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PauloLx

Obrigando-me a escrever - 25Mar2019 15:37:29
Vasculho á pressa o meu intìmo.
Necessito de motivos válidos que me forcem a pena.
Deixando-me enlear pelo fumo que sempre me rodeiou constato, sem mágoa, que já pouco tenho a dizer a mim mesmo.
Descanso a mente, adormeço o ego e arregaçando as mangas parto para aquilo que pede para ser feito e não descrito.
Poderão ser as palavras aquilo que nos afasta do que desejamos?

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=115683

Prisões em Mim - 25Mar2019 15:37:29
Um corpo que sempre foi pequeno demais para o que continha.
Uma mente indomável que me tentou levar onde o corpo não podia.
O Ego que durante tantos anos tomei como Eu mesmo.
Uma Família que sempre lá esteve sem Eu querer.
Palavras que aprendi com gosto e brio mas que acabaram ofuscando o Caminho.
O Tempo sempre a correr e Eu a querer ficar parado.
O Conhecimento que nos afasta da Humanidade.
A Sabedoria que nos torna arrogantes.
A Humildade que nos faz sentir santos ou iluminados.
O Amor que valida o erro por insegurança ou apatia.
Tudo isto me prende a quem eu penso que sou impedindo-me assim de ver quem se esconde atrás de tudo isto.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=101767

Suavemente - 25Mar2019 15:37:29
Perdi a minha angústia com tal suavidade que quando dei por mim já era feliz assim.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=101764

Onde estou eu afinal? - 25Mar2019 15:37:29

Desperto sinto todas as fibras do meu corpo e nelas existe todo o resto.
Tentando descobrir qual o ritmo a que bater o coração peço a todos o silêncio necessário para tal.
Quem sabe está calado e quem fala não sabe... Sei isto e ainda falo tanto...

Isolado encontro a resposta a algo que nem necessitava pergunta.
O ritmo, o sentido, a velocidade, a energia, tudo isto são cordas que nos foram estendidas por outro. Cordas exactas e sem as quais a nossa existência não teria lugar.

Finalmente encontro o meu lugar na certeza de que o espaço para Eu Ser aconteceu antes de Mim.
Eu sou apenas mais uma expressão desta fantástica aventura que é Ser Consciente.
Não sou necessário, especial ou marcante Sou apenas aquilo que puder Ser.
Talvez uma pequena fagulha, dum fogo muito maior que sempre ardeu, tentado incendiar tudo á sua volta com esta chama sagrada.

Sendo o equilíbrio, como tudo o resto, algo dinâmico e momentâneo dou por mim a passar por ele sem lá poder parar.
As questões aparecem e com elas vem a acção que mata a contemplação.
Se por um lado busco o que me inspire por outro abomino o que me prenda.
Pena é que tantas vezes a inspiração seja a minha prisão. Ou talvez seja o facto de estar preso que me inspire...

Será que alguma vez me vou encontrar onde quero estar?
Mais importante ainda será que vou querer ficar?

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=101516

Elogio a Gaia - 25Mar2019 15:37:29
O paraíso para o turista que há em mim.
A toca para o ermita que em mim há.
A oficina para quem quer aprender fazendo.
Uma nave de pedra atracada num plácido mar de verde encanta os marinheiros de água-doce.

Os momentos usam-se a seu belprazer e idades cruzam-se sem atropelos.
Abrindo os olhos à vida em nosso redor depressa nos adequamos aos ritmos vigentes.
A calma é hoje a nossa melhor amiga e sem pressa vamos a todo o lado.
Dou por mim a esbarrar na ausência de limites e rio-me do paradoxo que o meu ego tenta criar.

Desfrutando a sós deste espaço descubro nele o nosso potencial.
Olhando para ele com os olhos dos que amo construo bonitos futuros.
Aplicando nele a minha mente fabrico um mundo melhor.
Quando me aquieto encontro tudo aquilo que É.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=99731

O prazer de não ser - 25Mar2019 15:37:29
Por tantos querer Ser sempre me irritou ser algo.
Nasci e já me aborrecia ser filho, menino, sobrinho, netinho ou qualquer outro inho.
Assim que as pernitas me permitiram não mais parei de ir, ver, mexer, sentir, viver.
A maior ou menor facilidade, prazer ou consequência provinda dos meus actos pouco tiveram a ver com a satisfação pessoal que eu tirava deles.
O facto de me exceder em algo e por isso ser elogiado, elogios esses carregados de expectativas e projeções futuras, apenas me afastava do momento presente entediando-me de morte enquanto me levava inconscientemente a uma ruptura com aquilo que estava a experienciar. No rosto dos que me amam conseguia ver eu a concretização dos seus sonhos, eu poderia Ser Tudo...Tudo o que Eles quisessem...
Quando os obstáculos surgiam no meu caminho sem hesitar eu abdicava em prol de prazeres mais fáceis e instantâneos que pareciam fazer esquecer aquilo que realmente importava.
Quaisquer sonhos, projecções ou objectivos a longo prazo estilhaçavam a minha vontade de viver/escolher e não querendo nunca que alguém que não eu tomasse conta de mim acabava invariávelmente por matar tudo aquilo que em mim pudesse estar a tentar despontar.
Ser um bom filho.
Ser um bom católico.
Ser um bom parente.
Ser um bom amigo.
Ser um bom estudante.
Ser um bom namorado.
Ser uma boa pessoa.
Sendo tudo isto e muito mais descobri que nada disto acrescentava a quem eu realmente sentia que Era.
Dei por mim querendo ser algo que já era e recusando ser outro que também Eu era.
Juntei tudo o que amava e guardei-os no fundo do meu mar tencionando juntar-me a eles logo que possível.
Carreguei o meu barco com toda a merda que não era Eu e fiz-me a esta Vida que era o oceano que necessitava vencer. Sozinho com todas os cenários mentais que se desenham na minha mente acabo por constatar que nem estes sou Eu.
À medida que me afasto da costa conhecida assim abranda o meu ritmo mental e começo a sentir o Silêncio onde a cacofonia acontece. Medos, dependências, anseios, desejos, culpas, traumas, doenças começam a tomar forma e aceitando tudo sem medos reparo que nada disto sou Eu.
Vazio vai o barco, despido e oco vou Eu. Sem terra á vista , despido e oco assim Me encontro. O Sol recebe a minha primeira visita e aceito sem restrições o facto de estar vivo.
Sem precisar de nome, propósito ou forma sinto a Paz inefável que deriva de aceitar em pleno e sem qualquer tipo de barreiras/conceitos aquilo que É.
"Ser ou não ser eis a questão."....
Creio que é quando esta questão nem se se põe que realmente Sou.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=99730

É - 25Mar2019 15:37:29
De volta após mais uma volta composta de outras tantas voltas a tudo encontro como se de uma volta se não tratasse.
Umas férias que nunca o tinham sido são a porta para tantas outras partidas e voltas.
Cada vez mais vivo onde estão os meus pés, tentando esquecer o passo passado e não me pré ocupar com o futuro, desfrutando com vagar da plenitude dos momentos.
Vejo assim tudo caminhar comigo. Sem amarras, pressas ou pressões. Tudo sendo como sempre É e eu apenas sendo, aproveitando a doce loucura que é a consciência deste Ser.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=98582

Ausência de valor - 25Mar2019 15:37:29
Digo e desdigo o que digo sem ninguém mo dizer.
Nesta desdita não perco Norte nem Sul por aì o valor nada valer.
Reparo que as minhas palavras apenas existem no momento e para o momento.
Tudo o resto é apenas isso um resto, adição ou algo menos...mas nunca aquilo que já havia sido.

Neste brilhante jogo nada é o que parece e usar do juízo é pura ilusão.
Prefiro deixar escorrer bacoradas por mim a baixo na esperança que alguém me contradiga.
Os confrontos são menos que os desejados mas sempre saudados com sangue, suor e lágrimas.
Vivendo cada baforada de vida como se fosse a primeira ou a última esqueço que podia haver um sentido algures oculto debaixo dos meus sentidos.

Sigo livre do peso do meu passado pois só assim consigo ser autêntico a cada instante.
Oiço as vozes que me recordam aquilo que dizia ontem mas é apenas eco sem boca nem orelha.
Quando lhes digo que nada do que disse, digo ou direi terá qualquer valor arremelgam a vista confundidos.
Prefiro que o valor esteja apenas naquilo que É e não naquilo que foi, será ou poderia ter sido.

O presente também não tem qualquer valor pois se te deitaste a pensar nele assim ele se passou.
A matemática da vida esconde-se por debaixo de fórmulas insondáveis para nós de nada nos valendo meter a contas.

Por quanto tempo mais vou eu continuar a dar valor ao que vivo?

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=98089

O caminho - 25Mar2019 15:37:29
O Caminho é Vida.
O Caminho é Gozo.
O Caminho é Vazio.
Gozo que é na verdade o Vazio.
O Vazio que é onde habita o Gozo.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=90112

Lutando - 25Mar2019 15:37:29
Os factos levam-me a actos que me afastam do sítio onde consigo escrever.
Aquilo a que alguns chamam Tempo assim me levou e aqui me trouxe.
Voltando transformado pelas perdas e ganhos vejo tudo melhor que nunca.
O meu papel nunca foi tão sedutoramente acessório e vital num mesmo sopro.
Ainda que me quede imóvel, cego, surdo, bruto e boto , nada disto trará a constância de que alguns falam e sei que o único caminho é andar.
Contente no viver e no morrer, não faço distinção no arrumar das experiências.
Mortes que se montam em vidas e desgraças que causaram as maiores alegrias, tudo se enlaça numa mente que se queria mais calma, e nem mesmo o passado é estanque.
Inconsciente ou não , aceito de que ao questionar já deixei escapar a resposta e ocupo-me apenas de tudo o que acontece entre duas inspirações minhas.
Tentando escrever ácerca da Morte apenas Vida me vêm á pena e quando penso bem n´Ela, na Vida, a Morte parece-me tão bem.
Não consigo escapar a mim mesmo mas antes isto que não escapar dum qualquer outro.
Ainda que me custe a mim muito e a outros muitos mais, seguirei lutando por mim e por todos.
Lutando contra mim.
Lutando contra ti.
Lutando contra todos.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=89915