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Rosa Maria

Delicado véu - 25Mar2019 15:37:58
Delicado véu
de cores suavizadas pelo vento,
agita o feitiço
do terreno que se desbrava.

Num canto brando e breve
de um choro profundo,
calo a boca calada,
selada
pela inquietude da ausência,
plasmada em finas cerdas
de um leito que hibernou
sorrisos e alegramento.

Onde te encontro?
Nas minhas entranhas?

Essas ?estão vazias.
Já não estou prenha?

Vou violar as leis da norma,
voltar atrás segundo a segundo
até sentir de novo uma alcova cor-de-rosa
onde o espermatozóide se funde no óvulo.

Meus seios crescem fecundos,
olho-te pela preciosa pele que nos separa
e sei-te minha, apenas minha.

Já passou o tempo.

Agita-se o feitiço
do terreno a desbravar.

Silencio-me na crença
de te rever noutros rostos,
noutros choros!


Rosa Maria Anselmo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=210511

Baila a luz
numa ignorância
disfarçada
de sarcasmo subtil.
E dançam
gingando
palavras esvaziadas,
perfeitamente indecifráveis.
Remoinha a altivez
numa astúcia
que se entrelaça
na confusão pretendida.
Não bailo,
também não danço
e rodopiar faz-me tonturas.

Enjoam-me
pretensiosimos!




Rosa Maria Anselmo



* Continua a fazer sentido este poema... pelo menos para mim.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=122078

Rebusco nos meandros
da paciência
uma vontade secreta,
obsoleta,
de conquista de boa fé.

E risco,
rabisco
linhas invisíveis
que letrado não lê,
não vê,
não entende
as entrelinhas.

E numa delonga
longa,
que empalidece
o rubor de face,
de semblante angustiado ,
rolam prantos,

?.pérolas de tristeza?
em espelho d?agua?


e continuo a sentir uma angústia por ver o Luso-Poemas (o meu cantinho da cultura) assim!!!!
Onde está a humildade? Onde está o Ser poético de cada um? Nas brigas constantes? Este espaço deveria ser um espaço sagrado de escrita a ser partilhada e não uma arena.
Arre, chiça, cansei-me um dia, fiz um retiro, voltei muito devagar, mas será que ainda encontro paciência nos meus meandros de boa fé?


Rosa Maria Anselmo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=120192

Deixaste-me sem abrigo Poeta!
Fazes-me falta no teu sorriso, na ternura das palavras que me envolvias. A tua voz doce deixava-me apaixonada por ti. Sim, Poeta minha inspiração!
Sorvia gota a gota a magia da tua poesia e nela me deixava flutuar, como menina olhando bolas de sabão coloridas,enfeitiçadas.
Hoje, vou adormecer nas tuas palavras, vou sonhar nos teus versos, vou conversar contigo na tua poesia.
Sabes que te amo, sei que me amas! Sabes que és a minha fonte de inspiração, sabes que sei que me acompanhas de longe. Sabemos que partilhamos o amor pela poesia.
Não me quero despedir de ti.
Estarás sempre presente em mim, nas palavras que escrevo, na harmonia que sempre existiu entre nós.
Estou aqui, a tua Rosinha, meu doce Alberto!


.... Faleceu ontem o poeta Alberto Estima de Oliveira.....



Rosa Maria Anselmo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=36326

Rebusco nos meandros - 25Mar2019 15:37:58
Rebusco nos meandros
da paciência
uma vontade secreta,
obsoleta,
de conquista de boa fé.

E risco,
rabisco
linhas invisíveis
que letrado não lê,
não vê,
não entente
as entrelinhas.

E numa delonga
longa,
que empalidece
o rubor de face,
de semblante angustiado ,
rolam prantos,

?.pérolas de tristeza?
em espelho d?agua?


Rosa Maria Anselmo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=30348

Apenas um momento amado - 25Mar2019 15:37:58
Apenas um momento amado
aquele momento
de silêncio
onde olhares perdidos de afectos
se mesclam
no bordado dos nossos desejos.

Um toque, singelo,
que estremece?

Cerraste o olhar
e num instinto
prenhe de paixão,
te enlaço, me envolves
no teu abraço
polvilhado de mimos mudos,
inquietos.

Ah meu amor
só um momento
numa clareira
ladeada de velas e nudez
em dança de fogo
feitiço turbulento, amor,
de um momento só


Rosa Maria Anselmo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=30050

Momento - 25Mar2019 15:37:58
É na simplicidade do momento, que a vida nos oferece momentos que se tornam inesquecíveis.


Rosa Maria Anselmo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=29941

Na graciosidade de liras - 25Mar2019 15:37:58
Na graciosidade de liras
sinto-te
- sem nunca me teres tocado!
Purifico meu corpo, mãos e lábios
e vejo-te sim
- aqui a meu lado
- sem nunca te ter tocado!
Não serei tudo
o que querias que fosse
apenas?.
nos segredos que não partilhamos
ainda!
És meu sonho por sonhar
toque por tocar
beijo por beijar?

Serei
diáfana, inventada
no resto do teu mundo.
Guardo gestos matizados
promessas amordaçadas
gritos não escutados?
por acontecer
ainda!


Rosa Maria Anselmo

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=29512

Esqueci teu nome - 25Mar2019 15:37:58
Esqueci teu nome
lembro apenas o rosto
e as lágrimas
que caíram nas minhas mãos.

Abraçavas a morte e o desamor
numa balada imperfeita
em tons de enredos mentais
dolorosos.

Afaguei ao de leve
teu verde olhar
que de tão verde
a esperança se despiu
-vestiu-se de negro.

Não fiz parte desse quadro
pincelado rudemente
com bofetadas alisadas
por silêncios suicidas.

Paralisada, amarfanhada
de mim,
fiz figura de autista.

Esqueci teu nome
guardei tuas lágrimas
e com elas me lamento.


Rosa Maria Anselmo


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=29407

Paula - 25Mar2019 15:37:58









Já passava da meia-noite. Lá fora o vento batia forte e chovia torrencialmente. Paula tinha acabado de chegar a casa e estava completamente ensopada. As suas calças de cabedal eram a única peça de roupa que não se colava ao corpo. A viagem de avião tinha corrido bem. Trazia ainda o perfume forte do Luís. Meu Deus, como sentia a sua falta! Tinham passado alguns minutos, apenas, desde que ele a deixara à porta de casa...
Estava exausta. Dirigiu-se ao quarto de banho para se entregar ao conforto de uma imersão de espuma perfumada e quente. Atirou com as peças de roupa para o cesto metálico da enorme e bem decorada sala de relaxamento. Acendeu as velas, uma a uma, ligou a sua música preferida, encheu uma taça de champanhe e mergulhou nas águas quentes e sedutoras da banheira em tons de azul.
Sentia o calor percorrer todo o seu corpo. Numa preguiça sensual deslizou a sua mão por entre as coxas e envolveu-se numa excitação suave... Precisava de voltar a sentir o corpo a estremecer de desejo como naquele minúsculo cubículo ? a que chamavam de casa de banho, no avião - onde ela e o Luís, horas atrás, fizeram amor de uma forma selvagem, deliciosamente única.
No auge da excitação sobressaltou-se com o toque insistente e irritante do telefone. Não lhe apetecia sair daquele conforto quente e tranquilo. Enrolou o corpo, saciado, na toalha macia e branca com toques de azul-turquesa e foi atender o telefone.
- Estou?
- Olá querida, como estás?
Era o Carlos, o seu namorado.
- Olá, acabei de chegar do aeroporto, Está como sabes, um temporal e cheguei a casa toda encharcada, fui tomar banho para me aquecer.
- Posso passar por aí agora? Preciso ver-te.
- Oh Carlos, hoje não, estou cansada e vou já deitar-me. Vemo-nos amanhã pode ser?
- Não pode mesmo ser hoje?
- Não, querido.
- Então, está bem, vou ter contigo ao Hospital por volta das dez. Ok?
- Às dez não, ainda estou nas consultas. Vai ter comigo ao bar e almoçamos qualquer coisa por volta da uma e meia, pode ser?
- Está combinado. Sonhos lindos Paula.
- Beijinhos.
Incomodou-a o telefonema do Carlos. Ainda húmida, deitou-se e tentou dormir. As recordações daquele dia passado em Nova York com o Luís não a deixavam adormecer. Queimava-lhe o desejo do seu corpo. Como fora possível? O irmão do seu namorado?
Rebolou vezes sem conta nos lençóis brancos de cetim. Roía-lhe o desassossego da traição. ? Amanhã esclarecia tudo com o Carlos e logo se via como ele reagia.
O despertador acordou-a às sete horas. Espreguiçou-se lânguida e ficou os seus cinco minutos sagrados enrolada em si. A rotina da manhã era igual à de todos os dias. Um duche rápido, vestir uma roupa confortável com um toque de provocação, a maquilhagem leve e discreta, o café forte bebido golo a golo, para um despertar sereno, encontrar as chaves, os cigarros, o batom e mais uma meia dúzia de coisas inúteis para colocar na carteira. Entrar no carro a caminho do Hospital. Era sempre assim?
A manhã decorreu normal, os doentes com as suas queixas infinitas, o sorriso cúmplice que, invariavelmente, melhorava a disposição das pessoas e a correria habitual.
Perto da uma, o Carlos enviou-lhe uma mensagem dizendo que já estava no bar à sua espera. Aquela meia hora foi longa e angustiante. Ela desceu no elevador e quando chegou ao bar lá estava ele. Beijou-o na face e com um ?Olá? constrangedor sentou-se à mesa.
- Estás linda Paula!
- Obrigada, mas ainda estou com os horários trocados.
- É normal, o pior destas viagens é mesmo o jet lag.
- Pois é? - disse desconfortada.
A tensão e os esporádicos silêncios instalaram-se, entre eles. Não conseguiam olhar nos olhos um do outro. A conversa parecia sem nexo e sem rumo. De qualquer forma, sentiu o Carlos tão inquieto quanto ela, o seu sorriso era nervoso e aquele seu tique de alisar o cabelo, tornava-se evidente de mais. Ganhou coragem e perguntou:
-Que tens Carlos? Pareces-me preocupado, passa-se alguma coisa?
-Pois, nem sei por onde começar? Preciso muito de ter uma conversa franca e aberta contigo, Paula.
-Que se passa Carlos? ? Indagou já sem sorriso e meia atrapalhada?
-Querida, já andamos juntos há dois anos, não é?
-Sim?
-Pois?. Tem sido uma relação aberta, de cumplicidade, tu és uma miúda fantástica, inteligente, linda! Tudo o que um homem deseja encontrar numa mulher para ser sua companheira. Mas, na verdade, não temos sido muito honestos um com o outro.
O seu coração disparou. O que estava a acontecer? Será que o Luís tinha contado ao irmão o que acontecera? E agora? Olhava para o Carlos, queria dizer alguma coisa mas não conseguia articular uma única palavra.
- Paula estou apaixonado.
- Sei Carlos, mas preciso de conversar contigo?
- Não digas nada por favor: Não sei como dizer isto. Bem? sei e é melhor que seja sem rodeios. Não te amo como julgava amar-te, Paula. Encontrei realmente o amor que sempre procurei e de uma forma desonesta fiz-te acreditar que eras tu.
- Espera lá Carlos, deixa ver se eu estou a perceber, estás a dizer-me que estás apaixonado por outra mulher? É isso? Há quanto tempo?
- Esta relação começou há três meses e é realmente paixão que eu sinto, não posso mais esconder?

Paula ficou furiosa! Tinha sido enganada durante três meses e ali estava ela, cheia de remorsos pelo que tinha acontecido no dia anterior, no avião. Reconhecia que também não tinha tido um comportamento correcto, pelo contrário, mas estava disposta a pedir-lhe perdão pelo seu acto de loucura. Porém, ele não. Tinha-a enganado durante três longos meses com outra?
- Paula, estás a ouvir-me?
- Estou sim, Carlos! - Respondeu em tom agressivo. Posso saber quem é ela?
- Sim Paula, finalmente vou ser honesto contigo e comigo. Chama-se Joel, tu sabes quem é?.
- Joel?! O nosso amigo Joel?... Não, só podes estar a brincar comigo. Lá estás tu com as tuas gracinhas de sempre.
- É verdade Paula. Não imaginas o quanto foi doloroso para mim não me assumir como homossexual durante tanto tempo? Eu fingia que nada se passava. Mas a verdade é esta, eu sou homossexual. Desejo muito que tu me perdoes e consigas continuar a ser minha amiga, porque eu gosto muito de ti querida, mas não da forma que tu queres ou da que te fiz acreditar.
Homossexual? O Carlos? Nunca lhe teria passado semelhante ideia pela cabeça? E agora?
- Fala Paula, diz qualquer coisa, por favor! ? Implorou.
O telemóvel dela tocou. Atendeu sem ver o nome no visor. Era o Luís.

- Sim, Luís. Olá como estás, desde ontem?
- A morrer de saudades tuas, Paula. A que horas sais? Vou buscar-te preciso de te ver, de te ter de novo!
- Espera um pouco por favor, ligo-te já.
- Não demores muito, não consigo esperar mais, estou louco de saudades.
- Até já?- Gaguejou.
- Era o meu irmão? Antes de ele ir para Nova York contigo, falei com ele e contei-lhe tudo. Era importante para mim que ele soubesse e esperava o seu apoio, claro. Foi extraordinário. Disse-me que seria sempre o mesmo irmão e confidenciou-me que estava, perdidamente, apaixonado por ti e que assim seria mais fácil tentar conquistar-te.
- Ai Carlos, já nem consigo pensar direito. Uma, duas notícias destas deixam qualquer um desorientado. Dá-me tempo por favor, preciso de me recompor.
- Claro que sim Paula, o tempo que precisares. Deixa-me dizer-te só mais uma coisa e depois vai. Não tens que me explicar nada do que aconteceu entre ti e o Luís. Estou muito feliz por vós. Vou adorar ter-te como cunhada.
- O quê? Tu já sabias?
- Sim, o Luís contou-me tudo ontem à noite. Por isso telefonei-te porque era mesmo muito importante, para mim, ter falado ontem contigo. Não queria que passasses uma noite angustiada, como sei, conhecendo-te, que passaste.

Olhou-o, como nunca o tinha olhado! Uma mistura de emoções parecia explodir no seu peito. Abraçou-o ali mesmo e só foi capaz de dizer:
- Desculpa, Carlos. Obrigada?.
Saiu dali a correr, com um belo sorriso nos lábios, sem se importar com quem estava a ver. Necessitava, urgentemente, de estar com o Luís, de sentir de novo o calor daquele corpo que a tinha enlouquecido, que a tinha feito sentir fêmea por inteiro.



Rosa Maria Anselmo




.... Este é o meu primeiro conto.... aceitam-se todo o tipo de criticas! obrigada antecipadamente pelos vossos comentários... só assim saberei se posso continuar a escrever neste género, dado que tenho escrito apenas poesia....

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=29224