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Currupiao





trazia em si a alma triste dos espelhos
e sem ser bela era de todas a mais bela
no rosto pálido nas curvas nos joelhos
no riso triste como a chama de uma vela

a pouca graça que exibia era só dela
mas seduzia dos mais moços aos mais velhos
graça de moça emoldurada na janela
a mostrar os lábios vermelhos tão vermelhos

que a tentação se transformou num caso sério
enlouquecido o farmacêutico eleutério
largou família e foi bater na sua porta

se catarina ou esmeralda pouco importa
o que se sabe é que no fim acabou morta
virou manchete de uma história de adultério


18-02-13

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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/nPIT8Azi29E/soneto-adaptado-de-uma-cronica-policial.html

INTERMEZZO - 14Fev2013 17:51:00


meus sonhos estão cansados
a possibilidade da trombose me apavora
o coral dos gatos no telhado distrai a madrugada
a esposa do silêncio me deseja
em trajes de adultério ela invade meu quarto
seu rosto noturno é feito de sombras sonâmbulas e seculares
que o tempo não conseguiu dissolver

no entanto sou um homem do outro século
uma figura antiga divida entre a doença e a cura
correntezas antigas me arrastam para as portas de alguns dias
                                                                   [que julguei mortos
escravo do que fui padeço do meu passado
sem que os homens que frequentam o mesmo bar da rua abolição
percebam ou sintam a menor compaixão de mim


14-02-13


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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/f8YW-QDOucw/intermezzo.html

ANTIODE AO MAR - 13Fev2013 16:28:00


não gosto do mar
o mar me dá repulsa
não vejo beleza nas ondas
e o cheiro da maresia
me faz enjoar

mas um dia gostei do mar
não do mar propriamente
mas dos seus mistérios
quando eu cria em mistério
hoje não creio mais não

os casos de pescadores
as fábulas de sereias
o olhar sonâmbulo
das pedras de um cais
tudo isto me fascinava
no tempo da minha infância
agora só me chateia

os navios que me chegavam
vindos dos longes mais longe
afundaram todos
e desses naufrágios
- para minha sorte -
não ficou um só sobrevivente

não me falem do mar


13-02-13

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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/qYiCtJDgbuo/antiode-ao-mar.html

O POEMA - 13Fev2013 00:22:00


o poema descansa num cômodo
desta casa inabitável
foge das palavras frias & gastas
que sem pedir licença insistem
em lhe quebrar o santo sono

o poema pede sossego apenas
não devemos perturbá-lo com
metáforas & rimas muito menos
casos de amor mal resolvidos
luas de noites passadas em claro
estrelas dos versos de bilac
disto tudo o poema quer distância

o poema deseja que nos afastemos
levando conosco as vozes declamadoras
o poema deseja apenas o desprezo
dos cemitérios abandonados
das mulheres que perderam a beleza
nas lágrimas choradas pelos maridos
que disseram volto já
mas nunca mais voltaram

o poema quer ficar longe do poeta
não adianta insistir não adianta
o poema nada tem a dizer ou declarar
amanhã talvez mude de ideia
por enquanto pede apenas que o deixemos
quieto & intocável
em sua absoluta & total solidão de poema


12-02-13


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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/67zdb6R6Ug4/o-poema.html

PEQUENA CENA BRASILEIRA - 04Fev2013 21:11:00


na baixada santista
no meio da rua
em quatro minutos
um rapaz foi assassinado
com trinta e sete facadas
por causa de 5 reais

por causa de 5 reais
com trinta e sete facadas
um rapaz foi assassinado
em quatro minutos
no meio da rua
na baixada santista

(o assassino fugiu de bicicleta)


04-02-13

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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/dZvrIB9kGtA/pequena-cena-brasileira.html

SONETO DAS ETAPAS - 20Dez2012 08:59:00


o lúdico que ao vosso corpo ilude
agora na cadeira de balanço
vos traz a infância boa que tão rude
vadiava nua livre e sem ranço

foi-se o tempo e com ele a juventude
alçou seu voo num rápido avanço
maturidade em sua plenitude
passou breve sem pausa sem descanso

e na vossa casa enfim a velhice
sem bater entrou nada vos disse
sendo porém a fase derradeira

cochila com o gato no tapete
e de quando em quando canta em falsete
até que a morte encerre a brincadeira


19-12-12

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júlio


Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/I_g_v4b5ymg/soneto-das-etapas.html

ALERTA SOBRE O POEMA - 19Dez2012 10:51:00


água esquecida na bacia
o poema tem alto teor de racumin
afasta-te dele  -  não chegues perto
porque o risco da tentação
é muito maior do que qualquer cuidado
foge pro teu canto
deixa que uma revista de TV te distraia
o poema é porta aberta para o vício
não percebes que a morte está sempre a rondá-lo?
o encantamento que o poema traz
é pura reinação do demônio que habita em cada um de nós


19-12-12

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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/IUG1SlmU838/alerta-sobre-o-poema.html




"Morreram todos a bordo, mas o barco persegue o in-
tento que desde o porto vem buscando" (*)
- Giorgos Seféris -

a algazarra dos marujos mortos
parece ignorar o luto das pedras
setas indicando lugares
que o fim-do-mundo não quis

dever não cumprido
cheiro forte de maresia
o corpo do poema também jaz frio
no cais

nada mais a fazer
o barco se despede
e sozinho segue o seu destino
o mar em paz agradece


(*) Tradução do grego de José Paulo Paes

16-12-12

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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/wkOYsobFsP0/viracao.html

MARÍA POLIDOÚRI - 13Dez2012 20:12:00


"Sou a flor roída pouco a pouco por um verme secreto..."
- María Polidoúri -


toca-me fundo o teu desespero de noites corroídas
mãos geladas acenando despedidas premeditadas
palavras bêbadas & olhares asfixiados
ruas compridas que iam dar sempre na porta da indigência
atenas com suas traças devorou teu corpo frágil
como se tua carne fosse toda feita de trapos
mais tarde paris foi a confidente que acabou por trair-te
mas nunca percebeste quanto veneno havia no vinho oferecidos
sob as luzes cegas daqueles lugares suspeitos

toca-me fundo a tua solidão de flores que já nasceram murchas
chuvas de verão que de nada serviam & pesados invernos
outonos que enchiam teu quarto triste de assombrações
as primaveras eram feridas que não iam cicatrizar nunca
todas as estações traziam-te a crua intimidade da morte
no entanto não querias mas um dia foste amada
quando achaste de querer já estavas morta


13-12-12
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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/lTUqLQWTLjA/maria-polidouri.html

HISTÓRIA DE SANTO - 13Dez2012 02:28:00

quando lhe morreram os pais
(um se foi atrás do outro)
santo antônio do egito
também dito santo antão
santo ainda não era
talvez nem quisesse ser
deu parte dos bens a irmã
a outra deixou com os pobres
e foi viver no deserto
em oração dia e noite
de vez em quando o demônio
achava de ir perturbá-lo
então a coisa pegava
quebrando a monotonia
assim foi a vida de antônio
assim foi a vida de antão
morreu tinha mais de cem anos
dentro de sua caverna
com os dentes todos perfeitos


11-12-12

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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/23jKbxA3Vu4/historia-de-santo.html


´
"De tão lúcido, sinto-me irreal."
  - Dante Milano -



meu barco navega sobre os meus dias contados
com a calma de quem perdeu o medo do mar
não careço bússola - deixo-me conduzir pelas estrelas
e rio por saber-me um homem do passado

como prenda levo a lembrança dos meus mortos
as muitas bocas que a timidez me impediu beijar
as lágrimas que guardei e esqueci de derramá-las
as inoportuníssimas gargalhadas de deboche
alguns pedidos de desculpa levo comigo também

minha insaciável vontade de beber deixo por aqui
quem se interessar por ela faça bom proveito
(pode ser útil nos momentos de vazio absoluto)
meu livro de sonhos e meu canivete suíço
meu relógio que parou num meio-dia qualquer
pensei em deixar mas por capricho mudei de ideia
pequenos caprichos valem mais que uma fortuna

meu barco navega sobre os meus dias contados
com a calma de quem perdeu o medo do mar



11-12-12

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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/1UniYOKgyUE/elegia-sobre-os-meus-dias-contados.html

O ENJEITADO - 10Dez2012 06:27:00


na secção de achados & perdidos
do aeroporto internacional de guarulhos
jaz um poema de amor ao lado de um par de dentaduras
a mulher que o lia na sala vip com lágrimas discretas
de propósito fez deixá-lo na poltrona
e embarcou num voo noturno para copenhague


10-12-12

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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/Id180iQZ-bs/o-enjeitado.html

ARMADILHA - 09Dez2012 15:16:00



tenho medo dos olhos
azuis que não tive...


09-12-12

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Júlio Saraiva
São Paulo, Brasil
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/MrddrwajLv0/armadilha.html

CRIME PERFEITO - 09Dez2012 15:09:00


pois foi assim - eu vi
: a moldura engoliu narciso
& o espelho levou a culpa


09-12-12
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Júlio Saraiva
São Paulo, Brasil
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/vPNeEtq4LDQ/crime-perfeito_9.html

MARCHA-RANCHO - 09Dez2012 01:08:00
"Todos são príncipes e mandarins
E ao fim dos festins simples polichinelos..."
- Dança de Força -
Poema de Paulo César Pinheiro com música de Eduardo Gudin


um dia tive medo de adivinhar o mar
para não espetar o coração dos navios
nunca fui alegre - punha-me triste nos parques
minha mãe fazia as vezes e sorria por mim

então foi que os meus dias me vinham exaustos
uma mulher que guardei no colo da memória
espalhou pela rua toda que eu era poeta
e na minha tolice deu-se pois que acreditei

não aprendi música porque não quis nunca
mas sempre brinquei de inventar girassóis
qualquer dia desses prometo ir à falência

(que o dono do botequim não me ouça...)
os foliões desfilam tão alegres lá fora
e eu daqui da janela metido em meu tédio assobio...

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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/zblg6ZqkYO4/marcha-rancho.html

BERCEUSE PARA CRISTIANE - 08Dez2012 08:52:00

no teu sono macio as palavras respiram
e o meu poema se refaz manso
como a criança encantada do brinquedo

no teu sono macio a treva desaparece
as minhas luas mortas reagem
e tornam a brilhar num céu sem fim

no teu sono macio os anjos existem
o tempo impiedoso descansa um pouco
e bocejando ameaça desistir de passar

no teu sono macio a imaculada canta
e o mundo todo de repente se encolhe
para poder escutar o seu canto de paz



08-12-12
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Júlio Saraiva,
São Paulo, Brasil
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POEMA - 07Dez2012 20:54:00


esgotadas todas as possibilidades de respirar
abro sem medo os meus olhos para a morte
meus barcos pedem paciência aos ventos
a tempestade de um dia agora parece tão calma
o silêncio me ensina o evangelho segundo os peixes
sem querer então me descubro rezando
diante de um altar de algas e espumas

não sinto cansaço ainda que me falte o ar
e ressuscito memórias velhas mas tão velhas
que me torno menino de novo a correr sem parar
o peso das marés que tenho nas costas não me incomoda
uma gaivota amiga me empresta o seu voo


07-12-12
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Júlio Saraiva
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POEMA NUBLADO - 23Nov2012 16:55:00


pesava um silêncio roxo de depois da missa
minha avó me levava pela mão à igreja de são geraldo
onde por acaso fui batizado
hoje esbarrando nos sessent'anos
olho o largo padre péricles em perdizes
: a igreja de são geraldo ainda está lá com sua fachada cinza
e em cima do altar-mor o mesmo são geraldo triste segurando um crucifixo

cônego ulisses salvetti que mancava de uma perna
me batizou em latim - sou do tempo do latim - já morreu
minha avó já morreu e meus pais também
para desgosto de minha avó não fui padre
: conheci mulher muito cedo
mas o cordeiro de deus me espia do alto e me perdoa
pensando bem eu não devia nunca ter sido poeta
: acumulei num só peito de homem todas as dores do mundo
e morri muitas vezes
: o prazer pelo álcool começou muito cedo

não deixarei herdeiro e nem herança
os sinos de são geraldo tocam as vésperas
já não creio mais que os santos façam milagres
nada mais espero de mim mas sigo
calado como o cristo morto na procissão de sexta-feira santa
minha mulher me olha com ternura
e me diz que amanhã vai fazer tempo melhor
: mesmo nublado eu acredito  -  a morte passa


18-11-12

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Júlio Saraiva
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SONETO INGLÊS DO MEU TEMPO - 05Nov2012 19:23:00

Aos meus pais, em memória.


neste meu tempo triste habita um velho
que por crer na sua fantasia envelheceu
abraçado aos cacos finos do espelho
riu-se da morte que o acaso lhe deu

seu casarão em tijolos um templo
mas veio outro tempo e mal o sucedeu
e servindo sempre de mau exemplo
escreveu nós onde devia ser eu

sendo um foram tantos os cadáveres
que de envergonhada a morte enrubesceu
escondida no colo das árvores
quando inda havia campas em mármore

com seus anjos tristes que a terra comeu...
(quem foi que roubou aquele tempo meu?)

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Júlio Saraiva
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OS POEMAS DE AMOR MORRERAM... - 05Nov2012 13:28:00

os poemas de amor morreram
de falência múltipla das palavras
: flores & coroas
não devem ser enviadas

no princípio era a miopia
mas não ligaram importância
: bastava um par de óculos - não resolveu
depois veio a cegueira irreversível
provocada pelo diabetes
: excesso de açúcar nas palavras
volta não teve mais

os poemas de amor morreram
pelo bem da poesia & dos poetas que vão nascer
não foi falta de aviso
: rilke já havia alertado
dos perigos dos poemas de amor

os poemas de amor morreram
: lágrimas são inúteis
os poemas de amor morreram
na mais cruel indigência
nenhum poeta custeou o enterro
nenhum sino dobrou choroso
nenhuma mulher desesperada cortou os pulsos
com a lâmina de barbear do amante
que fugiu para moscou com a trapezista
de um circo-fantasma
nenhum infeliz se atirou da sacada do prédio
de uma repartição pública qualquer
nenhuma adolescente se entupiu de barbitúricos
com bebida ordinária

os poemas de amor morreram
: - In Paradísum dedúcant vos Angeli
Requiéscant in pace."

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Júlio Saraiva
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Fonte: http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/HlpfT/~3/F6z82wc03ho/os-poemas-de-amor-morreram.html


é dever do poeta
repatriar o poema
ao seio da noite
em que foi gerado

repartir o pão
das palavras com
os que não o têm
é dever do poeta

dizer não quando
o sim pode ferir o
menor não é dever mas
obrigação do poeta

é obrigação do poeta
ir à forra em nome de
todos ainda que o inimigo
lhe sangre o verso

é dever e obrigação
do poeta tocar o barco
ainda que ele corra o
risco de navegar sozinho

15-10-12_
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Júlio Saraiva
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BUCÓLICO - 14Out2012 07:24:00


Um leve sopro de flauta
Um poema que não aconteceu
Uma imagem que bem podia ser
Uma nuvem de poeira
Um anjo
Uma estrela
Uma ilha

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Júlio Saraiva
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MÁRMORE - 14Out2012 07:20:00




A beleza pálida das antigas noivas mortas...


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Júlio Saraiva
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POEMA OBSCURO - 12Out2012 07:52:00

tenho um gosto de cacos de vidro na boca
mas posso ouvir da janela o dobrar dos sinos do convento carmo
teresa de ávila - a grande doutora - não quer ser mais minha amiga
joão da cruz não me recita mais os seus Cânticos
teresa de lisieux despreza o meu rosto
e manda dizer que não sou digno das suas rosas
meus santos todos se cansaram de mim
sou um homem sem prece e sem rumo
a caminhar torto pela Rua Direita

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Júlio Saraiva
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