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Alentejana

Amor... - 25Mar2019 15:32:13
O vocábulo amor anda de boca em boca
Num tempo em que a maldade impera,
A ganancia, inveja, e maledicência tosca
Meu Deus, em palavra vã, o amor degenera

Ridiculamente irrisório, atulha em troca
De holofote luzente na fartura,
Ou na mingua, assoberbante engenhoca
Num tempo sem cerejas, que seja sincera

A palavra amor, traga na lapela a esperança
Consiga fazer da vida bonança.
No olhar afeição, no canto da boca melodia


Então talvez o poeta arranque da alma
Os sentimentos que extorquiu da lama
E os resguarde p`ra sempre da ventania

Poesia de Antónia Ruivo
http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=271293

E agora... - 25Mar2019 15:32:13

E agora?
Pergunto ao vento que sacode a vidraça.
E agora? que rolam no chão todas as folhas mortas
De uma árvore tombada.

Questiono seja o que for
Numa esperança fugidia
Quero saber qual a cor
Que deixa a alma fria.

Às vezes penso que é branco o desamparo
Outras é negro? e um reparo logo vem
Como quem não quer a coisa, malvado
Ri de mim, ri de ti, até do além.

E agora?
Que choram as pedras que os teus pés pisaram.
Será que por entre elas nascem beldroegas
Se assim acontecer é porque entregas
Nas mãos de Deus águas que brotaram

Dos meus olhos.

Poesia de Antónia Ruivo.




http://en.calameo.com/read/003383504c2b1a97d22a5

http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=271173

Recomeço... - 25Mar2019 15:32:13

Transporto nas mãos abertas uma ânsia fria
Nas pontas dos dedos vazio pardacento
Na boca o travo do beijo em fantasia
Nos olhos vaticínio, breve nascimento.

Assim dou por mim deambulando ousadia
Quimera auspiciosa sempre em movimento
Não importa se anoiteceu ou raiou alegria
Os fantasmas são tantos, ignoro o cinzento,

Que pesa na saudade, de tudo e de nada
Quero lá saber ? é carta fechada
Quero lá saber? olho e desconheço.

A frieza do espelho, impávida feição
Que me diz incrédula em contra-mão
Porque te móis tanto? Olha o recomeço?

Poesia de Antónia Ruivo

http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=271107

Sina... - 25Mar2019 15:32:13

Sei-te no pensamento
Numa folha de árvore que cai
Até na força do vento
A tua presença não esvai.

Sei-te na pálida lua
Por entre a chuva
Que molha amiúde os meus olhos
Por entre as ruas desertas
As buzinas dos carros
Até nas pedras cinzentas
Ouço os gritos?

De um amor muito nosso
Que o tempo não trai
Sei-te em qualquer momento
Vê tu? estranheza de vida
Remendos que o dia despeita
E a noite por vezes desfeita.

Segreda. Mas que sina a tua!

Poesia de Antónia Ruivo

http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=271045

Tudo passa... - 25Mar2019 15:32:13

Num ponto ao sul intento o teu rosto
Desenhado no barro a tinta-da-china
Mas a sorte trocada? e no mês de agosto
O barro vermelho morre de míngua

Nesta saudade sem cor e sem gosto
Dou por mim a indagar o céu que me olha
Parece dizer que o ponto é o oposto
Ao meu querer que agora desfolha

Um rosário sem fim? mas que recordação
Que me atira por terra? é só encontrão
Se dissipa num ai sem prever o clamor

Que se solta do peito corre campo fora
Retorna no eco que ao meu ser aflora
Tudo passa apressado? mas porquê o amor!

Poesia de Antónia Ruivo

http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/
https://www.youtube.com/channel/UCUiGn-lvn1APD3DKHj9TKcQ


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=270689

Se morrer logo mais... - 25Mar2019 15:32:13
Se morrer logo mais que seja em campo aberto
Como amparo um tronco de sobreiro
Que me aqueça o calor da terra, e o vento suão
Leve a minha alma e a espalhe num campo de trigo

Porque na vida fui joio, tenho nas mãos a enxada
Que dilacerou a minha silhueta, fez dela gato-sapato
Por vezes deixou-me estendida numa valeta
Tendo por companhia arame farpado

Se morrer logo mais, quero os calos das mãos
A velarem por mim, e de mortalha papoilas
Quero que me chore um velho irmão
Que tal como eu fez da terra o pão.

Poesia de Antónia Ruivo

http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/



Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=270289

Oração... - 25Mar2019 15:32:13
Minha Nossa Senhora
Meu Rosário de luz
Traz amor e ventura
A quem te procura
Traz um pouco de paz
De sorte também
Amolece os corações
Os olhares sem destino
Transporta no peito
Qualquer menino
A todas as mães
Dá-lhe uma força sábia
E a todos os pais
Um coração grandioso

Te rogo Senhora
Por todos nós
A treze de Maio
Que um dia vieste
Trazer a paz
No branco da veste

Poesia de Antónia Ruivo

http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=270244

Sem alarde... - 25Mar2019 15:32:13
Se viesse o meu amor por entre a tarde
E trouxesse nas mãos um sonho antigo
Eu juro, ficaria quieta, sem alarde
Não saísse o encanto pelo postigo

É que o tempo das cerejas é covarde
Ao meu peito trás a sombra em castigo
Assim que o coração se aventura e arde
Num terreiro em que busca um abrigo

Mas quem sabe troque as voltas em viés
Às trevas que circundam de antemão
E trespasse esta sina de lés a lés

E o tempo das cerejas então zele
Em cofre rubro o meu gasto coração.
Para que então nas cerejas o meu mel?

Poesia de Antónia Ruivo.
http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=270168

Pigmeu... - 25Mar2019 15:32:13

Porque me chama a ilusão que arde
Em fogueira de aflição, porquê eu?
Que transporto no peito fútil trave
Que consome em sinistro apogeu.

As lembranças ressequidas em alarde.
Às vezes vislumbro um alegre pigmeu!
Quase sempre ao final da tarde
Caricato? olho e ele desapareceu,

E então no meio do nada é que descobre
Que a quimera vive paredes meias
Corre veloz nem o vendaval encobre.

Esta força que a planície trás átona
Espalhadas pelos campos alegrias.
Pigmeu, não passas de mente brincalhona.

Poesia de Antónia Ruivo.

http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=270126

Deixem correr o poema... - 25Mar2019 15:32:13
O poema pode ser doce
brilhante, insidioso ou asqueroso.
Deve ser arrogante.

De uma presunção maliciosa
ferir o olhar
alterar o coração
apaziguar e odiar.
Deve ser interrogação.

O poema deve ser fronteira
que se escancara par a par
nunca por nunca ser, barreira.
Entrave ao despertar.

O poema
um rio inquieto
a trespassar o mundo
nas mãos a paz,
sorte, mentira ou verdade.
Uma mulher nua
um homem em êxtase
uma criança que corre.
Um cão, vadio e amigo.

O poema é sangue nas veias
o voo de condor
é mente que esperneia
com amor ou com rancor.

De que servem letras belas
se o recheio for oco
soltem versos nas vielas,
deixem correr as rimas.
Por entre ratos, vadios
e prostitutas, por entre
Igrejas e santos.
E mentes loucas.
Por entre gente comum.

Deixem correr o poema
é de todos e nenhum
silaba a silaba, fonema
escavado num trinta e um.

O resto, o resto até faz pena.

Poesia de Antónia Ruivo.

http://porentrefiosdeneve.blogspot.pt/

http://en.calameo.com/read/003383504c2b1a97d22a5

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=269789