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Ônix

O Vale dos meus medos - 25Mar2019 15:37:24
Preciso de um tempo a mais
para te dizer o quão abrasador
foi o nosso tempo
a brincar pelas ruas escancaradas

Preciso de um momento nocturno
no Vale dos meus medos
e tudo voltará a ser como sempre...
a escrever versos na arca dos segredos...

Preciso de me saber mais além
quando já não existirem dores
que definam esta colheita aguda
sentida tão perto do peito
como se do peito
me saltasse ferro e fogo

(Depois a água benta
onde afogar os meus receios)

Esta dor que é marca registada
sem saber da alma ali guardada
quando a última lua a iluminar a arca
onde havia escritos antigos
do tempo em que brincava
e o amor me dava a mão
por todas as ruas ainda fechadas

(A Alma que me ditou um dia
o livro onde escrita estava a origem
dos meus anseios )

Tê-lo assim guardado
um Poema feito de versos
em papelinhos às cores
que o vento cuidava
quando mos levava
da caixinha onde fechadas
estavam as minhas dores

Preciso de mais um tempo
além?além onde serei mais
do que tudo isto que guardei
no tempo?

no tempo
em que não sabia como escrever
sobre o Vale

O vale dos meus medos

Onix.dm



Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=337964

De igual para igual - 25Mar2019 15:37:24
De igual para igual tudo se completa. Como é fantástica a sombra, o reflexo, a virgem imaculada.
De igual para igual, tudo se organiza em prol de um objectivo comum. Como é evidente, a áurea que envolve as multidões em movimentos abertos, enfrentando os seus próprios medos.
De igual para igual, nem tudo é igualmente sereno. Como é desigual a volta que dão em torno de um pequeno astro, acabado de chegar à terra.
De igual para igual, nem sempre se pensa, nem sempre se sente, nem sempre se É o Todo.

Dolores Marques (ONIX)

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=337939

À luz de um Amor - 25Mar2019 15:37:24
Como precipitar-me
como o esvair da chuva
em busca de um amor meu
se há cascatas
a dilacerarem a montanha
na sua dor
por amor a um rio

A corrente não cessou
de se entregar ao rescaldo
de um passado
que nunca lhe foi
mar ou céu

Esperamos tu e eu
pela graça
enquanto elementos
fustigados pelo fogo
no seu trajecto aleatório
que nunca se soube ser um fado
em lealdade ao tempo de Jubileu

Como agraciar-te amor meu
se os nados-vivos ainda na história
foram os vilões do templo de Orpheu
onde baptizados fomos tu e eu
mas que nem a nossa sorte
ali se concebeu

Como alcançar-te fonte inesgotável
de um amor
que já foi
um pecado meu

Como dividir em parte iguais
os gritos inaudíveis
às portas da morte
quando desertaram
sonhos de um deus
que nunca soube
onde alcançar a sorte

Como apartar os medos
as angústias
a fertilidade
das Eras insaciáveis
pelo arrastar do tempo

Como libertar as lembranças
de um leito frio
ainda que se pressinta um passado
do que resta
dos seus corpos em chamas

As sombras descobrem a horizonte
os seus semblantes brancos
de retorno à luz de um amor
que nunca dera um nome
às lágrimas rejeitadas pelo céu

Onix



Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=332410

Tic-Tac - 25Mar2019 15:37:24
Sei que tudo se passa
como se passado fosse
a vida que temos
e não vivemos

Os filhos que de nós nasceram
e filhos tiveram

Os amores que por eles renasceram
tais primórdios do tempo onde
não existe tempo

Sei que tudo se passa
como se o presente fosse
um momento vivido já no futuro

Esse gigante pastor do mundo que
ainda não temos
dos tempos em que vivendo,
enlouquecemos

O tempo dos sentimentos que voaram
e não mais nos apaixonaram

O tempo em que sonhando,
dormente era o corpo

Duro na chegada da viagem

Sei que tudo é como um jogo
onde somos tudo
e não nos sabemos num lugar seguro

Onde nem o agora é permitido

E as mãos abertas
como se fossem asas brancas
voando num sonho imaculado


Mas nós perdidos no tempo
não damos pela presença
do tic-tac, tic-tac...a soar no peito
e gelamos por dentro

E chegam-nos melodias esquecidas
por um corpo ainda embrionário
nos voos dispersos das asas brancas

Onix/DM
https://youtu.be/KraW6nWwa0o


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=329464

Vazio - 25Mar2019 15:37:24
Não sei como imaginar
o vazio de um lugar?
vazio...

Sequer pensar nesse longínquo espaço
onde o pensamento é coagido
a permanecer à sombra
depois traído
quando por força do pensar
cuspido fora dos olhos

Não me surpreende esse frenético olhar
quando me toca
como um simples ruído
indecifrável?
até no silêncio
por não pensar em coisa alguma
ou então em algo semelhante
ao vazio do espaço
que permita imaginar-me
perto ou longe

Não lastimo a falta de o não o ter
é como se fizesse parte
da sua ausência
da imaginação daquele pensar abstracto

Não queira saber onde me encontrar
porque somente me sei
sem me saber presente

(Às vezes a ausência é eternamente
o espaço físico da morte
nunca antes anunciada)

Pois que nem a morte me sabe
nem me interessa
saber se ela existe
ou se no limite, sou?
o pensamento
antes
ou depois dela
por causa de pensar
que penso
a imaginar-me dentro dela

ÔNIX/DM

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=316880

Memórias - 25Mar2019 15:37:24
Ainda que no tempo
eu seja tarde?

Procuro no espaço das memórias
o primórdio do tempo
ainda sem idade

(Vasculho no baú da imaginação
reflexos de um porvir acorrentado)

Desconexa intemporalidade
fria, desobrigada, ermo
sem termo
no mirar do deserto dos olhos

Face à indefinição
dissipa-se no dourado manto
traindo o tracejado claro
do horizonte

Demora-se a contínua expressão
do olhar cativo de um lugar
absorvido
pela contagem das horas

(Ainda que no tempo
ele seja tarde?)

ÔNIX

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=312874

Lua - 25Mar2019 15:37:24
A revelação da lua
listada no meu corpo
excelso na acção
face à reacção
do movimento aberto
às sombras nos olhos
nem sempre é a lua

Um dia...
é fogo
de dentro para fora
fora a pele ressequida
no quarto minguante
onde mora

Outro dia...
fios de água
a cismar com a chuva miudinha
nas pontas dos dedos

Nem sempre a terra
é aridez sem o toque das mãos

Tão pouco o reflexo
afagado pelo ar que lhe sai da boca
é a inversão da lua

ÔNIX

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=312833

Amanhecemos - 25Mar2019 15:37:24
Perto do ponto mais alto
onde só o vento conhece
a solidez do tempo?.
que enche os espaços fechados

Ali no centro do poema
que se agita acima das águas
quando por força de um elemento
a terra lhe treme debaixo dos pés

Não sei até que ponto
as asas batem livremente
pois se todo o arvoredo
se despiu do verde da folhagem

Não sei das rimas cruzadas
nos muros xistosos
não vejo os musgos nas eras
do tempo verde-água

As mãos oprimidas
por cima dos olhos
buscam novos versos
nas sombras

Porque a noite quase sempre
nos devolve
os sons das vozes caladas
dentro de nós...

Amanhecemos !

ONIX

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=312597

Tela em branco dos olhos - 25Mar2019 15:37:24
Sons e rumores
os temores
quando a noite sucumbe
incorpórea
(mente)

Tremores na longitude
do corpo
traçado na linha perpendicular
à orla do tempo

Inconstante a mão aberta
ao arquétipo frequente
da memória interiormente
intacta num buraco negro
sem fundo
ausente do mundo

Argumentam:
o medo e o silêncio inatos
ante o desfilar das linhas
escritas por entre os dedos
quando um prenúncio distante
na presença do sublime acto
é ausente

Dormência, engenho e arte
no abstracto intemporal
incolor
na tela ainda em branco
dos olhos

ÔNIX

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=312051

- 25Mar2019 15:37:24
Tenho a fé
resguardada no olhar
tal estrela que se recolhe
num ponto equidistante
do infinito

Dou-ta se a quiseres reescrever
como só tu a sabes ler
nas orquídeas brancas
que nascem no vale dos lobos
onde se recolhem os aflitos


ONIX

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=312013