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Quidam

brincar no teu corpo - 25Mar2019 15:37:21

uma casa para quê
se é no lar do teu peito
que quero morar
e por lá guardar
os meus brinquedos
do meu tempo de criança

se me ousas abrir a porta
permite-me sair
de vez em quando
para brincar no teu corpo


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=266805


à beira da praia
sinto o pensamento dos rochedos
e em meus lábios arde a flor de sal
recém-chegada da noite

escorre pela garganta seca de silêncio
a inundar o meu corpo de areia
tentando cobrir esta solidão
da sua incapacidade de expressão

e nas ondas surge um vazio
de uma concha fóssil secular
a rasar a vastidão do mar
onde ferve um tempo reprimido

entrego-me ao fundo do oceano
para encontrar outra luz outra vida
suspensa na densidade das águas

aconchego-me nos limos e nas algas
e preso na rede dos meus sonhos
adormeço nos tentáculos de m?alma


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=266713

há sempre um princípio e um fim
um olá a uma vida pela primeira vez
e um adeus a despedir-se de mim
uma morte que chega com lividez

adeus? addio? adieu? adiéos?
é por do sol a morrer no horizonte
no princípio da noite a nascer a jusante
e a génese a trazer consigo um adeus

e tu que vieste do meu coração ? adeus
parte sempre alguém em alguma parte
para gerar um novo mistério de deus

volátil vida a deixar qualquer saudade
sonhos passados que foram meus e teus
o início e o fim de uma vaga eternidade


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=265871

nos meus olhos o amor se deitou
adormeceu com as memórias de ti
e na cama húmida de lágrimas sonhou
na noite das noites que não têm fim

noite escura onde brilham primaveras
de um ébrio amor de um luar ardente
vindo de céus de estrelas de outras eras
onde dois corpos se amaram loucamente

e no calor da lareira onde me aqueço
queimo paixões de um desejo bem fugaz
nas labaredas de chamas no firmamento

aguardo o tão esperado silêncio de paz
nas cinzas que arrefecem diante o tempo
a reduzir a pó os poemas e quem os faz


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=265801

eu estou lá fora - 25Mar2019 15:37:21
sinto-te perdida nesta vida
viras as costas à tua alegria
e ao amor não sentido ainda

sinto o teu corpo em lamento
uma solidão presa num gemido
no grito que me traz o vento

qual dor qual sofrimento
de um olhar já tão dolorido
de tão sagrado sentimento

recorda - amor - este momento
deste sentir a te sentir agora
num suave e breve fragmento

é hora - tenho que ir embora
eu nunca quisera ser violento
com a tristeza que em ti mora

a alegria de mim é o teu alento
abre a porta - eu estou lá fora


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=265708

o relevo branco de teus traços - 25Mar2019 15:37:21
partiste sem um adeus
de despedida

não é o amor que dói
é a tua ausência

separa-nos um oceano
um outro lugar distante
[a impedir
o toque de nossos corpos]

que paisagem te envolve
que silêncios escutas
que olhares contemplas
que amores procuras?...

...que e mais que seria...

não são as palavras
que descrevem a falta
da tua presença em mim
és tu
e tu não és definição

como não posso exprimir
este tão profundo sentir
imprimo nesta folha preta
o relevo branco de teus traços


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=265649

uma estrela a sorrir me olha - 25Mar2019 15:37:21
plantei uma roseira
no meu jardim
para oferecer-te uma rosa de mim
mas procurei-te em vão por ai
não te encontrei não te vi

fui ao mar saber de ti
e ao mar eu prometi
que afogava o meu peito
nas ondas criadas pelo vento
em troca da tua imagem

mas o mar é amistoso
verdadeiro e grandioso
devolveu-me uma miragem
e não me quis levar com ele

fez cair a noite que é dele
acabei por regressar do mar
com as minhas lágrimas
ou seriam gotas de água salgada?

não importa o dia estava a findar
voltei ao meu jardim
levei a rosa que colhi
e plantei-a de novo por ali?

olhei o céu naquela hora
e uma estrela a sorrir me olha


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=265439

falas em silencio comigo
por entre a tua voz
murmúrio cálido
do meu sossego
a aquecer o meu pensamento
a derreter o aço das palavras
que vagueiam sozinhas
para moldar a minha alma
em forma de baú
onde irei guardar
lembranças da tua fala

quando a saudade
me vier tocar
poderei então abri-lo
com os códigos
dos nossos segredos
e remexer nas tuas palavras
que protejo dentro do peito

diamantes lapidados
ouro de alto quilate
rubis safiras
esmeradas alexandritas
topázios turquesas
perolas negras?

jamais as poderei perder
valem todo o meu viver

o elo de te ter e não ter
sussurros de ti
escolhidos para mim

e nada mais vale
do que este valioso tesouro
palavras nunca ditas antes
mas que guardas em mim
em timbre melodioso
da voz de Paula Fernandes

é este inigualável valor
de quão elevado riqueza
que faz um homem pobre
de palavras sem valia
deter um preciso tesouro
dos tons da tua melodia

haverá alguém
mais rico do que eu?


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=265325

brilho que emana de si - 25Mar2019 15:37:21
vou pedir ao céu para me dar
uma estrela só para mim
para que eu possa superar
a saudade que sinto de ti
contemplando o teu olhar
no brilho que emana de si


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=265259

passaram por mim
as três estações
contemplo agora
nas paredes do meu sonho
as telas onde tu
um dia surgiste

és um branco invisível
acariciado pela neve
onde o sol
por entre ramos de árvores
tenta iluminar o teu reflexo

e eu queria tanto deitar
a tua insustentável nudez
no colo da sombra deste amar
de quão frágil solidez

a neve aquece certamente
e a sua água correrá fluente
da nascente da tua imagem

o teu corpo
é levado pelos rios
de outra
primavera verão ou outono
assim como sucede
aos fins dos dias do entrudo
(tantos como as três estações)

ó quisera eu ter sido brincadeira
deste carnaval
as telas pintadas à minha maneira
mas tudo me correu mal...

começa hoje a quaresma
vou procurar redenções
para a minha pecadora alma
deste meu desejo carnal

enterro agora a tua gravura
e não alimento mais recordações

só esta estação de inverno
com o seu intenso frio
ainda não terminou

tudo o resto acabou
o carnaval em fim de dias
e as minhas quatro poesias

em quarta-feira (de cinzas)



Devido as imagens poderem ter conteúdos suscetíveis de ferir sensibilidades as mesmas não foram publicadas. poderá ver o poema com a respetiva imagem em http://afacedossentidos.blogspot.pt/


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=264992