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Improvável Poeta

Parece que conheço há muito tempo
A cor do teu sorriso, a brincadeira
Que brilha nos teus olhos de maneira
A eu estar esperto, estar atento.

É doce esta rara intimidade
Que nasce sem passado nem futuro,
Apenas um carinho que é tão puro,
Sem ver a diferença da idade.

Conserva a marotice que há em ti,
O brilho em tua boca que sorri
Dum jeito que encanta e que seduz.

Confesso até eu sou seduzido,
E tonto esvoaço atraído
Como uma leve traça pela luz.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=310434

Que onda será esta - 25Mar2019 15:35:56
Que onda será esta que, gigante,
Se ergue sobre a rasa calmaria,
Desliza sorrateira, fugidia,
E vem surpreender-me num instante.

Que vento será este que vem quente
Dos lados do deserto, da lonjura,
Num sopro que é brasa, queimadura,
Fazendo escaldar a minha mente.

Eu sou simples rochedo à beira mar
Aonde a imensa onda vem quebrar
Moldando-me redondo e macio.

Eu sou simples palmeira ondulante
Ao ritmo do vento do levante
Que traz o beijo morno do estio.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=299614

Últimos cartuchos - 25Mar2019 15:35:56
Desculpe se por vezes, sem querer ,
Eu seja atrevido, irreverente,
me porte como um adolescente
na ânsia ou na pressa de viver.

É curto o caminho que me resta,
Andei, calcorreei a vida fora,
Sem nunca me lembrar que irei embora.
Um dia acabará toda esta festa.

Por isso eu procuro aproveitar
O sol, o tênue brilho do luar,
As coisas assim simples são luxos.

Apresso-me a viver o dia a dia
Na busca dum prazer, duma alegria,
Gastando os meus últimos cartuchos.



Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=285915

De novo esta dor que se acende - 25Mar2019 15:35:56
De novo esta dor que se acende
em lume que consome as entranhas,
demônio que, com suas artimanhas,
me pega distraído e surpreende

levando a minha alma pró inferno.
No meio de pecados me debato,
não muito, pois o meu desiderato
será arder assim em fogo eterno.

Eu troco a minha alma por desejo,
eu vendo a eternidade por um beijo,
eu faço tudo, tudo por paixão.

Apenas tem de ser um beijo teu,
desejo tão ardente como o meu,
paixão que te enterneça o coração.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=285026

É manso este vento que enfuna - 25Mar2019 15:35:56
É manso este vento que enfuna
As velas que eu iço a céu aberto.
O porto de abrigo já está perto
E é pra lá que levo a minha escuna.

O sol aquece agora a minha alma.
Depois do frio e forte tempestade,
De ondas e marés de ansiedade,
Navego numa espuma de água calma.

Agora é esperar que o futuro
Me traga num murmúrio, num sussurro,
A paz que eu desejo e mereço.

Depois um novo embalo da maré
Que faça aumentar a minha fé
E vire a minha vida do avesso.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=285025

Tão frágil, delicada é a vida...
Efêmera mariposa que esvoaça
na brisa da ventura ou da desgraça,
mas sempre um desafio que convida

a dar todos os dias mais um passo.
E vamos caminhando hora a hora,
um dia atrás do outro, vida fora,
na busca do conforto dum abraço.

Mas, como qualquer rio chega à foz,
a vida desagua, tão veloz,
no mar da má fortuna, da tristeza.

Tão alta é esta onda, esta maré,
que deita assim por terra a nossa fé.
Depois vem o escuro. Com certeza.
Para a minha amiga Bichete.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=282053

Tentei, mais que uma vez, pôr num poema
Os sonhos que me assaltam amiúde,
Iguais aos da longínqua juventude,
Imerso em perguntas, num dilema.

Eu antes misturava com mestria
Palavras que rimavam com paixão,
Saudade e desejo, ou então,
Casavam muito bem com poesia.

Agora em minha boca tenho um freio
Resfolgo impotente, escouceio,
e preso fico nesta desventura.

Pudesse eu confessar o que me afeta...
Trocava essas palavras de poeta
Por um seu simples gesto de ternura.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=281841

Umbigo - 25Mar2019 15:35:56
Eu vi, num breve instante, o teu umbigo...
Um gesto distraído, sem querer,
subiu-te a blusa para eu ver
a carne tentadora. Que castigo!

Castigo ver um pouco mais de ti...
Barriga tão lisinha, tão macia,
no meio o mote desta poesia.
Surpreso, até um lábio eu mordi.

Eu sei que é mal pensado, uma asneira,
deitar mais gasolina na fogueira,
no lume desta tórrida loucura.

Mas nada me afasta desta sina...
A mente entontece, desatina
e este meu desejo não tem cura.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=281712

Perfume mal gasto - 25Mar2019 15:35:56
Tu és um desperdício de perfume,
Do meu dispendioso elixir,
Das gotas que gastei ao aspergir
Pensando atiçar esse teu lume.

Mas não, só encontrei a cinza fria,
O gesto enfadonho, calculado,
O corpo tão quieto, ali deitado,
Cansado, um bafo frio ao fim do dia.

Devia gastar menos, ou melhor
Devia ir cheirando a suor
Depois de mais um dia de trabalho.

Por isso vou deixar de aparecer
E dar subtilmente a perceber
Que és já carta fora do baralho.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=281371

A porta que eu julgava entreaberta
Aos poucos, devagar, se vai fechando.
Eu vou metendo o pé, mas até quando
Suporto esta dor que me aperta?

A frincha era pequena, é verdade,
Mas mesmo assim de lá saía luz
Que dá brilho aos meus olhos, me seduz
E dá fogo à paixão e à vontade.

Sozinho, no escuro, eu cá fora
Adio a decisão de vir embora
E olho para a porta com ternura.

Depois eu me alegro, esperançado,
Nem tudo está perdido ou fechado,
Há luz que ainda sai da fechadura.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=259613