho e dedicação. Já ganhei alguns Prémios e Reconhecimentos importantes. Felizmente os Convites não param de surgir. Ainda espero concretizar muitos Projectos e muitas conquistas. 5) Sabemos que criou o CEMD «círculo de escritores moçambicanos na diáspora» qual é exatamente o trabalho que desenvolve? R:Promover e Divulgar a Literatura Moçambicana (dentro e fora de Moçambique) e autores Moçambicanos conhecidos e desconhecidos que estão dentro e fora de Moçambique, criar pontes entre nós e potenciar o intercâmbio entre os Autores da CPLP. 6) Que relações mantem com os escritores moçambicanos na diáspora e em Moçambique? R: Quer nas diásporas, quer em MOÇAMBIQUE sem excepção, relaciono-me bem com todos, de forma natural, saudável e normal. Existe um intercâmbio intelectual saudável. Todos os dias trabalho para que este objectivo seja uma realidade, pois acredito que o compromisso maior dos Escritores deve ser com a Escrita! Alguns desses Escritores, tornaram-se meus amigos pessoais e cúmplices das grandes jornadas literárias! 7) Na sua opinião quais são as dificuldades para publicar um livro em Moçambique? R: Tem a ver com o fraco investimento editorial nos autores moçambicanos menos conhecidos ou ainda pouco reconhecidos ou desconhecidos. As grandes Editoras não apostam em valores desconhecidos. Uma visão estratégica errada! Depois, o mecenato cultural deveria ser mais incentivado e reconhecido! 8) Fale-nos da literatura africana contemporânea (Angola, Cabo-verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe). R:Creio que as Literaturas Moçambicana, Angolana e Cabo-Verdiana levam vantagem sobre as Literaturas da Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe. Ganharam um Estatuto diferente! Moçambique, Angola e Cabo Verde ganharam a Projecção que a Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe ainda não possuem. Mas julgo também que apesar de tudo, todas elas partilham os mesmos dramas e problemas! 9) Na sua opinião como está a literatura africana de língua portuguesa, em termos de produção? R:O número de Autores de qualidade aumentou e obviamente a produção literária cresceu. Virou moda ser Escritor, Poeta ou Artista Plástico! O inverso também aconteceu, há demasiada gente publicando, mesmo sem qualidade nenhuma. E existe muito oportunismo e busca de simples protagonismo doentio. Será necessária a filtragem, que estou certo só a crítica e as Academias se encarregarão de fazer! Nesse processo, deve estar de fora o poder político! 10) Qual a sua opinião sobre o ensino das artes nas escolas africanas? R: Julgo que em relação ao meu país em especial, apesar de ter grandes mestres da Pintura, Desenho, Escultura, Cerâmica e Fotografia (Malangatana, Chichorro, Bertina Lopes, José Pádua, Naguib, Inácio Matsinhe, Reinata Sadimba, Shikani, Lívio de Morais, Ribeiro Canotilho, Chissano, José Júlio, Lara Guerra , Mankeu, Naftal Langa, Heitor Pais, Ricardo Rangel, Ntaluma), precisa de um grande investimento na área do Ensino.Mais Escolas Intermédias, Profissionais e Superiores de Artes e de preferência em todas as Cidades Capitais Provinciais até ao Ensino Universitário, com promoção de Mestrados e Doutoramentos. Julgo também que teremos muito a aprender com outros países da África Central,nesse aspecto particular! De resto, acredito que Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe têm problemas comuns nesta área. 11) Sobre a literatura de língua portuguesa, que livros recomenda para leitura obrigatória e porquê? R:Neste momento, julgo haver Autores que já deveriam ser obrigatórios! Sem discriminar ninguém, julgo que José Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knopfli, Rui Nogar, Mia Couto, Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane, Eduardo White, Luís Carlos Patraquim e Virgílio de Lemos devem ser as referências. Mas sem descurarem Antologias inclusivas de todos os outros Autores Moçambicanos que estão dentro e fora do país e já possuem obra significativa.Exemplos? Nélson Saúte, Marcelo Panguana, Calane da Silva, Ascêncio de Freitas, Lília Momplé, João Paulo Borges Coelho, Heliodoro Baptista, Jorge Viegas, Suleiman Cassamo, Delmar Maia Gonçalves, Guita Jr., Sebastião Alba, Sónia Sultuane, Lucílio Manjate, Ruy Guerra, Albino Magaia, Bahassan Adamodgy, Jorge Rebelo, Filimone Meigos, Marcelino dos Santos, Luís Bernardo Honwana, Rui de Noronha, Reinaldo Ferreira, Nuno Bermudes, Glória de Sant?Anna, Ana Mafalda Leite, Orlando Mendes, entre outros. 12) Qual é a importância da literatura oral no contexto atual e num mundo cada vez mais globalizado? R:É de importância fulcral, pois é o início de tudo. Necessariamente teremos de preservá-la, defendê-la! Está lá a nossa Identidade, a raiz da nossa História ancestral! Mas julgo estar neste momento sendo resgatada pelos jovens Africanos, que já perceberam a sua importância! 13) Fale-nos do contexto atual do estado Moçambicano, estamos a beira de uma guerra? Como cidadão qual é a sua opinião? R:Creio que neste momento vivemos uma guerra não declarada, com consequências imprevisíveis. O próprio regime de tipo Democrático estará posto em causa em termos de futuro. Sou absolutamente contra o belicismo actual, e, portanto, contra qualquer hipótese de guerra. Este conflito deve ser resolvido pela via do Diálogo, que aliás estava decorrendo quando foi bruscamente interrompido! Não julgo normal ou viável que sucedam ataques armados recíprocos com mortes e em simultâneo se fale de Diálogo e de Paz! As Hostilidades devem parar já!!! É uma loucura, um absurdo em que o Povo Moçambicano não se revê! 14) Enquanto poeta e escritor, que mensagem deixaria para a juventude africana? R:Apelaria para que a Juventude Africana aposte forte na sua formação quer Académica quer Profissional, acredite em si própria e tenha fé e esperança no FUTURO, sem que isso signifique deixar de ser mais reivindicativa , mais crítica e auto-crítica no PRESENTE! Nada nos é dado de mão beijada, gratuitamente. Temos de lutar, lutar sempre para conquistar um pedaço que seja do nosso chão! Por: Domingas Monte Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2013/11/entrevista-site-angolano.html TIBET IS NOT CHINA - 25Nov2013 21:58:00
A Paz é um direito inalienável, não o desperdicemos. - 11Nov2013 07:48:00
Revista Literatas - 15Out2013 01:34:00
Informação importante sobre o Acordo Ortográfico - 06Mai2013 21:19:00
Enquanto autor, sou totalmente contrário ao assim denominado "Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", pelo que, continuo e continuarei a escrever segundo a chamada "Norma Antiga".
Delmar Maia Gonçalves Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2013/05/informacao-importante-sobre-o-acordo.html «Viola Delta volume XLIX ? poemas sobre África e outros textos» - 26Mar2013 22:06:00
Para festejar os 35 anos dos Cadernos de Poesia Viola Delta, iniciados em 1977, surge este novo trabalho poético. Trata-se de um livro colectivo com poemas de quinze autores: Al Aarão, Alberto Martins Rodrigues, António Cardoso, António Salvado, Armando Taborda, Carlos Domingos, David Mestre, Delmar Maia Gonçalves, Fernando Grade, Fernando Pinto Ribeiro, Júlio-António Salgueiro, Luís Filipe João, Luísa de Andrade Leite, Manuel Ramilo Salgueiro e Maria Almira Medina. Não se trata apenas de juntar poemas de 15 poetas em livro. Há sempre algo mais ? História e Memória, ambas vivas. Todos os autores trazem uma nota de apresentação; por exemplo na ficha de Alberto Martins Rodrigues (1950-1986) escreve Fernando Grade: Do «I Encontro dos Escritores Portugueses», realizado em 1975, um dos grupos de trabalho emergentes foi a Comissão para Publicação de Autores em Editor: Afonso Cautela, Fernando Grade, Hermano Neves, João de Melo, José Correia Tavares, Júlio Conrado e Serafim Ferreira. Desta pró-literária (ou a-literária) salada russa salpicada de molho tártaro e beirense, acabou por não sair qualquer coelho da cartola real ou fictícia. Até porque o «25 de Abril» foi estrangulado pelos vendilhões do Tempo? Era alentejano de mais para ser sorvido pelos janotas analfas do Chiado. Os perfumadinhos encharcados em dólares (marados ou não). Os capados da alma.» David Mestre (1948-1998) foi viver para Luanda com 3 anos, jornalista e poeta, desertou do exército português em Angola e foi preso em 1971 para ser libertado em 1974. Começou a publicar em 1973 e além de livros de poesia publicou crónicas e ensaios. Júlio-António Salgueiro (1943-1975) foi um dos fundadores do Movimento Desintegracionista em 1965 e em Luanda escreveu o poema «Movimento da Terra»: «Depois da morte como depois da tua vida / Não procures o significado oculto da rosa apodrecida / Aonde queres chegar tens que partir só na tarde negra / Que zumbe na temperatura do grande verão / No centro da esfera de luz que se move em movimento / E não te prendas com o que não é há muito esperado / Não olhes a paisagem porque não é paisagem única / A ninguém interessa se estás contente e a águia desce / A prumo e cada átomo do teu corpo refaz o mundo / Na sua totalidade escuta há grandes intervalos / Que devem ser preenchidos entre a vida e a morte». (Edições Mic, Ilustrações: J. Leitão Baptista, Júlio Gil. Nadir Afonso) José do Carmo Francisco in Gazeta das Caldas Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2013/03/viola-delta-volume-xlix-poemas-sobre.html "MESTIÇO DE CORPO INTEIRO" por DELMAR DOMINGOS DE CARVALHO - 26Jan2013 22:23:00
Quando li este livro de autoria do meu querido amigo Delmar Francisco Maia Barrigas Gonçalves, senti a dor da incompreensão e a alegria do amor que brota dum nobre coração universalista. Esta obra ficou a meu lado, na minha secretária, uma das raras que têm essa posição. De vez em quando leio-a, reflito, torno a ler, procuro entrar no chamado ?inconsciente coletivo?, coloco-me no lugar do meu irmão Francisco, mergulhando no seu mar profundo. A ambos, nossos queridos pais escolheram o nome de Delmar, mas ele é Francisco, o Cristo da Idade-Média, agora do século XXI, sente as dores e as alegrias da Humanidade, como um verdadeiro discípulo do Salvador. Por isso ele é mestiço produto de cruzamentos acima das raças, do amor universal, onde elas não existem e onde florescem lindas flores de todas as cores. Podem atirar-lhe pedras que ele reenviará flores carregadas do amor fraterno, puro, que tudo perdoa, que une e eleva. Ele é um Gandhi que tanto amou e muito sofreu; ele é um Martin Luther King II, que deu a vida pela Fraternidade Universal, e, ao mesmo tempo, ele é um simples e humilde cidadão que tem raízes em Moçambique, como em Trás-os-Montes, Portugal, como em muitos outros locais, ele é timorense, ele é São-tomense, ele é cabo-verdiano, ele é brasileiro, qual Padre António Vieira, apóstolo dos índios, ele é angolano, guineense, como é inglês, francês, americano, eslavo, indiano. Embora nascido em Quelimane, Zambézia, Moçambique, filho de um pai branco e de uma mãe negra, Delmar Gonçalves é um cidadão universal. E porque é mestiço sente de um modo especial o amor a toda a criação, livre de dogmas, de caducas convenções sociais, de preconceitos cristalizadores, ele é um verdadeiro amigo de todos sejam quais forem as suas cores, os seus credos, os seus países. Nele está tudo misturado, tal como na Unidade da Vida. Por isso, quando tive a alegria e a honra de conhecê-lo, logo senti que estava perante um irmão cujo coração está cheio de amor e de compaixão. Dizem que eu sou branco, mas não me sinto como tal, em mim também estão todos os povos e todas as cores; sucede o mesmo no meu querido amigo, ele é ? mestiço de corpo inteiro?, mas ele é Universal, e nunca o vi como mestiço, mas como um irmão do arco-íris. 28 de janeiro de 2013 Delmar Domingos de Carvalho Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2013/01/mestico-de-corpo-inteiro.html DELMAR MAIA GONÇALVES por LUÍS FERREIRA - 03Jan2013 18:48:00
DELMAR MAIA GONÇALVES Africano à descoberta e conquista colectiva de novos territórios poéticos,DELMAR MAIA GONÇALVES vai buscar força e coragem para mergulhar afoitamente nas bravias tempestades dos dias que vivemos. Assim prepara a colheita com a semente poética para o futuro,na busca permanente de fraterna solidariedade. Homem-Poeta que nasce sob o signo do vulcão,que sente o calor abrasador,a incandescência da lava que tudo derrete e transforma até solidificar e cristalizar a sua linguagem criativa. Que os deuses a existirem não sobrecarreguem de obstáculos a já difícil tarefa dos Poetas em construir Poesia. LUÍS FERREIRA (ARTISTA PLÁSTICO e POETA PORTUGUÊS) Lisboa,2006. Fonte: http://delmarmaiagoncalves.blogspot.com/2013/01/delmar-africano-descoberta-e-conquista.html Faça o seu registo
Painel controlo
Procura
Ciclos de Poesia
Poeticando
Membros Klub
Florbela Espanca
Sondagens
Visitem Também
Onde estou:
| ||||||
| |
||||||
