Menu

Antologia

No cais

Blogosfera

Mundo Cão

Recomenda-se

Mundo Novo

Blogues

Diversidades

Crítica

Consagrados

Especial

Especial África

Últimos Feeds






Henrique Pedro



Vem de mão dada com a Primavera
Ambas de mil flores engrinaldadas
De aromas campestres perfumadas
Encantado poeta as espera

Cantam amor e paz em toda a Terra
Entoando as mais belas baladas
Com as aves canoras afinadas
São musas da poesia mais vera

Surgem lindas pelo amanhecer
A Primavera, a mulher amada
Primeiro amor em mim a nascer

Primavera! Poesia! Mulher!
Que lindas e alegres aliadas!
Eu, poeta, sonho. Deus assim quer!

Vale de Salgueiro, 12 de Abril de 2008
Henrique Pedro




Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/03/vem-de-mao-dada-com-primavera.html

À Mãe da Poesia - 14Mar2019 19:56:00



Revoadas de borboletas doiradas
geradas no Seu olhar
irão povoar
os canteiros do mundo inteiro
transformado em jardim
assim
a mim
me apraz sonhar

Verdadeiros poemários
viveiros de poemas
emanados das violetas
das rosas perfumadas
das florinhas de jasmim
dos amores-perfeitos
que florescem em santos peitos
e santificam os fadários
dos poetas anátemas

O mais belo poema é Ela
a Mãe de Jesus
a poetisa da Paz
alfobre de amor
flor que refulge de luz
e exala poesia
que noite e dia alumia
e adoça a dor
da vida mais sombria


Vale de Salgueiro, domingo, 18 de Julho de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/03/a-mae-da-poesia.html

O Mahatma - 12Mar2019 21:59:00



Sexo é luta de morte
é matar e morrer
devemos aprender 
a amar com serenidade
se filhos felizes queremos procriar
e um homem novo em nós ver
renascer

Não tem sentido foder apenas para resfolegar

Grande é o proveito que o homem pode tirar
de dormir
com lindas mulheres nuas
por uma, duas, três
e mais luas
ao luar
mas sem lhes tocar

Numa orgia de espiritualidade
se mergulha
de verdade
o espírito se torna mais leve
e livre
e salutar

Absoluta virtude é a virgindade
e definitivo prazer a castidade

Não se alcança a santidade
nas veredas da sexualidade

Isto quis o Mahatma ensinar


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 14 de Outubro de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/03/o-mahatma.html




Esta ilusão que a poesia a mim me dá
com meus poemas
de que algum dia
serei alguém

Esta ilusão que a poesia a mim me dá
de que não serei apenas mais um
entre tantos mortais
meus iguais

Esta quimera
esta utopia
que a poesia a mim me dá
de estar sempre à espera

Esta nostalgia do paraíso perdido
lamento de anjo caído

Esta esperança
de que a todo tempo
a felicidade acabará por acontecer

Esta ilusão que a poesia a mim me dá
não me abandonará nunca mais
nem mesmo depois de morrer

Esta ilusão
esta alegria
esta tristeza
esta certeza
que a poesia me sopra no coração
é o motor do viver
de quem vive
de amor

Vale de Salgueiro, sábado, 21 de Agosto de 2010



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/03/esta-ilusao-que-poesia-mim-me-da.html

Só por amor escrevo poesia - 04Mar2019 19:57:00



Quando choro e rio

Quando me revolto
e me aborreço
quando canto e assobio
porque ando apaixonado
e escrevo poesia

Quando dou asas à imaginação
fazendo uso da Razão
ou me angustio
com apertos no coração

Quando louvo a Deus
declaro o meu amor aos meus
e canto a Natureza

Quando expresso a minha dor
ou a minha tristeza
as minhas glórias e as minhas desditas
a dor ou a alegria de outrem
por palavras escritas
são poemas de amor que escrevo
por bem
com certeza

Mesmo se o faço com enlevo
por pura fantasia
só por amor escrevo poesia

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 23 de Março de 2009
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/03/so-por-amor-escrevo-poesia.html




O tempo só tem sentido à medida que passa
o abraço quando se abraça
e o amor quando se ama
o fogo quando arde
feito chama

A vida só tem sentido quando vivida
com amor
por alguém

Não pára o tempo se o relógio parar
mas perde-se o pensamento
se a razão enlouquecer

Apaga-se a paixão quando o coração
deixa de bater
e tudo se perde
na hora de morrer

Só o amor se não perde
se a vida se perder


Vale de Salgueiro, sexta-feira, 18 de Julho de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/02/so-o-amor-se-nao-perde-se-vida-se-perder.html

Há horas assim? - 18Fev2019 22:42:00




Há horas em que desperto
em que fico mais perto
de mim

Horas em que não leio
nem escrevo poesia
mas que melhor a sinto
ainda assim!

Horas em que só falo comigo
e com o meu umbigo
em que entro por mim a dentro
e me liberto

Horas em que não me engano
nem me minto

Horas em que tanto me encanto
só de pensar
que paro de respirar

Horas em que não dou pelas horas a passar
em que apenas sinto as ideias a fluir
e a fugir
como aves a voar

Horas sem tempo nem calendário
sem vocabulário 
para expressar o sinto

Horas em que sou um labirinto
e por tanto
me espanto

Há horas assim?


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 7 de Agosto de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/02/ha-horas-assim.html

A rosa de Sarom - 12Fev2019 22:35:00


A rosa de Sarom

Naquele palácio agora vazio
de paredes indignadas de silêncio
e martírio

Pedras chagadas pelo tempo
e pelo vento
pela areia que medeia novo tormento
cobiça de fantasmas
que se alimentam de miasmas
a gemer

Havia tapeçarias
e archotes a arder
bailarinas
e cisternas de águas cristalinas

Ali
fui principe e fui rei
essénio e soldado
enamorado

Ali matei e morri
e amei, amei, amei

Ademais
renasci

Ali
a rosa de Sarom se enraizou no meu peito
e não mais parou de florir

E Massada não cairá nunca mais

Jamais!


Vale de Salgueiro, quarta-feira, 29 de Setembro de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/02/a-rosa-de-sarom.html

Além, naquele astro ali - 07Fev2019 23:04:00



Além
naquele astro ali
que não é estrela
nem planeta
nem cometa
e já foi ventre
de minha mãe

Ali
naquele astro além
tão longe de tão perto
onde nada é errado
tudo bate certo
e só existe o bem

É lá que eu moro
me demoro
e exponho
por via do sonho

É ali que eu ando
errando
amando
e sofrendo
a mando 
de Deus

Sem que diga adeus
nem nada diga
a ninguém

E de nada me arrependo

in Introdução à Eternidade (Edição do autor-2013)



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/02/alem-naquele-astro-ali.html

Ei-la! É ela de novo? - 04Fev2019 19:57:00




Ei-la!
É ela de novo?

Lábios carmim 
seios cheios torneados 
olhos doces amendoados?. 
leveza do caminhar
doçura do falar
irresistível simpatia 
e muita 
tanta 
tanta alegria ?

Eu 
ainda assim 

ensimesmado

Refugio-me em mim 
gota de chuva
sopro de vento 
folha de amargura 
pozinho de tormento
raiva larvar 
tristeza de calar 
silêncio de cismar
vontade de voar para outro lugar e fugir do crepúsculo de tanto amar que teima em não chegar ao fim

É ela!
De novo? flor de jardim
tentadora tentação de voltar a amar?

Não 
desta vez não!

Não me vou deixar apaixonar

Vale de Salgueiro, domingo, 6 de Julho de 2008
Henrique Pedro 



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/02/ei-la-e-ela-de-novo.html

Porque têm espinhos, as rosas? - 02Fev2019 18:52:00


Porque têm espinhos, as rosas
se são flores de tantos amores?

Para se defender, dir-se-á

Não!

Para se agarrar e trepar
para prender quem amam
para arranhar a quem desamam

Não e não!

Porque são malvadas
queimam com o lume do amor 
provocam ciúme
e causam dor

Não e não e não!

Talvez para se enaltecer 
e fazer mais valer o seu perfume
a sua cor
o seu fulgor

Não e não e não e não!

Porque têm espinhos, então
as rosas
se são amorosas, são amadas e têm coração?

Porque carecem de carinhos?
e porque não há rosas?
sem espinhos


Vale de Salgueiro, quarta-feira, 7 de Março de 2012
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/02/porque-tem-espinhos-as-rosas.html

Vou andando, amando, por aí - 31Jan2019 19:31:00



Eu? 
Como vou?

Vou andando
amando
poetando
por aí

A mando nem sei de quem
talvez de ninguém

Vou andando
amando
poetando
por aí
tanto se me dá
como se me dou
é assim que eu sou
desde que nasci

Quem eu amo
em mim manda
vou andando
amando
poetando
por aí

Eu não mando em quem amo
por amor
se é que mando 
em alguém
nem mesmo em mim

Eu quero sim é assim amar
a valer

E enquanto assim for
andando
amando
poetando
me amando
não vou morrer


Vale de Salgueiro, sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
Henrique Pedro




Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/01/vou-andando-amando-por-ai_31.html

Grilamesa põe a mesa - 27Jan2019 23:15:00



A grilamesa põe a mesa
ladeada pelo rei galo
e pela galinha rainha

O perú mestre-de-cerimónias
de cara deslavada
depenado
ar circunspecto
e semblante cadavérico
desfolha o portefólio
iluminado por velas esteáricas

Estuda os passos do compasso
do velório quimérico
que vela o presunto do porco defunto

Pesado é o clima emocional
mais próprio dum funeral

No ar o cheiro a cera queimada
populares cantam e tocam harmónicas

A banda a cavalo ensaia o hino nacional
a guarda de honra marca passo
faz que anda mas não anda
drapeja a bandeira no mastro da asneira
estrelejam foguetes no céu

Poetas imundos recitam poemas abstractos
profundos
dançam a sarabanda
por esmola
comem pão com cebola

Joaninha voa voa
leva as carta a Lisboa
se voar bem dão-lhe um vintém

Afinal não morreu ninguém, entendeu?!

Quem?! Eu?! Nada

Mas gostou?!

Nem sei

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Henrique Pedro





Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/01/grilamesa-poe-mesa.html




Toda a gente me conhece
e merece
lá na minha aldeia

Tenho até a ideia
de que todos lêem a minha poesia
lá na minha freguesia
que canta o arrebol e o pôr-do-sol
as estrelas e o firmamento
os encantos da Primavera
a chuva, a neve e o vento
quimera da atmosfera

Mesmo antes de eu a escrever
já todos a ousaram ler

Digam lá se não sou um poeta notável!

Pudera!

Quando se mora numa aldeia assim adorável
é poeta qualquer um 
mesmo sem que tenha escrito
poema algum

É por isso que toda a gente me conhece
e me cumprimenta
lá na minha aldeia
e se enternece com a poesia
que é de todos
não é só de mim

Todos somos poetas de verdade
lá na minha aldeia
porque a sua vida é uma epopeia
e sabemos que coisas são saudade
tristeza e alegria

E porque muitos de lá saíram
para o Brasil e outras terras mil
por esse mundo além
levando no coração aldeão
a poesia da nossaTerra Mãe

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/01/toda-gente-le-poesia-la-na-minha.html

Adeus às armas - 17Jan2019 21:02:00


Noite tropical igual a tantas noites santas
nada se sente de mal

Há estrelas no céu esmeralda a brilhar
uma brisa perfumada a soprar poesia
nostalgia e desejo
muito muito desejo de muito amar

Eis que de repente
quando nada o fazia esperar
da floresta salta a serpente

Ilumina-se a noite de clarões e explosões
ouve-se o silvo das balas a voar
não tarda gritos e gemidos de homens aflitos
a morrer
ali mesmo a meu lado
sem que ninguém lhes possa valer

Também disparo
calado
revoltado
em lágrimas banhado

Eis que de repente
quando não era de esperar
o silêncio volta a reinar
a poesia à minha mente

Tiro a mão do gatilho
iluminado de um novo brilho
regressam ao mato os miasmas da guerra

Uma explosão maior de alegria em meu coração
me diz que a guerra é fugaz
apenas a eterna espera da paz

Digo adeus às armas


Terras do régulo Capoca (Norte de Moçambique), Setembro de 1973
(Poema reconstituído, de memória, em 21/10/2010)


Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/01/adeus-as-armas_17.html

Vá para aonde vá ou for - 12Jan2019 22:27:00



Vá para aonde vá
ou for
carrego sempre comigo
uma mala de fantasia
cheia de sonhos
e de amor

Sempre foi assim
e sempre assim será

Sonhos
são sementes de poesia
que germinam em poemas
em cânticos de louvor
gritos de alegria
choros de dor
ao sabor da sorte
arpejos de dilemas

Assim será
até na hora da morte
já que estou em crer
e disso tenho fé
que continuarei a sonhar
a amar
e a escrever poesia
mesmo depois de morrer

Vá para aonde vá
ou for
carrego sempre comigo
uma mala de sonhos
e de amor 
preparado para amar

É dentro dessa mala
que me faço transportar


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 3 de Junho de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2019/01/va-para-aonde-va-ou-for.html

Dando tempo ao tempo - 30Dez2018 23:29:00



Apercebo-me de um mais débil pulsar
de badalas langorosas de cansaço
corro a dar corda aos meus relógios
para assim os espevitar
não vão eles parar
e com eles parar o tempo

Iludo-me?

Pensando que o tempo sou eu que faço
mas o tempo não tem origem em mim
apenas o mais puro sentimento
me vem de dentro

Ainda assim?

Como os maquinismos mecânicos
prolongam as horas e os dias
dos mecanismos do tempo
em badaladas mais sonoras
e prolongadas

Também?

Os beijos e os afagos
animam o bater dos corações
e reanimam
com seu calor
as maquinações da relojoaria do amor
e dão mais tempo
ao tempo

Mas o tempo?

Sempre está a acontecer
esgota-se por si só
com dor e desdém
sem dó nem piedade
e tudo acaba por morrer
de verdade

A menos que a mecânica celeste
com sua engrenagem cor-de-rosa
nos conduza em viagem
mais esperançosa?

? No além

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/dando-tempo-ao-tempo.html




Há espaço bastante entre as estrelas para eu me perder
sem me deixar prender
por qualquer delas

Perco-me sem premeditação no espaço interestelar
qual planeta errante
vogando na infinita imensidão da minha alma
propulsado pelo pulsar do meu coração

Vagueio sem rumo certo para um mundo distante
para mais perto de mim
na vastidão daquilo que sou
sem deixar rastro
nem fumo
a título póstumo

Viajo para fora da Terra
para lá do Sistema Solar
fujo do Sol, da tragédia e da guerra

Vou mais além pelas veredas da Fé e do Amor
abandono o Universo
libertar-me do espaço-tempo
do verbo e do verso
dos vícios da mente
da ilusão e da dor

Embora presente estou ausente

Vale de Salgueiro, terça-feira, 28 de Outubro de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/viajando-para-alem-de-tudo-e-do-mais.html




Havia muito amor e muita luz
no presépio de Belém
em que Jesus nasceu 
iluminado pelo luar
e pelas estrelas do céu

Até havia anjos a cantar
cânticos de fé e esperança
embora a noite fosse fria

Porém
bastaram à divina criança
o calor do seio de Sua mãe, a Virgem Maria
e a companhia de São José, Seu pai

O que falta no Natal, hoje em dia
não são prendas nem prebendas
ou sinecuras
tudo que o dinheiro atrai

Não são luzes nem molduras
os enfeites de encanto
que brilham nos ares e nos lares
nas catedrais e nos centros comerciais

O que falta ao Santo Natal, hoje em dia
é o que mais falta faz

É Esperança
É Alegria
É Amor
É Poesia

É Paz!

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 24 de Dezembro de 2012
Henrique Pedro




Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/o-que-falta-neste-natal-e-o-que-mais.html





Não fumo nem nunca fumei
não compreendo por isso esta imagem triste em que me inspirei

Cada poema que escrevo é um fósforo que risco
na obscuridade

Ouço-lhe o ruído breve
característico da ignição
esforço-me por proteger a chama pequenina da verdade
com a concha da mão
o tempo suficiente para acender um cigarro
de amor e martírio no meu coração

A sonhar que arde
aquece
ilumina
anima
e não mais se esquece

Se ata 
se ateia a outra e a outra candeia
em cadeia

Que é uma fogueira de ideia
de poesia
que ilumina a Terra inteira

Oh, Deus!
Cada poema que escrevo
é mais que um fósforo que risco
para acender um cigarro
a que me amarro
para deixar arder
e esquecer

É uma chama de amor que arde
sem se ver

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/cada-poema-que-escrevo-e-um-cigarro-que.html




Um poema poderá não ter título
nem ter autor
sequer

Poderá não ter tema
nem falar de dor
ou de amor

Poderá mesmo falar de tudo
sem nada dizer
e ser dilema

Um poema, porém, terá que ter leitor
mesmo que não saiba ler

Terá que ser sentido por alguém
mesmo que não tenha metro nem rima
não mereça a estima
nem tenha sentido para ninguém

Poderá ser só um rosnar
um ranger de dentes
um uivar de lobo
um grito de socorro
um estado de afasia
um apontar de dedo à estrela polar
um exercício de razão
uma exclamação de alegria

Um poema poderá ser um olhar tão-somente
um sentir
um devir
um dever
um presente
uma emoção
uma inocente lágrima de pranto
uma folha de papel em branco

Um poema, porém, terá que ter poesia

Amém

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 20 de Abril de 2012
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/sem-titulo-sem-tema-sem-autor.html

Criar do Nada - 09Dez2018 21:55:00





Criar
é dar o ser a algo
ou a alguém

Criar do nada
não é poder de ninguém

Que criou, o homem, até hoje, do nada?

Nada!
De palpável, nada!

Nada que se veja, se palpe ou se ouça
Nem mesmo o pulsar silencioso do coração quando ama

Porque para se ver é preciso algo que reflicta luz

Para se ouvir é necessária alguma coisa que soe

Para se tactear é preciso algo que toque a pele

Para se dar vida é preciso algo que já vive

Para se acender uma fogueira é necessário algo que já arda

Nem mesmo um simples poema que seja sai do nada mesmo se o coração do poeta está vazio

O próprio nada matemático foi criado dos números inventados

O próprio amor não sai do nada
é fruto de matéria interior

Criar do nada é privilégio do Criador


Vale de Salgueiro, 09 de Dezembro de 2018
Henrique Pedro





Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/criar-do-nada.html

Anatomia da alma - 07Dez2018 20:34:00



Despedacem-me o corpo
que a vida se esvairá num sopro

Retalhem-me o coração

Apenas encontrarão sangue
que livremente escorrerá pelo chão
nem o mais leve indício de afecto
a indelével marca da paixão

Dissequem o meu cérebro

Encontrarão apenas axónios
e neurónios
ondas cerebrais
e nada mais

Não perceberão uma só ideia
tão pouco um projecto
um poema
a mais leve crítica ao sistema
sequer
o menor traço de homem ou mulher

Mas eu estarei lá!

Continuarei a amar e a sonhar
a pôr-me a salvo
expedito
sem soltar um só grito
nalgum lugar fora do espaço-tempo
imune à chuva e ao vento
já no Universo do Espírito

A minha alma só eu posso dissecar
com poesia
e só Deus conhece a sua anatomia



               Vale de Salgueiro, 16 de Abril de 2008
               Henrique Pedro




Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/anatomia-da-alma.html

- 05Dez2018 22:51:00


Há momentos
quando cumpria a rotina nocturna
de me ajoelhar no centro da abóbada celeste
para rezar e reflectir
de olhos postos no Céu

Aconteceu tudo se transformar numa imensa dúvida
que implodiu a minha Razão
a fez colapsar
e me esmagou

Apenas me via e sentia
como o ser mais insignificante do Cosmos
sem ter explicação para nada

Mas o meu coração transbordava de algo maior que o Universo
que me fez levantar
e continuar a olhar a noite
ainda angustiado
mas de pé

Algo que apenas sei traduzir por duas letras

Fé!

Vale de Salgueiro, terça-feira, 2 de Setembro de 2008
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/fe.html

Bolhas de Amor - 04Dez2018 23:50:00



Os peixes nadam circunscritos ao meio aquático
soltando bolhas de ar sempre que vêm à superfície
e que se perdem na atmosfera

As aves voam nos céus agitando o ar com as asas
sem ousarem libertar-se da terra

Os humanos são mais que animais

São bolhas de vida
confinadas à campânula de ar que envolve a Terra
que soltam bolhas de ideias que se evolam
e se perdem no espaço

São ainda mais na verdade

São bolas de sabão insufladas de razão
a flutuar no ar

Bolhas de espírito preso a ideias e afectos 
a procurar libertar-se das teias da animalidade

Bolhas de amor
que explodem no seio do Criador

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 8 de Março de 2010
Henrique Pedro



Fonte: https://henriquepedro.blogspot.com/2018/12/bolhas-de-amor.html