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Internet versus privacidade - 25Mar2019 15:37:40
Volta não volta, (re)aparecem, aqui ou ali, debates sobre a segurança e a privacidade na internet. Se, nuns casos, a questão merece alguma análise, noutros nem por isso.
Incluem-se nos casos ?nem por isso? aqueles avisos fantásticos que todos já vimos publicados nos murais dos nossos amigos do Facebook que começa por ?aviso de privacidade? e depois chama, ao barulho, algumas leis que, em boa verdade, nem sequer existem. Estes avisos têm tanto valor como um lojista colocar na montra da sua loja um aviso a dizer ?não olhe cá para dentro?. Faz sentido? Não, pois não. Ou por outra, faz tanto sentido como este aviso que é disseminado vezes sem conta? Parece-me importante que se perceba que, a partir do momento em que acedemos ao Facebook, ou a qualquer outro site do género e clicamos no ?concordo com os termos de utilização? não é um aviso no mural que vai alterar coisa alguma. Ou será que alguém acredita mesmo que o Facebook tem empregados a ler, a todo o instante, o que cada um de nós escreve no seu mural?... Parece-me que não. Ou será que, quando nos inscrevemos não lemos os termos de utilização? Já nos casos mais sérios e que necessita de alguma reflexão por parte de pais e educadores é o acesso de menores à internet e a divulgação das suas fotos. Li no outro dia um artigo interessante sobre a colocação de fotos dos filhos por parte dos pais em que são abordadas as diversas questões relacionadas com o tema. Acho que merece uma leitura atenta por parte dos pais e educadores mas também por parte das crianças, afinal elas também usam a internet. E, infelizmente, muitos pais não são utilizadores assíduos da internet e não se apercebem do risco. Na minha opinião, e vale o que vale, não se devem colocar fotos de menores na internet, em blogs, redes sociais ou no que for. Nada garante que apenas os amigos vejam as fotos e nada garante que não possam ser usadas por pessoas com intenções menos boas. E não necessariamente apenas por pedófilos. Soube, à pouco tempo, dum caso em que uma mãe colocou a foto do filho que estava doente no seu facebook para ir dando noticias da criança aos seus familiares e amigos e outra pessoa, perfeitamente desconhecida da família, usou essa foto para enviar e-mails a pedir dinheiro. Julgava a mãe que tinha colocado a foto apenas visível para um grupo restrito mas afinal não. Hoje em dia as crianças começam cada vez mais cedo a utilizar a internet. Tem facebook, participam em jogos on-line, tem e-mail. Devem os pais proibir? Eu entendo que não. O fruto proibido é o mais desejado e corremos o risco de elas acederem noutros locais sem a supervisão dum adulto responsável. É mais importante alertar a criança para os riscos que corre e ensinar a ter os devidos cuidados. Claro que com peso e medida, não podemos nem devemos exagerar os riscos nem menosprezar os cuidados. Aqui, na internet, como na ?vida real? devemos, aos poucos, ir diminuindo as restrições, aumentando as permissões e esperar que, entre o que lhes fomos ensinando e a sua personalidade, eles saibam fazer as escolhas correctas. Leiam o artigo ?devem os pais colocar as fotos dos filhos no facebook? neste link: http://pplware.sapo.pt/pessoal/opinia ... s-dos-filhos-no-facebook/ Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=236923 Redes sociais e (re)encontros - 25Mar2019 15:37:40
De vez em quando lá vem os arautos da desgraça dizer que ?ah e tal as redes sociais acabam com os relacionamentos pessoais? ou que ?por causa das redes sociais as pessoas falam cada vez menos e as amizades desaparecem?? isto para juntar em duas frases apenas o que tanta gente diz por ai.
Apresento-me perante vós, defensora acérrima desta modernice chamada rede social. E porque é que sou tão defensora? São tantas as razões que vou começar pelas mais velhas e que andam lá em casa todos os dias. Os meus filhos. Estranho não é? Ou então não, se pensarmos que conheci o meu marido através das redes sociais (na altura chamava-se ICQ). Estamos juntos há 13 anos. Tanto que se fala hoje nos casamentos pela internet e nós, há 13 anos, fomos quase que os pioneiros. Nós e não só, claro. Conheci gente fabulosa através desse ICQ, amizades que ainda hoje se mantém, com maior ou menor contacto mas, a verdade, é que continuamos amigos. Através do Luso-poemas e do meu blog conheci mais umas quantas pessoas de quem me tornei amiga inseparável. E, no topo do bolo, aquela cereja sumarenta que todos queremos, é, de facto, o facebook e a ajuda que dá em reencontrar aqueles amigos e amigas que julgávamos perdidos de vez. Em muitos casos, só o sabermos que estão ali e que podemos falar com eles se nos apetecer, já é bom. Noutros (como foi e é o caso dos meus ?filhos? da faculdade) foi através do facebook e da internet que voltamos a ter contacto depois de alguns quiproquós nos terem separado. Há ainda aqueles casos em que retomamos a amizade no preciso sítio onde a tínhamos deixado. Há ainda a família, aquela que só encontrávamos em casamentos e funerais e com quem, agora, por causa do facebook, falamos quase todos os dias. Se há coisas más? Há, mas também há quando vou ao café, ao cinema, jantar fora? Não há nada que seja só positivo ou que seja só negativo. Resta saber aproveitar o lado positivo e relegar para último plano as coisas negativas. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=235628 Vale a pena tentar? - 25Mar2019 15:37:40
Um dia perguntaram-me se valia a pena tentar. Sem saber a razão ou o objecto dessa pergunta, apenas questionei: vais prejudicar, conscientemente, alguém de alguma forma? Se a resposta for um simples não, então a minha resposta à pergunta se vale a pena tentar é? que sim, definitivamente sim, seja lá o que for que se vai tentar.
Desde que nascemos a nossa vida é feita de tentativas, umas vezes dão certo, outras nem por isso. Não temos de ter medo de tentar. É através das tentativas que vamos fazendo que aprendemos. E a vida é feita de aprendizagem, da nossa aprendizagem. Não podemos aprender pelos erros dos outros, temos de aprender com os nossos. Temos de errar, de ir fazendo tentativas até acertarmos. Quando nos surge uma oportunidade pela frente se não a tentarmos seguir o que vai acontecer é que vamos ficar a perguntar, para o resto da vida, o que é poderia ter acontecido se eu a tivesse seguido? Se a seguirmos teremos a resposta a essa pergunta e ainda podemos sair beneficiados. Nunca gostei da ideia de imaginar o que é que poderia ter acontecido. Gosto mais de pensar que fiz o que tinha de ser feito. Não me arrependo de nada do que fiz, mas antes do que não fiz, por medo de tentar. Não gosto de pensar no que poderia ter sido, prefiro pensar no que foi. Os erros que cometi foram os meus erros, aprendi com eles, cresci por causa deles. Nunca deixamos de aprender. Nem nunca deixamos de errar... então porque haveremos de deixar de tentar? É claro, e como disse no início. Importa que não se ponha em risco terceiras pessoas (e já agora nem nós próprios), importa respeitar os outros, aceitar e respeitar que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros e não magoar ou prejudicar conscientemente as outras pessoas. Se estes princípios forem respeitados e se surgir alguma ideia ou alguma oportunidade... tentem. Vale a pena tentar? Vale sempre a pena tentar ser feliz, tentar escrever? tentar amar ou ser uma mera aprendiz? Um dia, partirei, com a consciência de que tentei? Escrito em 24/01/2008 e publicado aqui - http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=27547 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=224514 Para lá do rosto - 25Mar2019 15:37:40
Quantos de nós já tiraram conclusões acerca da maneira de ser de alguém apenas e só por olhar para o rosto?
O rosto, considerado por muitos como ?espelho da alma? pode esconder a verdadeira personalidade do seu dono. Um rosto bonito, bem desenhado pode esconder uma ?víbora?. Um rosto menos favorecido pode trazer-nos uma pessoa interessante, simpática e com quem dá gosto conviver. Porque vivemos em sociedade, temos de conviver com outras pessoas. Umas com ar simpático, mas que não o são. Outras com ar antipático? e que, por sua vez, também o não são. Hoje a nossa sociedade vive a cultura do bonito por fora. Infelizmente. O que leva a que, muita gente que merece ter lugar de destaque não o tenha por não ter recebido o bónus duma cara bonita. No oposto, muitas caras bonitas, mas que não passam disso, têm o mundo nas mãos. Não andamos de cara tapada, claro. E a primeira coisa que vemos do outro é o rosto. E é pelo rosto que construímos a primeira opinião. Depois vem a descoberta ? a personalidade corresponde ou não? Já aprendi a não me deixar influenciar pelo rosto. Porque já vi pessoas com caras de pouco amigos que se revelaram impecáveis, com quem se pode conversar, simpáticas, amigas. Já vi pessoas chegarem com um sorriso nos lábios e esse sorriso revelou-se cínico, antipático. Conforme vamos conhecendo as pessoas também as feições mudam. Já repararam nisso? Um rosto bonito e simpático, acompanhado duma personalidade antipática transforma-se e, aos poucos, para quem tem de conviver com essa situações, o rosto deixa de ser tão bonito, passa a ser normal e, quiçá até feio (num extremo). Noutros casos, rostos bem feios começam a ganhar beleza quando se conhece a personalidade da pessoa. A Internet, nestas coisas pode facilitar. Ou não. Facilita porque podemos ir conhecendo a pessoa antes de lhe conhecer a cara. Talvez por isso, e para evitar ideias preconcebidas, haja quem opte por ter desenhos em vez da foto. Assim não há hipótese de se dizer que o rosto é simpático ou antipático. É a forma de ser e de estar da pessoa que vai determinar a opinião que se tem dela. E não o rosto. Do lado de lá do computador pode estar a cara mais feia do mundo. O que interessa é a personalidade? certo é que, por outro lado, a Internet facilita a criação de uma ou de várias personalidades diferentes que permitem enganos que podem ter consequências. Mas estas falsidades não existem só na Internet. Pessoas que se fingem de amigas, que fingem que se interessam com os outros quando só querem saber de si, que ajudam com o intuito único de terem reconhecimentos públicos? E quantas vezes o que lhes vemos no rosto são sorrisos, mostram-se afáveis, são simpáticas? Cabe-nos a nós, como indivíduos e membros da sociedade, decidir se é pelo rosto ou pela maneira de ser e de estar que avaliamos o outro. Mas não se iludam. A interacção também é importante. Comportamentos simpáticos geram simpatia. Comportamentos antipáticos geram antipatia. Por isso, sejam simpáticos? Texto publicado pela primeira vez em 9/01/2008 aqui - http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=26352 Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=223829 A necessidade de escrever - 25Mar2019 15:37:40
Todos temos necessidade de escrever? nem que seja para enviar uma carta, preencher um cheque?
Para algumas pessoas essa necessidade chega a doer, têm uma necessidade visceral, estúpida de escrever, como se disso dependesse a sua sobrevivência... necessitam da escrita como que de pão para a boca ou mesmo de respirar. São escravas das palavras, mas numa escravidão positiva, benéfica para quem escreve, benéfica para quem lê. Esta necessidade é como uma sede. Uma sede constante que não se consegue saciar. Quem escreve nunca se sente satisfeito com o que escreveu. O poema, o conto, o texto? tem sempre alguma imperfeição, alguma coisa que poderia estar melhor. E voltam a escrever. A demanda pela perfeição continua, sempre. Como quem bebe um copo de água interminável sem conseguir saciar a sua sede. Como se de uma droga se tratasse, a escrita vicia. Quantos de vós já pensaram em fazer uma pausa, em estar sem escrever uns tempos? mas depois não conseguem, porque se sentem mal, sem ar, com fome. A sofrer por não poderem libertar o que vos prende. Há ainda quem escreva apenas porque gosta. Um passatempo como coleccionar selos, ir ao cinema, passear... Há quem encare a escrita como um modo de estar e não como uma necessidade ou como um vício. Escrever por escrever, apenas. Quem escreve, seja por necessidade, vício ou porque gosta ? o escritor, em suma - consegue vestir-se de personagens que não são, sentir o que não sente, descrever locais que não conhece, numa ânsia apenas e só de se libertar, de partilhar. A escrita pode revestir-se de várias capas... podem ser histórias que vivem na memória de quem as passa para o papel, poemas que começam por uma simples brincadeira, simples desabafos, respostas a uma frase que alguém disse, um pedido de desculpa, um carinho a alguém de quem gosta... Precisam apenas de ser palavras que se conjuguem, que se encontrem, se completem. Eu gosto de ler. É essa a minha necessidade. Falta-me o ar, sofro, sinto-me presa quando não posso ler. Prosa. Poesia. Prosa poética. Preciso de ler. O meu espírito liberta-se quando leio. Vivo outras vidas, viajo, percebo outros sentimentos. Obrigado a quem escreve por ajudarem a saciar a minha necessidade de ler. texto publicado inicialmente em 04/01/2008 (http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=25917) Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=223468 Momento Oportuno - 25Mar2019 15:37:40
Era um dia como outro qualquer. De sol? Talvez, não sei.
Manuel estava na paragem do eléctrico em Lisboa a ler o jornal e a ver o tempo passar, o tempo e as pessoas, sempre observador. Tinha vindo de Castelo Branco visitar a sua irmã a Lisboa, sempre que o fazia gostava de passear na capital. Alcide estava perdida. Queria ir com a sua madrinha a casa duma amiga, perto do Museu dos Coches mas nunca tinha vindo a Lisboa. Viu um jovem da sua idade, de bigode bem arranjado, olhos bem bonitos e com ar de quem conhecia a zona... Alcide não sabia, nem sabe, o que é ser tímida e logo vai ter com Manuel para lhe perguntar o caminho para o Museu. Manuel, mais tímido, mas encantado com a beleza de Alcide logo lhe diz que era para lá que ia e que, se as senhoras o deixarem, terá todo o prazer de as acompanhar ao destino. Lá foram. Alcide e Manuel, a madrinha cujo nome se perdeu no tempo? Chegados ao destino Alcide e Manuel despediram-se com um aperto de mão, respeitoso aperto de mão, já que esta história se passa nos finais da década de 30, do século passado. Quando Alcide e a sua madrinha entram na casa da amiga, Alcide comenta com elas que nunca tinha conhecido jovem tão encantador, tão respeitoso. E Manuel? bem, ele não pode comentar com ninguém. Levantou apenas a ponta do bigode, num gesto que se tornaria a sua imagem e esperou? sentou-se e esperou. Ainda dentro de casa, enquanto bebiam o chá, Alcide aproxima-se da janela e vê Manuel à espera? sem perceber muito bem de quem. Quando acabou o lanche eram horas de voltar a casa. Alcide e a madrinha saíram de casa e, claro, Manuel lá estava, à porta. Nem a Alcide disse que o tinha visto à espera, nem Manuel disse que tinha esperado por ela. Alcide, sempre a mesma Alcide, descarada, pergunta-lhe se ele sabe qual a melhor maneira de ir, de transportes públicos, para o Barreiro. A resposta foi rápida: - Curioso, é mesmo para o Barreiro que vou, se as meninas me deixarem terei todo o gosto em acompanhá-las. E acompanhou? Acompanhou-a quando ela fugiu de casa para casar com ele, porque os pais dela não o aceitaram bem. Acompanhou-a quando os pais dela, resignados, os aceitaram de volta para que vivessem perto. Acompanhou-a quando ela teve a primeira filha, depois a segunda? Acompanhou-a quando ela adoeceu a primeira vez, quando passaram por dificuldades, em que o dinheiro mal chegava para alimentar as duas filhas? Acompanhou-a quando a vida começou a melhorar, quando as filhas casaram, quando nasceram os netos? depois os bisnetos. Num dia de chuva, cinquenta e dois anos depois do tal dia que ninguém sabe se era de sol, Manuel deixou de acompanhar a mulher que sempre amou, a família que conhecia bem o seu bigode e aquela sua maneira especial de o levantar quando apenas podia sorrir por dentro? Deixou, como herança, a sua maneira de ser e de estar e o amor que sempre sentiu por todos. E hoje, passados que são 9 anos, Alcide e Manuel voltaram a encontrar-se. Sei que, lá onde ambos estão, de certeza que o Sol brilha e que ambos voltaram a sorrir. E nós ficamos por cá, com a saudade deste casal fantástico que nos ensinaram tanto. Este foi o primeiro texto que escrevi, em 29/11/2007. Hoje resolvi republica-lo. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=223157 E não se pode matá-los? - 25Mar2019 15:37:40
Está em cena, num teatro aqui de Lisboa, uma peça com o título desta crónica ? e não se pode matá-los?
Diz a sinopse dessa peça que ?a violência pode atingir-nos explosivamente, fisicamente, directamente. Mas pode também inscrever-se nas nossas vidas, nos nossos imaginários, no nosso quotidiano através de mil imagens subtis de que não tomamos consciência a não ser quando a sua acumulação atinge um ponto de efervescência que domina todos os gestos, pensamentos e atitudes.? Não me considero uma pessoa violenta. Antes pelo contrário (ou, pelo menos, gosto de acreditar que assim é). Confesso, no entanto, que já me aconteceu, por diversas vezes, pensar ?e não se pode matá-los??. Penso nisso, por exemplo, quando vejo os responsáveis pela actual situação financeira em que vivemos, fazerem-se de vítimas e de desgraçados quando, na verdade, quem está desgraçado é o Zé-povinho que, a cada dia que passa vê aumentar o custo de vida sem que lhe sejam aumentados os rendimentos (sendo que, nalguns casos, até são diminuídos). Ou quando vejo empresas que sobrevivem do dinheiro dos contribuintes, empresas públicas, portanto, a comprarem viaturas topo de gama para os seus gestores (se não os podem aumentar em ordenado, aumentam em benefícios?) E não se pode matá-los? Aos pais que abandonam os filhos, que os violentam (física e psicologicamente), que se descartam das suas responsabilidades? Que preferem comprar tudo e mais alguma coisa e fazer todas as vontades às crianças, para que não sejam contrariadas, levando a que cresçam julgando que se consegue tudo na vida com facilidade? A todos os que, fazendo-se valer das suas posições junto das crianças, abusam sexualmente delas. Àqueles que acham que tomar conta duma criança ou dum adolescente é fazê-lo chorar, bater-lhe, levando-os muitas vezes ao desespero. E não se pode matá-los? A quem não sabe viver em comunidade, a quem é rude, mal-educado, mal-formado, ao ponto de gozar com as pessoas de mais idade, que não sabe aguardar a sua vez para falar, que entende-se como o dono da razão e de todo o que o rodeia. A quem exige ser tratado pelo seu título académico, achando-se superior aos demais, chegando aos extremos de recusar falar com quem não o utilize. E não se pode matá-los? Aos grevistas que, usando e abusando da sua liberdade de fazer greve (que não contesto) violam a liberdade dos demais em se deslocar para os empregos, levando a que haja quem perca o emprego (ou fique em desvantagem nas entrevistas para emprego) por viverem em zonas onde há bastantes greves. A quem maltrata os idosos e os abandona à sua sorte num qualquer hospital ou lar de terceira idade, sem respeito pelos laços familiares que, muitas das vezes, os une, importando-se apenas com o dinheiro que podem receber. E não se pode matá-los? Bem, nalguns casos se calhar matar é exagero. Mas não se pode, sei lá, partir uma perna?... É que, não sei o que pensam mas, a mim, alguns destes casos fazem com que minha parte má ultrapasse a boa. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=182789 A minha vizinha - 25Mar2019 15:37:40
Viver em comunidade não é fácil. Há quem nasça com essa vocação e pense no bem-estar geral em simultâneo com o bem-estar individual, podendo até, muitas vezes, pôr o bem-estar da comunidade à frente do seu próprio. Também há quem aprenda a ser assim, muitas vezes influenciado pelos vizinhos que acabam por se tornar amigos. Os problemas surgem quando algum indivíduo, membro dessa comunidade, não o sabe fazer. Nem quer aprender.
Apetece-me falar um bocado do meu prédio. Quer dizer, não do prédio onde eu vivo, mas sim dum prédio imaginário, onde se juntam histórias de mau convívio. Neste prédio, que tanto pode ter apartamentos como utilizadores, há de tudo para todos os gostos. A minha vizinha acha-se dona do prédio. Então, tudo o que os outros decidam que vá contra a sua opinião, é boicotado por ela. Pode até nem ser nada de especial e ela até pode nem sequer ser afectada pela decisão. Mas se ela não concorda, então não se faz. Mesmo que ela seja a única a estar contra. Tenho outra vizinha que não mede o que diz. Não tem qualquer pejo em ofender os outros, com ou sem razão. Acha que a qualidade é definida por ela e que, se ela não gosta, os outros também não podem gostar. Já a vizinha do andar mais acima gosta, basicamente, de embirrar. Se está um dia de sol, ela diz que está de chuva. Se está frio ela diz que tem calor. Abrir as janelas nem por isso que faz corrente de ar. Mas se as deixamos fechadas então falta-lhe o ar. Quanto à do andar de baixo, é a moralista de serviço. Não quer prejudicar ninguém, todos temos direito a opinião, não vale a pena discutir porque haveremos de chegar a um consenso? Mas, quando lhe pedimos que pague o que deve, faz-se de esquecida. Subimos mais um andar e encontramos a vizinha que quer ser o centro das atenções. Mal de quem não a mimar com um olá ou uma visita. Anda no elevador para cima e para baixo à procura de quem a veja para poder aparecer. E quando não lhe dizem nada, daqui d?el rei que vem a casa abaixo. Se descermos um piso, teremos à nossa espera a víbora, aí, perdão que me enganei, neste piso temos a vizinha que só sabe dizer mal. De tudo e de todos. Preferencialmente pelas costas porque, pela frente, diz bem do interlocutor. O que fica sempre bem, como é óbvio. Estava a esquecer-me da vizinha do último andar. Esta jovem passa por nós no prédio e parece que todos lhe devemos e ninguém lhe paga. Nem um bom dia, nem um pequeno cumprimento. E, se for caso disso, até fecha a porta na cara dos vizinhos. Já a vizinha do andar térreo defende, com unhas e dentes, que não tem nada a ver com o telhado. Afinal, com tantos andares por cima da casa dela, não faz sentido que lhe estejam a dizer que tem de tratar do telhado. A vizinha do lado por mais que lhe peçam que tenha cuidado quando leva o lixo à rua, ou quando o cão sai de casa, ela não quer nem saber. Suja as escadas e o elevador com os pingos do lixo ou o cão faz as suas necessidades antes de chegar à rua e quem quiser que limpe. Poderia continuar a falar-vos das minhas vizinhas. Destas que não sabem nem querem saber como se vive em comunidade. Nestas que vivem no meu prédio, no teu prédio ou até num qualquer site da internet. Porque os casos acima descritos podem-se passar tanto num prédio, como num site, como num emprego. Basta que haja uma comunidade. E pessoas que não a respeitam. Não é difícil viver com os outros. Difícil é conviver com pessoas como as minhas vizinhas. Se respeitarmos os outros, se aceitarmos que podemos ter opiniões diferentes, se soubermos ouvir, se? quer dizer, no fundo, tantos ses resumem-se a respeito. Pelos outros. E ai sim, se todos se respeitassem e se dessem ao respeito, a vida em comunidade seria bastante mais agradável. Nota final ? as histórias acima são, infelizmente verídicas. No entanto a vizinha a que me refiro tanto pode ser uma senhora como um senhor. Esta crónica não tem destinatário especial nem recado nenhum escondido. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=159794 Suicídio - 25Mar2019 15:37:40
Como quase sempre, hoje, na minha viagem de barco para Lisboa ia a dormitar. Mais ou menos a meio da viagem, e sem saber muito bem porquê abri os olhos e vi um arco-íris lindo. Sabem, daqueles em que as cores estão bem definidas, e que quase podemos ver o pote de ouro no fim de cada lado. E pensei para mim ? hoje vou ter um dia bom. E até comentei com um amigo e com o meu colega o que tinha visto e o quanto eu gostava de ver o arco-íris ? acho que até disse que era como as crianças, fico encantada quando os vejo.
Talvez pela associação do arco-íris à lenda (ou realidade?) da arca de Noé. Lembram-se? Depois de terminado o dilúvio, surge no céu um arco-íris como sinal de que nunca mais Deus destruiria a terra. Sinto-me sempre reconfortada quando os vejo. O dia corre bem, de certeza... Certo é que até foi um dia como os outros. Nada de extraordinariamente positivo aconteceu. Até aqui tudo bem, também não esperava ganhar o euromilhões lá porque tinha visto o arco-íris (bem, até porque, para isso era preciso que tivesse jogado). Ao fim do dia, e tal como estava agendada, lá fui a uma reunião. No decorrer da reunião o senhor com quem estava reunida recebeu uma chamada. Acabou por atender (pedindo-me as devidas desculpas) e... bem, aqui o meu dia descambou. Porque o telefonema era para avisar o senhor que tinham acabado de encontrar o pai dele enforcado na cave. Como podem imaginar a reunião acabou de imediato... e eu, que até julgava que o dia me ia correr bem, acabei-o com uma enorme sensação de vazio. O que levará uma pessoa a cometer suicídio? Será cobardia? Será que a pessoa se sente incapaz de ultrapassar os problemas que tem ou pensa ter? Será que há alguma razão válida para cometer suicídio? Que será tão grave que leve uma pessoa a quer deixar de estar com os seus entes queridos, deixar de sentir o vento na cara, o cheiro das flores, ouvir o riso duma criança? Não será cobardia não enfrentar os problemas, não os tentar resolver? Será coragem? Não será preciso coragem para tomar uma atitude destas? Saber o exacto momento da morte, preparar a morte e, quiçá, vê-la chegar? Não será preciso coragem para meter uma corda pendurada no tecto e depois subir a um banco, meter o pescoço lá dentro e dar um pontapé no banco? Atirar-se duma ponte ou para a frente dum comboio? Acima de tudo acho que são pessoas desesperadas. Que acham que a vida já lhes deu tudo e que nada mais esperam senão sofrimento. Que não tem apoio suficiente das suas famílias (ou que acham que não têm). Que são doentes, na maior parte das vezes, e que, por descuido e falta de tempo, os que lhes são próximos não se apercebem... São inúmeras as razões para o suicídio. Para mim, nenhuma é válida. Amo a vida tal qual ela é. Cheia de espinhos. Porque são os momentos mais espinhosos que me levam a saber apreciar os momentos mais belos. Não fora ter problemas, como saberia eu o que é não os ter? Gosto de sentir a chuva, de ter frio, de cheirar as flores, de brincar com os meus filhos, de estar com os amigos, de ter fome e de a saciar a seguir... tudo, os bons e os maus momentos. Gosto de todos os momentos. Gosto de viver e de me sentir viva. Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/ne ... oryid=34829#ixzz13TStlOUd Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives Esta crónica foi escrita em 11 de Abril de 2008 e publicada neste site (e no meu blog) a 12 de Abril. Um acontecimento recente fez-me voltar atrás no tempo, reler esta crónica e voltar a publicá-la para a manter viva. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=157431 Violência escolar - 25Mar2019 15:37:40
De vez em quando lá acordo virada para o lado contrário da cama, e dá-me para ir buscar temas estranhos.
(Ou pelo menos estranhos para mim? se bem que, pensando bem, até isto de escrever ainda é estranho para mim, pelo que posso pensar que qualquer tema sobre o qual eu escreva é estranho? mas adiante, que não é disto que trata a crónica de hoje) Com a aproximação, a passos largos, do início de mais um ano escolar, adivinho que se estejam a aproximar também os temas de reportagem habituais a esse propósito. O custo do material escolar, (Educação gratuita? Onde? Cada vez que o ano lectivo começa, os encarregados de educação começam a deitar contas à vida, ou à bolsa, para perceberem quanto vão gastar, assim duma assentada), a qualidade do ensino, a ansiedade das crianças (e dos pais), o melhor sítio para as crianças se sentarem na sala, os colegas, os exames que hão-de realizar, o regulamento escolar, atrasos no inicio das aulas, o estatuto do aluno, etc. Espera? o estatuto do aluno só saiu este ano, curiosamente foi publicado à meia dúzia de dias, não dando sequer tempo para que as escolas se preparem para o aplicar logo no início do ano escolar. Este tema, sendo novo, de certeza que vai dar azo a umas boas reportagens. Claro que também se vai falar de violência escolar. Normalmente associada à violência entre alunos, ou de professores contra os alunos (muitas vezes associado, infelizmente a casos de pedofilia). Mas, e eu pergunto, e a violência contra os professores e auxiliares de educação, perpetrada pelos pais e/ou pelos alunos? Fala-se, à boca pequena, de que existem casos. Sabe-se que ali aconteceu um pai dar um par de estalos ao professor à frente dos alunos. Que aqui um aluno deu pontapés à professora porque não queria ir para a sala de estudo. Na outra escola um professor suicidou-se por não conseguir manter a ordem na sala. Aquela professora foi ameaçada por ter tirado o telemóvel à aluna. O outro professor levou com um cinzeiro na cabeça. A professora daquela turma teve uma navalha espetada em cima da mesa. Precisam de mais casos? Muitos destes casos não chegam a passar para fora dos portões da escola, porque a vítima, o(a) professor(a), sabe que a nossa justiça é lenta, que muitos pais se desligaram da educação dos filhos (ao ponto de eu ter ouvido, da boca dum pai duma criança de 8 anos, dirigido a um professor que tinha levado dois pontapés da referida criança, que ?eu não faço nada dele, que quer você que eu lhe diga. Veja você se me pode ajudar?) e que, se avançam com as queixas, ainda podem vir a sofrer represálias (do aluno, dos pais, da sociedade onde estão inseridos). Algumas vezes, esses professores os que são violentados, se forem pessoas mais fracas, acabam por se suicidar. Meus caros, estamos a falar dum dos pilares de qualquer sociedade ? os professores. São eles que ensinam, aos nossos filhos, uma boa parte dos conhecimentos que eles vão precisar para se tornarem adultos decentes, amados e respeitados pela sociedade. Mas não o fazem sozinhos. Nós, os pais, temos responsabilidades acrescidas. É a nós que cabe ensinar o fundamental ? o respeito pelo próximo, pelos adultos, pelos mais velhos, por toda a gente. Enquanto não o conseguirmos fazer, com certeza que os professores também não o vão fazer. Lembro-me, assim em jeito de fim de crónica, duma frase que li à uns tempos atrás e com a qual não podia concordar mais, por reflectir exactamente o que acabei de expor: ?Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos que se esquece da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta." E já agora, porque recordar é viver, diziam antigamente que os professores quando tinham que dar umas reguadas não se inibiam? alguns criticavam, outros apoiavam e ainda havia os que toleravam, mas certo era que o nosso Mundo era melhor, mais educado e com um melhor nível de conhecimento. Comparem, se quiserem ou se tiverem descernimento, bagagem e coragem para o fazerem de forma isenta. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=148718 Faça o seu registo
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